terça-feira, 31 de agosto de 2010

VOCÊ


Curioso começar a falar de você, falando de mim. É que a gente é tão parecido que as coisas acabam se complementando.

Faz muito tempo que não escrevo no blog, nem treino minha escrita poética, mas as emoções fluem quando a gente precisa que elas o façam.


Primeiro, eu amo você. Amo tudo o que você é.


Você surgiu após uma tormenta, após as "lágrimas que eu nunca chorei", em meio ao meu coração partido eu vi um amigo ou alguém em quem eu pudesse confiar.

Você me fazia rir, e os nossos gostos eram tão parecidos!

De repente, a nossa amizade se tornou algo mais forte, mais valioso, algo que eu mesmo não estava compreendendo. Fomos vivendo nossos momentos, esquecendo um do outro; talvez eu estivesse pensando assim.


Contudo, um dia você surgiu, já não era mais uma foto, era muito mais, era um lindo rosto que se mexia, e jorrava aquele sorriso lindo pra mim.

Eu me apaixonei, e, desde então, só quis ficar com você.


Começamos a nos falar mais e mais, e você se mostrou paciente e com uma vontade imensa de querer ficar comigo.

Eu te encontrei, de todas as formas possíveis nos meus sonhos e te fiz querer acreditar que só era teu.


Agente brigou, bastante rs, mas isso nos fez crescer. Tudo isso mostrou que eu não desisto de ti, jamais, que o que eu quero é estar aqui; estar na nossa história. E, mais do que tudo, construi-la contigo. A coisa que mais me anseia é construir a nossa vida, com laços fortes, como uma muralha, indestrutível.


Eu sou muito bobo, fantasio demais as coisas, mas é bom, porque quebra a sua seriedade; de novo, a gente se completa. Três lindos anos, que eu passo junto a ti. Sinal maior que esse, não há.


Você me conquistou de mil maneiras, com cada palavra. Cada palavra fofa sua é uma festa pra mim; eu sou louco por você; mas não é simples paixão, perigosa e traiçoeira, é amor. Simples e puro amor que eu sinto por você, e que me faz querer vencer, a cada dia, todos os dias.


Senti uma imensa vontade de expor esses meus sentimentos, porque eu preciso externá-los; preciso contar pra todo mundo que a gente está junto, e que nós pertencemos um ao outro.


Você é o céu e o paraíso no qual eu quero viver.


Eu te desenhei, te escrevi uma música, te escrevi cartas, e isso é só o começo. Sabe por que?


Porque VOCÊ é tudo na minha vida, mas não tem ideia do que isso significa e da importância que reflete em mim.


Obrigado por estar sempre aqui.


Te amo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As chamas do campo de centeio - Parte 1


O vento frio recaiu sobre as paredes escuras do grande Castelo de Niedlen, e o Rei Griemmer já havia se recolhido em seus aposentos. Depois do frio intenso do outono veio a neve para destruir as plantações já colhidas e fazer os camponeses refugiarem-se em sua miséria para dentro das humildes casas.
O branco fluído cobriu árvores, troncos secos, casas, carroças e tudo o mais que ao céu estava exposto. Seriam tempos difíceis até a chegada dos próximos raios de Sol, contudo, entre o longo frio e a vinda de uma nova esperança na primavera, o trabalho árduo de camponeses e guardas continuava sem parar, ante a ostentação e a frieza da alma do monarca.
William se aproximou das dependências do castelo para entregar cereais e carne paras ajudantes da cozinha dos nobres. Meninas um pouco cheinhas e de faces rosadas pela saúde que corria em suas veias. Já o pobre camponês, apesar de forte como um touro, dotado de ombros largos, alto, e com profundos olhos negros, mantinha o rosto fino e as roupas sujas pelo trabalho constante.
De repente uma voz:
_ Nisa! - chamava a voz cintilante que parecia prover de lábios sorridentes.
_ Yervien! O que está fazendo na cozinha de novo?
_ Vim ver o que você estava fazendo. - disse a doce voz.
_ Seu pai não gosta que você ande por aqui. Quantas vezes tenho que lhe pedir que não desça?! - a cozinheira gritava severamente e manteve-se na frente de William para que ele não visse aquele rosto.
_ O que há de tão mal? A filha do rei não pode passear pelo castelo? - e deu um rodopio fazendo seu vestido de cetim azul e lilás resplandecer em meio a seus cabelos castanhos manchados de dourado.
As mãos brancas e delicadas deslizaram pelas paredes corroídas pela fumaça e pelo sal. As pedras torneadas poderiam rachar-lhe os dedos de tão ásperas que eram; contudo, serviram de apoio para o rosto de William desvendar o anjo além das montanhas de pedra.
Yervien deparou-se com os olhos profundos e negros do camponês e não pode lutar contra aquele feitiço. Suas maçãs coraram e em poucos segundos era como se minutos houvessem passado. Ela pode ver cada centímetro daquela face sofrida, mas que guardava uma beleza inigualável, a cor púrpura em seus lábios mostravam o frio que estava passando. E o corpo, claro, era alto e forte, como jamais um nobre foi.
A princesa estava em choque, e seus olhos cederam até encontrarem os da cozinheira.
_ Yervien! É melhor você ir. - disse em máxima reprovação ao patinar como os olhos do rosto do rapaz ao dela.
A princesa nada disse, apenas colheu uma maçã em uma das torres de frutas dispostas na grande mesa, e desapareceu além dos corredores.
_ Você não devia pensar besteiras, meu jovem. - disse a cozinheira a William, que ainda não havia parado de olhar para o vazio em que a princesa havia se refugiado.
_ Não seja tola, não seria dotado de tamanha burrice.
E foi-se embora.
O inverno seria mais longo que o esperado, e a princesa não se contentou com as advertências de seu pai ou dos criados, ela precisava vê-lo. De alguma maneira ela precisava, ao menos, observá-lo ao longe, e não perderia oportunidades; as criaria.

_ Papai. - disse Yervien curvando-se diante do Rei Griemmer.
_ Diga Yervien. - a monarquia deste, apesar de um pouco cruel com os camponeses, escondia-se na face de um homem aparentemente bondoso, que não suprimia os caprichos de sua única filha. Isto talvez pela morte de sua esposa durante o parto.
_ Gostaria de caminhar pelas florestas, não muito adentro, aos arredores apenas... - mas o Rei enfureceu-se.
_ Como?! Arriscar-se no frio temeroso deste inverno em meio a bestas sedentas por carne? De modo algum! - urrou contra a filha.
_ Eu preciso caminhar pela floresta, ver algo novo, estou entediada neste lugar.
_ Não creio que a floresta seja o melhor lugar, minha querida. - baixou o tom reportando-se dos gritos que havia desferido.
_ Então, talvez, os campos de cultivo.
_ Estão todos cobertos de neve.
_ Por favor. - e cerrou os olhos como posta a chorar, arfou o peito como se o suspiro último de sua vida fosse saltar naquele instante, e apertou as mãos uma na outra rogando pela misericórdia daquele homem.
Griemmer ficou quieto por alguns segundos e fraquejou gritar com ela novamente, mas vetou sua fúria.
_ Terá que ir acompanhada e coberta. - engoliu o amargo de sua boca – Não quero que nenhum daqueles seres imundos veja seu rosto.
_ Obrigada. - ela sorriu maravilhada e o reverenciou novamente.

Dois guardas acompanharam Yervien aos campos de trigo. Um reles capricho que ela quis fosse atendido. Seu corpo fora completamente coberto por um pano negro de seda, e o vestido também negro deixava perceptível tão somente sua pele alva e seus olhos de mel brilhantes sobre as linhas de tecido.
A brisa fria era suficiente para cortar as maçãs do rosto, mas as suas estavam protegidas. Poucos camponeses andavam pelo frio, geralmente realizando a limpeza dos currais ou cuidando dos animais; as grandes plantações jaziam em meio à neve, e tudo o que precisavam para sobreviver durante todo o inverno já estava estocado no castelo.
E naquele instante os olhos de mel focalizaram as pérolas negras em meio ao trabalho árduo e o frio. William estava cuidando dos animais maiores dentro de um dos celeiros da grande propriedade.
As mãos acariciavam o cavalo firmemente, escovando o couro e deixando-o lustroso. A relva seca e alguma ração estavam jogadas aos montes em tanques de madeira para que eles se alimentassem; parecia ter um grande afeto por aqueles animais, parecia ter pena de ser tratado como um deles, equiparando-se a criaturas tão puras.
Os corpos pararam. Ele não podia a ver, mas conseguia sentir o doce perfume de flores que nunca alcançaram aquelas redondezas, e sentia a imagem naquele olhar, o vislumbre rotativo de anjos, pouco faltava para equipará-la a tais, bastaria ouvir sua voz.
Yervien chocou seus olhos no corpo daquele homem, nos braços grandes e fortes, no queixo forte e em seu peito rijo. Qualquer um sentir-se-ia seguro em torno de seu abraço, até a mais frágil das mulheres, e ele jamais a machucaria, pois misturava-se em força e delicadeza, em paixão e amor.
E ele não teve chão a manter-se, quando ela arrancou o véu negro de seda que encobria sua face. O rosto despertou uma aura, e ele balançou em seus pensamentos, quase tropeçando em meio ao feno.
Mas ela não poderia ficar ali por muito tempo, e caminhou novamente com os guardas, admirando a neve sobre as plantações extintas. Nisso:
_ O que plantam aqui? – ela dirigiu-se a William.
_ Ah... trigo, minha senhora.
_ Em todos os campos que posso ver? – perguntou desafiando-o.
_ Não. Além temos outros cereais, e ao fundo os campos de centeio.
_ Onde plantam o centeio? Simplesmente adoro pães de centeio.
O guarda tossiu querendo evitar uma conversa mais alongada entre a princesa e o servo.
_ Próximo àquela pequena casa, minha senhora. – respondeu William.
_ O que é aquela casa? Um galpão de ferragens? – perguntou entre dentes sorrindo.
_ Não. É a minha... minha casa, minha senhora. – e William olhou com vergonha para a princesa.
Yervien sentiu-se mal por tê-lo rebaixado à sua frente, e o vento frio provocou-lhe um arrepio tão forte, que seu braço esticou por instinto, fazendo com que os guardas a levassem de volta para o castelo.

William abaixou o rosto, admirou sua casa e inferiorizou-se perante o castelo de pedras.

Continua...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Auto-retrato


Eu pude conhecer alguém que acreditei que me faria feliz. Eu o conheci em alma pura e transparente, ele veio a mim em noites quentes para tocar minha pele, e veio em noites frias para me aquecer, impedindo que o sopro frio da madrugada pudesse me fazer tremer.

Eu lhe pude confiar todos os meus sentimentos e compartilhar todas as minhas histórias, tanto boas quanto ruins, eu lhe cantei em mala voz, já que não tenho esse dom, eu lhe entreguei meu coração.


Sei que vivo criando barreiras e mais barreiras para encontrar a minha felicidade, mas dessa vez eu tenho um martelo e um muro gigantesco em minha frente. Poderia eu quebrar esse grande muro de pedras sem que ele desabasse sobre minha cabeça e me esmagasse em um só suspiro? Ou talvez poderia eu quebrá-lo e fazê-lo cair ao outro lado para que, ainda que com dificuldade, eu pudesse caminhar sobre as ruínas e encontrar o outro lado.


Talvez a felicidade se pareça com esse muro caído ao outro lado, apesar de em ruínas você acabou conhecendo o que jamais vira; e isso pode lhe impressionar ou não. Se não impressionar você simplesmente continuaria caminhando em busca de um novo muro que pudesse derrubar, ou ao menos que gostaria de derrubar.


Eu mesmo consigo olhar para trás e ver os diversos muros que caíram, contudo sobraram as ruínas, elas não foram removidas, permanecem intactas e às vezes me fazem pensar onde estou, e onde quero chegar.


Eu não cheguei a lugar nenhum sem lutar e sei que deverei continuar lutando por muitos e muitos anos em minha vida, mas eu rogaria por um pouco mais de paciência, ou força, ou até de uma certa ajuda; não precisaria facilitar demais, apenas abrir uma porta, ou só uma fechadura, o resto eu sei que sou capaz de mostrar.


Eu nasci em um berço de ouro cercado por cobras e anjos; uma guerra, talvez uma arena de gladiadores. Eu vivi eu um mundo incomum, e cresci num mundo de sofrimento, o meu mundo, aquele além das portas de sua casa.


Eu desenhei um rosto bonito em minha face e não encontrei explicação para fazer jus a tantos dons maravilhosos ao mesmo tempo, contudo, eu não fui dotado da aparência que os homens ostentam; da aparência que eu gostaria de ter para que chamasse atenção dos que almejam ser afortunados. Mas será realmente que eu gostaria de ter isso, ou só me basta o meu rosto indefeso?


A resposta é "não sei". Não conseguiria responder isso, porque não sei o que a vida poderia me proporcionar, e não saberia o que a vida teria me proporcionado se houvesse tomado outro caminho. Apenas acredito que as coisas seriam diferentes.


Enfim, esse não é um lamento, essa vida pinta um pano de fundo deste retrato, partiremos agora à face.


Os olhos castanhos com um tom de caramelo desencadeiam algo em mim, adoro meus olhos. A boca cheia, o lábio inferior levemente saltado, exceto quando estou triste, fica normal para dentro. O nariz, acho um pouco grande, mas nele vejo a minha personalidade. As sobrancelhas arqueadas, não por desdém, mas porque gosto de movimentá-las assim, e os olhos ficam mais puxados aos lados, quase como de um oriental, acho bonito.


O pescoço branco e acetinado. As costas envoltas em chibatadas das milhares de descrenças que já ouvi; as mãos cobertas em sangue das respostas que dei àqueles que me magoaram; os pulsos cortados, à vista de minhas desilusões; o coração dilacerado a ponto de parar; os pulmões em êxtase pela falta de ar; as pernas inchadas pelo trabalho árduo; os cabelos despenteados pelo calor do fim do dia.


Eu fui espancado, eu fui amado, eu fui adorado, eu fui chantageado, eu fui traído, eu fui derrotado, eu venci, eu perdi, eu ganhei, eu dei a volta por cima, eu cai, eu revigorei, eu me matei...


Eu quero ser forte, eu quero ter poder, eu quero amar e eu quero ser feliz...


Todas essas noções se espelham num só rosto, num projeto macabro, num raio de luz, ou até em um papel dobrado. Desenhos sintéticos e rabiscos elaborados, eu sou essa plataforma de contradições que ressurge após cada queda, e apesar de me darem inspiração para lhes escrever isso, um dia irão me dilacerar de tal forma, que não mais terei forças ou vida para escrever novamente.