domingo, 28 de dezembro de 2008

A Loja de Brinquedos de Glenda - Parte 1


Em Breve...

A Taça - Parte 4



Evan acordou algum tempo depois. Ainda estava na galeria, mas amarrado a uma cadeira no centro do salão, local em que sua falsa Kate havia se despido e dançado vultuosamente como uma cortesã aflita por enfoque carnal.


O rapaz não estava entendendo o rumo das coisas, e começou a recobrar as palavras dela; disse que não era Kate, e realmente não era, os lábios eram diferentes. A taça era a prova maior de sua irresponsabilidade. Não havia tomado cuidado com uma mulher que despertou seus encantos com uma dança sensual e um possível sexo árduo e aflito.


Segundos depois de acordar a figura do tenente Minor surgiu no salão. O homem permaneceu calado, mas Evan explodiu.


_ Seu desgraçado! O que está fazendo?


Minor riu, olhou para trás, e depois para as costas de Evan.


_ Para quem está olhando?- ele tentou virar o rosto, mas não conseguiu - Para quem?!


Ele sorriu novamente e caminhou na direção de Evan, o ultrapassando e seguindo em frente.


_ Evan... - um sussurro chegou aos ouvidos do destinatário, uma voz cansada.


_ Quem é? - perguntou apreensivo.


_ Sou eu, Kate. - disse rouca.


_ Kate?! - ele virou o rosto tentando buscá-la, mas acabou virando a cadeira contra o chão.


Com o rosto encostado no chão frio, e as mãos amarradas para trás focalizou o rosto de Kate, fora espancada a socos, estava com a pele fina roxeada e um pouco de sangue saia de sua boca.


_ Kate! - ele gritou aflito tentando soltar as amarras, mas era impossível estavam muito bem presas.


Nisso, novos passos voltaram a tocar o chão. Pareciam saltos finos de bota, numa das percepções aguçadas de Evan.


_ Evan. Existem coisas que você deve saber antes de morrer. - dise a mulher.


Ela ficou frente a frente com ele.


_ Sou sua irmã. - e sorriu.


_ O que? Você está louca?


_ Não. O seu antigo segurança, Minor, é meu pai, mas não completamente pai.


_ Não consigo te entender vagabunda!


_ O seu pai, Sir Andrew é meu pai, pois estuprou a mulher deste homem que está olhando! - e apontou Minor.


_ Como? Meu pai? - Evan se perguntava, não conseguia imaginar que seu pai pudesse cometer tal ato necroso.


_ Assim foi feito, Evan. E acredite. Não tenho orgulho de ser filha dele, e muito menos poderei usufruir pessoalmente de tudo, mas Kate. A adorável Kate pode, como filha legítima.


_ O que? Ela é sua irmã...


_ Gêmea. - completou Minor.


_ Eu vou me passar por Kate. Já inverti minhas digitais com as dela, com uma grande ajuda política de meu amigo Minor. E agora poderei usufruir do dinheiro de meu pai como única herdeira.


_ Isso tudo é por dinheiro? Você não presta! Não tem compaixão por sua irmã?


_ Claro que não. Não fomos criadas juntas, fomos separadas por nossa mãe, que não poderia criar duas crianças frutos de um estupro de escritório, acometido por um milionário que a ameaçava constantemente.


Dessa vez Evan nada disse.


_ E materei você Evan. Por hora, Kate ficará viva.


_ Silvia... - sussurrou Kate.


_ Já sabe meu nome... interessante. Não lembro de o tê-lo pronunciado, mas acho que Minor não consegue guardar segredinhos.


_ Eu não disse nada!


Silvia apontou uma arma para Minor.


_ Pode não guardar segredos, mas nunca minta para mim! - disse furiosa.


_ Eu não estou mentindo! Por Deus! Filha!


_ Não me chame de filha! - gritou e disparou 8 tiros contra Minor, que caiu ao chão ainda vibrando com a última bala.


Evan fechou os olhos de um jeito muito forte.


_ O maldito não poderia mentir pra mim.


_ Ele não mentiu. - disse Kate.


_ Como disse? - perguntou em tom de lisura.


_ Ele não mentiu. - e Kate sorriu.


_ Por que está sorrindo? - Silvia parecia um pouco atormentada, possuía um instinto meio autodestrutivo, estava possessa e louca.


_ Eu sei que você é. - sorriu novamente.


_ O que? - Evan perguntou.


_ Eu sei muito bem quem ela é, Evan.


_ Você só pode estar brincando. Nós nunca nos falamos!


_ Mas eu segui você, por muito... muito tempo. - parou, engoliu e prosseguiu - E quer saber, acho que somos muito parecidas. Até mesmo nas idéias.


Havia uma taça no chão. O champanhe já havia sido tomado.


Kate entrelaçou as pernas e rodou na cadeira, chutando certeiramente a taça, que partiu em direção de Silvia e atravessou seu pescoço.


_ Mas sou mais esperta que você. - concluiu Kate.


Silvia caiu ao chão, com a boca sangrando. Um beijo deixado no mármore em sangue. Lábios Redondos como laranjas.


_ Kate! - Evan gritou.


Ela foi até ele, jogado ao chão. Desfez as amarras e o libertou.


Evan teve um surto e sacudindo os braços gritou:


_O que está acontecendo aqui?!


_ Silvia é minha irmã gêmea. Nós somos filhas de seu pai, mas não fomos vítimas de um estupro. Ela entendeu mal a história. Seu pai teve um relacionamento com a minha mãe, e a abandonou. O marido dela, Minor em vingança, estuprou sua mãe, e você nasceu.


_ O que?! - Minor sabia da verdadeira história, mas passou a ignorá-la depois de se interessar pelo dinheiro que poderia ganhar.


_ Por um instante achei que fôssemos irmãos.


_ Não, não somos.


_ Como fez aquilo com as pernas?


_ Com a taça? Não queira saber. Meu passado é muito mais sombrio que o Silvia.


_ Poderia me contar.


_ Não posso.


_ Por que não? - Evan perguntou.


Um tiro atingiu o peito de Evan.


_ Porque você é meu alvo. E o serviço está feito.


Evan caiu ao chão sem entender nada, tendo no estômago as dores da morte.


Kate retirou uma fita transparente dos lábios e Evan os admirou.


_ São redondos...


Minor levantou-se da encenação de balas.


Minor e Kate se beijaram ardentemente.


_ Evan. Apenas saiba que tudo foi por dinheiro. E que existem pessoas demais querendo que você morra. Silvia foi colocada no jogo, pois queríamos tirá-la de nossas vidas.


Kate pegou a taça de champanhe sobre a mesa e tomou do último gole, a jogando contra a parede depois.


Evan agonizou seus últimos momentos. Mas não tão tarde.


_ Eles vão pagar caro. E você vai me ajudar. - disse Silvia.


_ Com todo o prazer. - disse Evan entre o sussurro, a morte, a dor e a raiva.


Silvia pegou a outra taça, tomou champanhe e a despedaçou entre os dedos.


Vingança. Taças quebradas, não há corpos. Não há provas.




FIM


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Taça - Parte 3


Ao entardecer segui-se uma noite fria.
Evan retirou-se para os confins da propriedade dos Bastor. Sentou-se na grande poltrona vermelha e lá estendeu as pernas; atracado, com os braços esticados, dependurou sua mão com uma taça de champanhe. As pequenas bolhas subiam e estouravam logo à borda do copo, fazendo com que pequenas gotículas do líquido pousassem em sua mão.
A noite caiu; a lua cheia despertava a incisão de ruas claras, mas que, apesar de trazerem pedestres, continuavam perigosas.
Cerca de três e meia da manhã, algo o acordou. Estavam tocando a campanhia da mansão.
Evan coçou os olhos, apertando-lhes com os dedos; depois, voltando a si:
_ Quem será a essa hora? - disse olhando no relógio, que marcava a madrugada propensa.
Puxou o fone:
_ Quem é? - com a voz rouca do sono.
_ Evan! Sou eu! - a voz de mulher indicava que poderia ser Kate.
_ Kate?
_ Sim! Por favor, deixe-me entrar! - estava com um ar estranho e gritando praticamente.
Ao abrir a porta de casa, Kate saltou sobre o corpo de Evan e o abraçou, a respiração estava forte, ela estava ofegante e com a roupa úmida.
_ Evan! Evan! - repetia seu nome enquanto o apertava cada vez mais forte, como se tentasse buscar proteção.
_ O que está acontecendo?! Explique, antes que tenha um colapso! - ele começava a se exaltar pelo nervosismo dela.
_ Tentaram me sequestrar! Na galeria, me pegaram de surpresa, e não sabia para onde ir!
_ Conte o que aconteceu.
_ Me abordaram na porta da galeria, quando eu estava fechando; me deram um soco acho, mas não lembro de mais nada. Acordei a pouco jogada aqui perto, e não pensei em outro lugar que pudesse ir.
_ Acalme-se. Nós vamos à delegacia.
Evan a pegou e foram para a delegacia.
Logo na entrada, o tenente Minor reconheceu o rosto de Evan e lhe perguntou o que havia acontecido.
_ Minha namorada, ela sofeu um sequestro; e foi largada na rua.
_ Venha por aqui. - e Minor os levou ao delegado.
Passado um tempo, e o Sol tendo nascido, as coisas se acalmaram.
_ Não entendo porque alguém faria isso com você.
_ Nem eu, meu querido. Não tenho nada, não tenho posses nem influência.
_ O que é isso? Por que está falando desse jeito?
_ De que jeito? - Kate perguntou num tom mais amargo.
_ Nada... devo ter imaginado algo. - Evan distraiu-se.

A semana seguiu. As investigações do homicídio de Andrew Bastor estava complexa. O assassino não havia deixado pista alguma de sua autoria, a não se o beijo na testa, mas seria muito difícil encontrar alguém com tal impressão de pele. A autoria era desconhecida.
Andrew era um homem muito rico e poderoso, possuia muitos amigos, e inimigos também.
Certa vez, Evan foi chamado novamente à delegacia, o delegado insistia em saber detalhes da vida de seu pai, e se tinha ciência de algum inimigo capital, ou da ocorrência de ameaças não registradas.
Inútil.
O que incomodava Evan, era o fato de o tenente Minor sempre estar ao seu lado, como se quisesse algo, Evan até desconfiou que o tenente poderia estar envolvido.
Quando Rodrigo Minor saiu da carvoraria fora por motivos de imprudência. Cometeu erro grave ao deixar cerca de quinze homens entrarem na zona de abastecimento, fora do horário permitido.
A conseqüência foi a morte dos quinze homens, todos esmagados por toneladas de carvão.
Evan achava estranho ter conseguido um emprego na polícia, mas lembrou que seu pai, certa vez, disse q pagaria sua dívida de alguma forma.
Casos a parte, Evan tinha suspeitas, ainda que antagônicas, sobre Minor.

No sábado, a galeria de Kate abriu a mostra de Munch. Os rostos que gritavam delizavam por paredes negras de forte impacto visual. Você poderia ser dotado de qualquer faculdade mental, mas naquela ocasião, com certeza todas estavam jogadas ao chão, tamanho caráter hipnótico das telas.
_ Kate. - acenou Evan.
_ Olá meu amor. - e o beijou profundamente no rosto.
_ Deixou uma marca em mim. - disse sorrindo.
_ Apenas um borrão de batom.
_ Seus lábios de maçã.
E ela sorriu.
Nisso alguém surgiu, um convidado surpresa.
_ Oh, Meu Deus! Não aguento mais ele. - desabafou.
_ Quem? - Kate procurou alguém que pudesse vizualizar.
_ O tenente Minor. Está aqui na exposição. Não olhe, vamos evitar que nos vejo.
_ Eu acho que~não funcionou.
_ O que?
_ Ele já nos viu. - e Kate acenou.
_ Por que está acenando? Quem é você? - perguntou de forma rude e grossa.
_ Como assim? - e gracejou.
_ O que a transformou nessa mulher tão longe dos pudores de uma mulher recatada?
_ Antes de tudo uma mulher. - afirmou.
_ A... a... - ele ficou sem palavras.
_ Olá, Evan. - cumprimentou o tenente.
_ Boa noite, Minor. - Evan falseou um sorriso e um aperto de mão. Bem como a conversa que se estendeu até o fim do evento.

Passava das duas da manhã, quando o último convidado, Minor, foi embora.
_Incrível como esse cara consegue ser inconveniente.
_ Só está fazendo o trabalho dele.
_ O trabalho dele é me seguir numa galeria de arte?
_ Não é óbvio para você?
_ Volto a perguntar? Por que está tão insinuosa?
_ Desculpe. Mas para mim é óbvio que estão te achando o maior suspeito da morte de seu pai.
_ Como ousa imaginar isso!?
_ Subestimei sua inteligência. Acredito que ela só venha com música.
_ O que está dizendo? Que sou cego? Burro?
_ Exatamente. - Kate colocou a mão sobre a cintura e seu vestido dobrou-se num ângulo perfeito, tornando sua silhueta incrivelmente esbelta.
Naquele instante, o tango do jantar, da noite do homicídio, voltou a tocar.
_ O que está fazendo Kate?
_ Dançando. - ela recontorcia-se sobre o próprio corpo e empinava os glúteos como se carregasse centenas de plumas sobre as costas.
Lenta e articulosamente, como em ardente paixão por si mesma.
_ Por que isso?
_ Estou sentindo a minha paixão fluir, Evan.
_ O que?
Aos poucos Kate tomou o salão, dançando como ele jamais sabia que ela poderia dançar.
_ E tenho paixão em mim. - parou e retirou seu vestido, ficando apenas com a parte debaixo da lingerie.
Evan desconcentrou-se com tamanha sensualidade.
Ela esticou os braços e com movimentos de retorno os dobrou contra o peito para abrí-los novamente como as asas de um grande pássaro.
Os seios firmes estavam sedosos, uma pinta no esquerdo ascendia os pensamentos de Evan.
Ao aproximar-se dele, Kate embrulhou seu rosto no pescoço dele, e fez o mesmo com o rapaz em seguida.
O tango conhecido chegava, novamente ao fim, e Kate andou até o bar. Jogando os cabelos para o lado encheu uma taça de champanhe. Tomou um gole longo e aproximou-se de Evan.

_ Beije-me.

Evan a beijou sem mais se importar com suas mudanças. O vulgar daquele momento havia se tornado em fascinante e sensual. Kate era magra, fina e elegante.

Após um beijo demorado, o batom de Kate havia borrado. Ela tomou outro gole de champanhe.

_ Kate, sabes me fazer sucumbir.

Ela sorriu.

Naquele instante, Evan olhou para a taça e viu a prova da maior de suas irresponsabilidades.

_ Lábios redondos... - surrou.

_ Não sou Kate.

Minor apareceu e acertou a cabeça de Evan com um pedaço de madeira.


Continua...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Taça - Parte 2


Quando Evan viu que seu pai estava morto perdeu os sentidos.

_ Pai! - o rapaz deixou-se cair ao corpo de Andrew e suspirou profundamente antes de deixar as lágrimas caírem por seu rosto.

Evan não estava conformado. A pequena poça de sangue migrava em volta do corpo, e o batom vermelho na testa do corpo indicava:

_ Lábios redondos, sem ondas, como laranjas. - Evan acariciou a testa de seu pai tentando encontrar o culpado pelo crime; depois fechou os olhos do pai.

A polícia chegou logo em seguida, o delegado colheu as provas locais, mas não conseguiu encontrar absolutamente nada. Ao que parecia ele tinha sido seguido, pois marcas fortes de pneu estavam próximas aos portões da casa, como se alguém tivesse arrancado dali.

Evan estava desolado, como se o tempo tivesse parado para ele. Não conseguia encontrar alguém que pudesse fazer aquilo com seu pai.

Eis que um dos policiais se aproximou.

_ Evan, certo?

_ Isso.

_ Vou ter que levá-lo para prestar depoimento na delegacia. Falar sua versão.

O tom do policial pareceu um pouco arrogante. Na camisa cinza estava escrito Tenente Minor, que depois Evan descobriu ser Rodrigo Minor, antigo funcionário da carvoraria que era chefe de segurança.

_ Claro. - consentiu com a condução à delegacia.

O depoimento foi frio do delegado, e o tenente sempre ficou ao gabinete acompanhando a versão de Evan. Era como um amigo da família. Intimidade que estava se dando, Evan nunca fora com a cara dele; era um homem ríspido e arrogante, aliás, continuava sendo.

Após a massacrante investida do delegado, que era um tanto jovem, cerca de 28 ou 29 anos, Evan foi dispensado e resolveu ir para um hotel, não aguentaria passar aquela noite à sombra do fantasma de seu pai.

Nisso, Minor chamou seu nome.

_ Evan!

_ Sim?

_ Lembra-se de mim, não?

_ Claro, o chefe de segurança da carvoraria.

_ Exato. Bem, sinto muito por seu pai; não tive a oportunidade de dizer isso.

_ Obrigado. - e virou-se para ir embora.

_ Hum.. - chamou-o novamente - Se precisar de algo, não sei, pode falar comigo. Vamos encontrar o assassino.

_ A. - e agradeceu com a cabeça.


No dia seguinte Kate acordou e foi animada para o trabalho, havia dormido muito bem por conta da noite anterior com Evan. No entanto, ele não foi à galeria no dia seguinte.

Preocupada, Kate tentou ligar o dia todo, mas não obteve sucesso.

Dois dias se passaram sem a notícia de Evan.


Numa quarta feira ele apareceu.

_ Evan! O que houve com você?! Por onde andou?

_ Sinto muito Kate. Meu pai foi assassinado.

_ Oh meu Deus!

_ Não colocaram no noticiário ainda, mas não sei por quanto tempo conseguirei abafar o caso.

O barulho da televisão incomodou o ouvido de Evan e a repórter dizia.

_ Faleceu a dois dias o grande empresário Andrew Bastor, dono da maior carvoraria do país...

_ Acho que não é mais segredo. - disse desapontado.

_ Mas o que aconteceu?

_ Ele foi ferido bala; e o assassino deixou um beijo sobre a testa dele. Uma marca de batom.

_ Uma mulher?

_ Tudo indica que sim. Lábios redondos.

Kate tocou os próprios lábios.

_ São muito diferentes dos seus; eram redondos, não tão ondulados.

Aquele dia foi de extrema nostalgia para ambos. A galeria ficava vazia durante a semana, e agitada às sextas e sábados com os diversos eventos promovidos.

_ Vai vir ao evento de sexta não é? Acho que importante você se distrair.

_ Vou tentar. Mas tenho que ir, os acionistas da empresa estão me enlouquecendo.

Evan foi-se.


Na quinta feira, Kate ficou sozinha na galeria; e foi ao entardecer para casa. Nisso um homem a abordou na entrada do prédio.

_ Com licença.

Kate virou-se e viu o punho encostar em seu rosto, com força tamanha que ela caiu para dentro novamente, já que não conseguiu trancar a porta.

Recobrando os sentidos tentou levantar e começou a correr por entre os fascinantes quadros e esculturas modernistas.

_ Socorro!

O homem vinha atrás com tranquilidade, enquanto ela gritava desesperadamente e corria sem rumo, já que os corredores da galeria poderiam enganar até o que os construiu, um labirinto praticamente.

_ Não tem para onde fugir!

Kate encostou-se em uma parede tentando ver onde poderia estar o homem que havia lhe atacado. Chorava muito e estava desesperada.

Em seguida, ouviu que a música ambiente havia sido ligada. Uma música em tango como na noite em que dançou com Evan, um tango malicioso e tenebroso e que lhe dava ainda mais pavor.

Assimilando que a sala de áudio estava longe correu tentando escapar para a rua.

Aos passos de Kate, os contrapassos de alguém a seguiam novamente, e pior corriam atrás dela.

A música a enfeitiçou de tal forma que via um grande borrão em seus olhos.

De repente, bateu de frente com uma cópia de Picasso, que foi desprendida do alto e jogada contra ela. Por trás uma mão cobriu-lhe o rosto e ela caiu com o homem.

Ao ponto do tango chegar ao fim, enquanto Kate se debatia uma mulher veio caminhando e estourou uma garrafa de espumante, colocando o líquido caótico no cristal sorriu.

Kate pode ver por um segundo o rosto da mulher, e em seguida gritou abafadamente com as mãos do homem corpulento sobre sua boca.

A mulher tomou a taça e bebeu daquele líquido; repousando a prova sobre uma mesa, e deixando seus lábios marcados novamente.


Lábios redondos, sem ondas como laranjas.


Continua...






domingo, 2 de novembro de 2008

A Taça - Parte 1


_ Táxi!


O automóvel parou e Kate pode fugir da chuva forte que começava a cair. Adentrou no veículo com seus Manolo vermelhos, entrelaçados com duas fitas de seda.

_ Avenida Dr. Corelli. The Spanish. - disse ao motorista.

Rapidamente o taxista pisou no acelerador, mas não conteve em espiar o rosto da jovem que estava no banco de trás. Os cabelos negros de Kate, com um tom um pouco chocolate nas pontas deslumbravam qualquer homem. Mas era uma mulher esperta.

Kate olhou para o espelho e acenando disse.

_ Tenho pressa. - e sorriu.

O motorista não mais olhou para ela.

Em pouco menos de quinze minutos havia chegado ao seu destino. The Spanish era um restaurante típico espanhol, como o próprio nome poderia sugerir. Kate havia marcado um encontro inusitado com um homem de seu trabalho.

Quem?

Evan Bastor, herdeiro do famoso Andrew Bastor, o rei do carvão.

Evan não era muito cogitado a assumir os negócios de seu pai, por isso se dedicava às artes como Kate o fazia. Juntos trabalhavam na Galeria de Arte Contemporânea de Los Angeles, aspirando a arte e transpirando modernismo e poesia.

_ Evan Bastor está me esperando. - disse à recepcionista.

Delicadamente, a jovem levou Kate à mesa onde Evan estava. Muito elegante para a ocasião e para o local, que implicava um tom 2% menos formal do que estava. A música ambiente em tom de tango e jazz lhe fez arfar os seios quando viu os lindos olhos verdes do rapaz.

_ Bela Kate.

_ Boa noite Evan.

_ Sente-se, gostaria de champanhe?

_ Não, um bom vinho, por favor.

_ Pinot Noir, por favor. - completou Evan.

_ Explendido.

As taças foram colocadas à mesa e a grande garrafa envolta em prata e gelo para deixá-los com as laringes frescas para um boa conversa.

_ Então, Evan. Qual a minha surpresa?

_ Você verá logo.

_ Não faça suspense. Sabe muito bem que detesto surpresas. - e sorriu em seguida.


Um pouco longe dali, o Dr. Andrew Bastor saia do escritória da carvoraria para retirar-se em seu lar. Estava cansado após um dia de discussões por conta das negociações com os angolanos.

Enfim, um dia cansativo que merecia repouso.

No entanto, ao sair com seu Porsche percebeu que um carro mais atrás havia acendido o farol, e começado a segui-lo.


As taças de Kate e Evan estalaram sobre os sorrisos do restaurante que estava ficando muito cheio. Kate levou o gole rapidamente aos lábios, deixando um beijo à beira.

_ Que beijo bonito o seu.

_ Como?

_ O toque de seus lábios que permaneceram à taça. Lábios como a onda de uma maçã.

_ Consegue focar tamanhos detalhes em minha boca, Evan?

_ Claro. Consigo focar muitas outras coisas. Inclusive o seu olhar para mim.

_ Faz apenas uma semana que nos conhecemos.

_ E não consigo parar de pensar em você.

Kate o olhou por um instante, estava com um olhar tímido, e baixou a cabeça sobre o ombro direito.

_ Vim lhe pedir algo, Kate.

_ O que?

_ Que seja minha.

Kate sorriu.

_ Mas você é meu chefe. O dono da galeria.

_ Não importa.

_ O seu pai não iria gostar disso.

_ Não me importo com ele. Quero você.

_ É essa sua surpresa? - perguntou tentando fazê-lo desistir.

_ Não. - e sorriu.

Kate permaneceu apreensiva, e Evan estalou os dedos para o garçom.

De repente, o baterista começou a retocar o ambiente com o violinista, e um soar de tango se apoçou do local.

Evan levantou-se e pediu a mão de Kate.

O sangue latino dela não negava que estava adorando e ao mesmo tempo envergonhada daquilo, e o corpo de Evan pedia que ela se levantasse.

_ Vamos dançar.

Evan segurou o braço de Kate e apoderou-se de seu corpo, a consumindo como o vinho que acabaram de tomar.

As pessoas do restaurante abriram espaço para os dois destruírem o local com tamanha sensualidade.

Os agudos de violino e o trompete se conjugavam para que os pés de cada um acompanhasse os movimentos. Kate foi suspendida para trás, tomando uma rosa de uma mesa. Evan pegou uma taça de vinho e a bebeu, beijando Kate posteriormente.

Ela mordeu os lábios e deu-lhe um tapa no rosto, que respondeu com um sorriso cafajeste.

Os aplausos se espalharam por toda a parte quando a banda do recinto finalizou; e os dois agradeceram.


O Porsche era perseguido, a essa altura, por um Audi A3 preto sem placa. O Dr. Andrew não sabia mais o que fazer, o Audi chegava muito perto e lhe batia tentando parar ou virar o carro.

Por muito tempo ele o perseguiu, até que não teve mais vista.

Chegou em casa e rapidamente fechou os portões. Entrou pelos fundos e ligou à polícia.

_ Acabo de sofrer uma perseguição temo que estejam atrás de mim ainda. - a ligação caiu - Alô? Alô?

Um barulho no andar de cima o fez tremer; afinal, seu filho não estava, e a mulher só voltaria do spa no dia seguinte.

Andrew foi subindo as escadas, e sacou o revólver de dentro do paletó.

Entrou em seu quarto, mas não havia nada ali. Quando retornou, foi surpreendido com um tiro na perna.

_ Ah! - e caiu ao chão, deixando o revólver se afastar.

_ Vim apenas deixar-lhe um beijo.

A mulher beijou a testa de Andrew, e deu-lhe um tiro no peito.

O milionário Bastor estava morto.


Kate esbarrou sem querer na taça de vinho e ela caiu sobre a mesa, manchando a toalha branca e rendada.

_ Oh! Droga. Como fui fazer isso?

_ Não se preocupe, madame. - disse o garçom recolhendo os cacos.

_ Bom, vamos indo. - apressou-se Evan.

Kate e Evan deixaram o restaurante. Ele a deixou em casa, e seguiu para a casa do pai; onde segundos depois viu que seu pai estava morto.


Lábios redondos sem ondas como as laranjas.


Continua...



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

As lágrimas que nunca chorei - Parte IV


Jane acreditou por todos os seus dias, estar livre daquilo que seria o amor cego; o amor que engana e que dói.

Mas, em verdade, nunca tinha tocado o verdadeiro amor. quando muito apaixonada, nunca tomou o homem de seus sonhos aos seus braços para dizer-lhe seu; nem jamais disse amá-lo e obteve a mesma resposta, com ainda maior força.

A cada semana, a cada lágrima que ainda derramava por suas infelicidades passadas, e até mesmo por rancores jamais correntes, ela se denegria numa dor que não tinha firmamento. Buscava saídas, portas para trancar, cobertas para se esconder.

E assim o fez. Foi deixada ao relento por prazeres desconhecidos, amores jamais esperados, e alegrias jamais sentidas.

Jane se sacrificou para ter uma vida pura sem sentimento. um auge de antipatia e monotonia que queria chegar. Entretanto, um coração tão grande seria dificilmente pego pelo vazio.

A perfeição batera sua porta, e ela pode sentir o calor dde um Sol, um abismo que culminava num lago azul.

Quando foi à festa de Christina, uma de suas amigas da faculdade, resolveu se soltar um pouco, e começou a conversar com pessoas novas e interessantes. Novos contatos, novas amizades, era disso que precisava.

Dentre todos esses estava André; um garoto muito legal, que estudava ciências da computação, e que estava apenas acompanhando um amigo.

Jane teve uma boa conversa com André; passou a chamá-lo de Dé. Trataram de tantos filmes e tantas coisas de infância, como desenhos e brincadeiras; coisas do passado que nos fazem rir, pois lembramos como éramos felizes com tão pouco. Quando um simples carrinho ou boneca nos fazia ser as pessoas mais felizes e poderosas do mundo.


Enfim, Da Infância e da Juventude, é tópico para outras histórias deste blog.


_ Mas onde está esse seu amigo; você veio acompanhá-lo, mas ele o deixou! Hahaha

_ Lá vem ele! Cristian!

_ E ai Dé? Aproveitando a festa?

_ Veja! Fiz uma nova amiga! Jane.

_ Olá Jane! - e olhou fixamente nos olhos da garota.

_ Olá! - e cumprimentaram-se com um beijo na face.

Cristian não era só um rosto bonito. Tinha um porte sedutor. Cabelos loiros à altura do pescoço; olhos azuis profundos, um nariz perfeitamente arrebitado, podia-se notar seu tórax rijo e seus braços fortes.

Jane não conseguiu satisfazer seu rancor, começou a sorrir para ele.

_ Você é linda. - disse Cristian.

_ O que está dizendo? Hahahaha - e ria, pois assim demonstrava estar envergonhada.

_ Por que ri?

_ Assim demonstro estar envergonha. Rs

_ Não deveria ter vergonha dessa verdade. É linda mesmo.

_ Você faz o que da vida? - tentou desconcertadamente mudar de assunto; antes que ficasse mais vermelha.

_ Sou engenheiro, tenho um escritório em Miami.

_ Puxa! Que legal! E o que faz aqui?

_ Vim para o aniversário de Christina... Minha prima.

_ Oooh! Não sabia! Cristian.. Christina! Cris! ahahahaha

_ Acho que ficou um pouco tonta com o champanhe.

_ De maneira alguma. Geralmente me solto assim.

_ Se soltar é bom!

_ Mas não tanto.

_ É linda, tem um papo ótimo, divertida; quase posso dizer que você é perfeita; basta estar fazendo faculdade e pensando num super futuro.

_ Estou... rsrsrs

_ Então a chamarei de perfeita.

_ Pare com isso. Hahahaha

_ Estou te deixando envergonhada de novo, não é?

_ Está.

_ Mas não devia, se não terei que beijá-la.

Cristian tomou o rosto dela com a mão esquerda, enquanto a direita segurava a taça de champanhe; levou seu queixo até seus lábios, e a fez sentir algo que jamais havia sentido; o doce sabor do éden.

Disso insurgiu um longo romance, que não cabe a mim saltear os pontos mais belos e doces.

Ele era um grande músico também, e fez algumas músicas para ela. De certo a distância atrapalhava um pouco, mas sempre que podia ele vinha, no meio da noite, abraçar-lhe na cama.

Quantas noites ela sentiu o doce aroma de Cristian em seus cabelos. Quantos sonhos teve com ele. Quantas noites pode sentir o tocar de seus dedos em seus seios. Isso rancor ou agonia alguma poderia vencer.

O coração de Jane floresceu como um campo infinito de rosas em meio ao deserto. Rosas de tão vermelhas que poderiam encendiar e conservar sua cor e perfume. Neste jardim Jane debruçou-se e sentiu cada suspiro de Cristian quando ele mergulhava em seus lábios.

Aquilo era um amor sem fronteiras, sem limites. Algo que não tinha fim; mas ressalta-se que aquilo que não tem fim, não chega a lugar algum.


Jane passou a ficar obcecada por Cristian, e ele por ela. Os dois tinham um amor que era maior que ao outro. Seus corpos não eram limites; suas almas não eram fronteiras. Tudo era maior e mais grandioso e maior e mais bonito e mais perfeito.

Eram como deuses em um Olimpo de flores e estrelas. Como maçãs que gotejam açúcar; como flores de baunilha que podem ser degustadas em meio a favos de mel.

Um dia ele a pediu em casamento, e a chamou para morarem juntos em Miami.

Ela aceitou. Aceitou o anel de noivado da costelação de Andrômeda, com brilhantes e rubis.

Queria ficar presa ao amor dele, como Andrômedo ficara presa às rochas por amor ao seu destino.

Em um mês a vida dela mudaria.

O amor era como uma rosa sem espinhos.

Um abismo que terminava num lago azul, onde poderia banhar-se.

Ela não o tirava da cabeça.

Os olhos dele mostravam que tudo era real.

E assim, ela era elevada até as estrelas.

Porque, um era a parte mais importante do outro.


Passado um mês ele viria. Mas um problema na empresa o fez exitar.

_ Preciso resolver umas coisas antes, Jane.

_ Tudo bem, mas resolva logo. - Jane sentia que algo ruim ia acontecer, mas prefiria confiar no seu amor do que no seu sentimento.

Aquilo que tinha já havia se tornado paixão; incalculável, intransigível, indomável.


Ele desapareceu por duas semanas e ela entrou em colapso nervoso.

Dias depois ele ligou.

_ Cristian! O que houve? Por que sumiu? Meu amor!!! O que está acontecendo??!!

_ Eu não vou te buscar... - estava embriagado.

_ O que??!

_ Eu trai você. Sou um idiota. Você não merece alguém como eu.

_ Eu não me importo de ter me traído! Preciso de você! Preciso de você!

_ Eu sou um nojento Jane. Você é perfeita.

_ Não! Não sou! O que houve? Você está bebendo?

_ Eu voltei a usar cocaína Jane. E to bêbado.

_ Você o que? - ela já tinha começado a chorar a muito tempo, mas as palavras foram tão pesadas que nem pronunciar mais nada ela conseguia; estava sucumbindo. Caiu ao chão.

_ Jane...

_ Cristian! Como pode fazer isso comigo?!

_ Eu sei... - ele chorava - Por isso estou fazendo isso. Te liguei para falar que não vou mais te ver. Que não vamos mais nos casar; e que você não merece um merda como eu.

_ Eu ajudo você! Vou tirar você das drogas. Mas pelo amor de Deus, não me deixe. Cristian, eu amo você. Amo do fundo da minha alma! Por Deus não me deixe aqui só!

_ Adeus Jane.

_ Cristian!!!!!

Ele desligou.


Jane ligou o chuveiro e sentou ao chão deixando a água cair em sua cabeça.

_ Por que? Por que as coisas são assim comigo? Por que eu não posso ser feliz?

Ela abraçou a si mesma e chorou por entre a água.

_ Por que estou num mundo com tanta gente e me sinto tão só. - ela puxava suas costas tentando achar conforto e sentir-se abraçada; tentando encontrar alguém que pudesse consolá-la.

Mas estava só. Naquele chão de pedra com água. Tentando se abraçar para não sucumbir ainda mais. Não aguentou e deitou ao chão. Secou-se e dormiu.

_ Meu Deus! Que ele volte para mim. Em seis meses que ele volte pra mim.


No dia seguinte ela estava destruída. Os olhos inchados, a pele fria e branca. Olhou para seu rosto no espelho e seus olhos ficaram vermelhos. Viu as fotos de seu amor espalhadas pelo chão e as recolheu em lágrimas.

Jane passou o dia pela casa chorando de canto em canto. Era um sábado e a família toda estava lá.

_ Jane o que houve minha filha? Você marou alguém? Roubou alguém? O que está acontecendo, pelo amor de Deus!?

_ Nada, me deixe em paz. - ela queria ser vista sofrendo, pois queria sofrer ainda mais. Estava se matando.

De noite a casa estava cheia, seus tios vinham para o jantar e seus primos também. Ao menos seu rosto estava melhor à mesa. Mas quando começaram a comer ela olhou para o rosto de cada um.

Seus tios felizes, sua irmã feliz, seus primos alegres sorrindo.

_ Por que ele não está aqui? - os olhos marejaram.

_ Você não vai chorar mais não é?! - gritou sua mãe.

Jane teve um colapso tão grande que não aguentou, começou a chorar extremamente forte, até seus pulmões não aguentarem mais; e caiu com o rosto sobre o prato de comida melando-se toda. A roupa, o cabelo, tudo. As lágrima se misturavam ao molho dos Filés Madeira.

Depois disso, foi pega pela irmã.

_Você não pode se entregar assim. Jane!

O pai dela nem sabia o que dizer, jamais havia visto tanta dor em sua filha.

_ Eu vou me arrumar. - disse Jane saindo da mesa.

O pai dela guardava algo dentro do armário da sala; algo que ela sabia. Algo que queria usar.

Viu os rostos olhando para ela; adentrou a sala. Seu pai desconfiou de algo e foi atrás.

Jane abriu o armário trancado, pegou o revólver 38 e enfiou na boca; mas seu pai deu-lhe um chute na cara, e Jane sucumbiu ao chão com dor pelo chute e pela facada que havia levado em seu coração.

Seus parentes ficaram todos à sua volta.

Pobre menina rica. Por que resolveram brincar com seu coração?

A cena deplorável foi de uma bela mulher com seus longos cabelos loiros já sujos, as unhas ruídas pelo nervoso, e os olhos apertados tentando chorar toda a água e a angusta de seu corpo.


MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.


_ Vim buscar você Jane! - disse Cristian ao chegar na faculdade de Jane.

Posso dizer que o casamento foi lindo; em Las Vegas como ele queria. As correntes da Andrômeda em seu dedo a amarraram a um amor perfeito.

Um amor sem limites que só poderia frutificar em mais e mais felicidade.

Algo que muitas pessoas morrem sem saber o que é. Mas ela sabe. Sempre soube.

Tiveram os anos mais felizes de sua vida; mas as empresas tiveram uma queda tempos depois.

E Jane pode descobrir que Cristian sempre se envolveu com aquilo que ela não gostava; mas era instável demais para seguir a vida inteira como a pessoa perfeita que demonstrava ser.

Cristian traiu Jane uma única vez; pois o amor dela fez com que ela o matasse.

Jane esfaqueou Cristian enquanto faziam amor; e a mulher com que ele a traiu, bom ela nunca a viu.

Por estar nos EUA e pela repercussão do crime, foi condenada à pena de morte; mas não sobreviveu para sentir essa dor. Não aguentou a outra dor de tê-lo perdido; de ter acabado com seu próprio sonho.

Jane se enforcou com os lençóis a cinco dias de sua execução.

MAS ESSAS FORAM AS LÁGRIMAS QUE NUNCA CHOREI.


Depois da partida de Cristian, ela começou a tentar se recuperar.

Cresceu muito com tudo o que aconteceu; e certa vez disse a ele que o final desta história seria feliz. E foi.

Pois, acima de tudo, ela aprendeu que não existem altos e baixos. Devemos escolher entre viver ou morrer. Todos os caminhos levavam à sua fraqueza mais profunda, pois ela não sabia viver.

A sua realidade, levou-a ao caminho certo.

Ela deve isso a todos estes da história. Todos pelo qual guarda um carinho enorme.

O coração de Jane renasce a cada novo amor que passa por seu caminho; todos disseram a ela.

_ Você nasceu para amar.

Cada amor que segue sua vida possui um lugar e um novo espaço dentro de sua alma.

E ela não pode culpar a ninguém, pois eles lhe ensinaram a viver.

E essas são lágrimas que precisamos chorar, de alegria, de tristeza, de dor ou de ódio.

Mas, sobretudo, quando as coisas derem certo nada mais importará; e essas serão as lágrimas que nunca chorei.





quinta-feira, 4 de setembro de 2008

As lágrima que nunca chorei - Parte III


Três meses depois dos últimos eventos, Jane já estava recuperada e, claro, sua beleza crescia a cada dia que não passava por um momento de dor.


Após tormentos vividos por amores incertos, que na verdade nunca saíram de sua mente, ela tentou revigorar sua vida e dar atenção a si mesma. Estava cursando uma exceçente faculdade, e seu futuro, dada sua inteligência com certeza era muito promissor.


E ela dizia tudo isso a si, a cada dia, irritando aos outros que viam uma garota forte, mas que estava fragilizada por dentro, criando barreiras para não se destruir.


Jane havia criado muralhas, mas o tesouro dentro dela era tão forte e grandioso, que as mulharas cediam de dentro para fora. E ela naum poderia fazer nada.


Certo dia conversando na faculdade, Jane e Lia marcaram de ir ao cinema. Há muito tempo não comparecia às longas sessões, nas quais prestava total atenção a cada ser pequeno e diminuto da escuridão. Os rostos, as expressões pela emoção do filme, a magia de adentrar uma história completamente, fechando seu mundo que não era feliz.


No entanto, naquele dia, ela reparou que não era a única observadora. Um rapaz da fileira ao lado, mais à frente, a olhava de tempos e tempos. Aparentava ser forte, tinha olhos claros e o cabelo um pouco cacheado.


A sensibilidade de Jane sempre foi a sua maior inimiga, e claro ela naum conseguiu deixar de corar, e retribuir aos olhares bondosos e interessados do rapaz.


Ao final do filme, ela saiu com a amiga, e foram comer algo.


Sentadas na praça de alimentação do shopping, notaram o mesmo homem que a estava olhando.


Estranhamente ele era um pouco mais bonito no escuro! Mas, Jane gostou de ser observada.


Um homem alto, vestindo um terno de risca de giz, como se tivesse saído do trabalho para passar algumas horas relaxando. Os olhos, ela confirmou serem verdes. Uma boca bonita, e os cabelos cacheados.


Lia foi ao banheiro e deixou Jane sozinha, para ver se o rapaz se aproximava dela. No ato da saída de seua amiga, Jane o viu se aproximar e parar à sua frente.


_ Posso me sentar?


_ A... A... Claro. - e sorriu envergonhada.


_ Não pude deixar de notar que passamos o filme inteiro nos olhando.


_ É mesmo? Mal percebi.


_ Qual foi o final do filme?


_ Hahaha - Jane gargalhou - Certo! Não sei! - e sorriu de novo.


_ Qual o seu nome?


_ Jane. E o seu?


_ Fernando.




Não cabe a mim repetir os momentos pelos quais os dois passaram. Isso é algo a ser dito em outro momento, quando não mais essas coisas importarem. Quando não mais "Fernando" for algo que habita o músculo cardíaco; e que as vezes sopra um fluxo de sangue, memorável claro, mas não novo.


Fernando era Vice Presidente de uma empresa de telecomunicações. Também traído pela vida, conseguiu milhares de ganhos profissionais, mas seu coração, ainda não havia encontrado o conforto que ele queria.


Por alguns meses, Jane proporcionou isso a ele. Ao menos ela acredita que tenha feito isso.


Acontece que por sua indisponibilidade de concorrer com a vida de um homem mais velho, e com uma indepedência invejável, ele se afastou dela.


Mas de forma tão sútil, que ela jamais levou facadas em seu peito. Ela não teve a angústia de ser pega de surpresa, e talvez ele tenha entendido que seria o melhor a fazer.


Fernando não mais a viu. E Jane chorou.




MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.




Certa vez, seus pais brigavam sobre Jane. Tentando encontrar um defeito numa garota que não os tinha; disseram que ela deveria se dedicar mais e mais.


Jane sucumbiu e pediu a Fernando que a tirasse de lá. Ele atendeu.


Ficaram juntos e cresceram. Eram jovens e muito inteligentes. Jane se formou; e conseguiu um excelente emprego; tinha o trabalho e o amor juntos.


Mas, ela havia se esquecido dos amores que sempre conquistou incondicionalmente. Afastou-se dos amigos, de sua família, e das lembranças. Havia se tornado uma executiva estressada, mecânica e sem pureza. Suas maçãs do rosto não mais reluziam primor; e ela tinha que maquiá-las para que pudessem brilhar.


Os casacos pretos e azul-marinhos eram a chama de sua vida. O poder e a vontade insubstituível de vencer e vencer até não saber onde chegar, haviam se tornado sua obsessão.




Um dia ela recebeu a notícia de que seu pai havia morrido de enfarte e que dias depois, sua mãe havia se matado por não ter como pagar aos credores. Jane nunca mais os havia ajudado, pois sempre guardou a mágoa de não deixarem-na viver.


Quando entrou no cemitério, viu parentes antigos. Pessoas simples que a olhavam como se fosse a Presidente; pessoas que amava nos tempos em que ainda tinha um coração.


Ao ver sua mãe embrulhada em rosas teve seu sentimento arrancado num choro de magnânima agonia, que caiu ao chão completamente arrasada.


A cena cruel, mostrou nitidamente o arrependimento daquela mulher que havia lutado tanto e não chegado a lugar algum. Jane havia esquecido de seus valores; largado todos eles ainda jovem, e partido sem dizer adeus.


Fernando não a acompanhou naquele dia.


Mas ela o viu quando chegou em casa. Deitado à cama com outra. Uma mulher jovem, com ares de menina, supostamente também fora enganada.


Enganada a uma vida coberta de poder que não lhe dava prazer algum. Enganada a uma vida sem misericórdia alguma.


Na reunião do dia seguinte, ela iria revelar sua emoção forte.

Uma reunião de 18 acionistas, dentre eles Fernando; ela, a única mulher, levantou-se:

_ Antes de começar a reunião do balanço anual gostaria de parabenizar o grupo que se mostra cada dia mais e mais forte. Os lucros são impressionantes, vão além das expectativas. Tudo isso mostra que fazemos uma grande equipe, isso eu tenho que confessar.

Decorre que todos esses anos vim me dedicando imensamente; só não sabia que chegaria tão longe.

_ Você merece, Jane! - disse Fernando.

_ Todos merecemos. E, com certeza, devo muito a meu amado Fernando.

Entretanto, tenho a declarar que não mais vou trabalhar aqui.

_ O que?

_ Como?

_ O que houve!?

Todos estavam inquietos. Não sabiam o motivo de tamanha decisão.

_ Não darei explicações maiores sobre minha saída. Mas estou cansada. Estou realmente cansada de não ter a minha vida mais; de trabalhar intensamente sem levar em conta os meus sentimentos. Eu não sei mais quem sou!

_ O que será de nós?

_ Vocês tem a Fernando. Um homem leal; ao menos à sua empresa, porque à sua mulher com certeza não o é!

_ Do que está falando Jane?!

_ Da sua transa de ontem a noite? Qual o nome dela? Ou ela usa um a cada programa?

O silêncio foi absoluto.

_ Apenas digo adeus a todo o grupo. Esses anos foram demais para mim.

Jane saiu da sala.

O alvoroço começou, e Fernando saiu correndo atrás dela.

_ Por que está fazendo isso?!

_ Por que?! Por que??? Você não precisa de mim! Nunca precisou! Dediquei minha vida toda a você! E quando passo por uma crise o encontro me traindo!

_ Aquilo não foi nada.

_ Foi! Foi muito!

As pessoas se aproximavam para ver o que acontecia.

_ Ótimo! Destrua o restante que lhe resta! Sra. Perfeição! Não passa de uma mulher angustiada.

_ Não sou isso. Você que é um maldito monstro que me fez abandonar toda a minha família. Toda a minha vida!

_ E agora está jogando tudo isso na minha cara?

_ Estou! Porque eu era jovem demais e você deveria agir como um homem da sua idade, e fazer o que seria certo.

_ E eu fiz. Te tirei daquele inferno!

_ Aquele inferno era melhor que você!

_ Pois então volte para aquela merda de vida! Sua louca! ... Vagabunda! - e deu um tapa no rosto de Jane.

Jane parou deslocada.

_ Meus pais morreram. Só há um jeito de voltar.

Jane começou a caminhar pelos corredores de volta à sala de reuniões.

_ O que? - perguntou Fernando.

Jane começou a correr e abriu subtamente a porta da sala. Os demais acionistas continuavam discutindo, quando sentiram o tremor da porta bater nas paredes. Os sapatos de Jane subiram à mesa.

_ Jaaaaaaaane! - gritou Fernando correndo atrás dela.

O final da mesa terminava numa grande janela de vidro. Estavam no vigésimo quarto andar.

O corpo de Jane bateu de frente com o vidro que se estilhaçou. Em doze segundos seu corpo encontrou o solo. Ela ainda teve tempo de gritar.

MAS ESSAS SÃO AS LÁGRIMAS QUE NUNCA CHOREI


_ Você não pode morar comigo. - disse Fernando.

O amor dos dois foi se extinguindo naturalmente. Coisas não aconteceram. Mas finalmente havia tido alguma relação. Seu amor não foi tão cultivado, mas sabia o que era conviver com um homem.

Jane só precisava aprender a como amar alguém.


Continua...



terça-feira, 12 de agosto de 2008

As lágrimas que nunca chorei - Parte II


No dia seguinte, Jane saiu de casa para ir ao colégio.


A visão da noite passada, um tanto atormentadora, não tinha sido real. Tudo foi apenas um sonho, e ela passou a repensar sua vida. Assim como havia se apaixonado por Tom, seu amor se desfez rapidamente. Como que elevada por anjos, Jane passou a se concentrar em tudo aquilo que quase havia perdido: seus amigos, seus pais e, principalmente, seus estudos.


Jane agia como se tivesse em seu sonho; e tentando não deixar escapar tamanhos tesouros passou a se dedicar em dobro.


Numa terça feira ela se aproximou da mesa da professora de Matemática, Rose e disse com ar de desapontamento:


_ Sinto muito por decepcioná-la. - e deixou cair uma lágrima de seu rosto.


Rose sorriu espontaneamente, com ar de preocupação.


_ O que houve, Jane?


_ Nada, professora. Só queria que soubesse que a admiro muito e que estou decidida a estudar muito.


_ Mas você é a melhor aluna do colégio, Jane.


A garota virou-se e Rose não entendeu absolutamente nada do que aconteceu; mas enfim, tolerou.


Na volta para casa, Jane descia a rua quando o carro de Tom passou ao seu lado. Por um segundo ela sentiu a amargura dentro de seu pescoço; e um ardor incômodo no nariz. Sentiu seus olhos regarem, mas prefiriu continuar caminhando. Secou os olhos e entrou em casa. Tom não estava na rua, já havia se escondido no interior da casa, e realmente ela não queria vê-lo, precisava arrancá-lo de seu coração. Custe o que custar.


A vida de Jane seguiu a diante até que chegou ao terceiro colegial.


A essa época, já com 17 anos; Jane havia se tornado uma jovem muito bela. Os cabelos loiros compridos, a pele branca e sedosa, as bochechas rosadas e cintilantes, os lábios carnudos.


Era uma espécie de objeto de desejo de alguns, mas a maioria não gostava muito dela. A achavam metida, uma cdf que gostava de tirar notas boas e se mostrar com elas. A queridinha dos professores. A mais perfeita do colégio, que não media as palavras quando alguém ousava lhe zombar.


Esse ano foi um pouco difícil para Jane, apesar de ter superado o pesadelo que teve com Tom, tinha que vê-lo praticamente todos os dias, afinal moravam frente a frente, e seu quarto era virado para a casa dele. Além disso, estava se preparando para o vestibular e queria muito cursar Direito numa faculdade pública, a melhor em sua concepção. Todos os seus esforços tinham se voltado a isso, e ela acabou tendo que conciliar horas de estudo com horas de trabalho no colégio.


Mas, intrigante era o fato que havia se esquecido de algo. De seu coração.




Quando acordou no hospital relembrando de fatos que nunca aconteceram percebeu que deveria expor os fatos de sua vida tal como imaginaria ser; e por isso prometeu a si que o escreveria. Colocaria num livro todos os seus sonhos; desencadearia formas de amor que vão além da vida; e quem sabe, um dia poderia ter um fim onde não restariam lágrima de dor, mas apenas de felicidade.




_ Passei! - gritou Jane extasiada ao ver que havia passado na faculdade.


Bem, não havia sido a de seus sonhos, mas era também extremamente respeitada faculdade de Direito; e sabia que podia construir um futuro brilhante por lá.


As adaptações àquele novo ambiente foram drásticas; pessoas muito bem vestidas, rostos bonitos e diferentes, um lugar que despertou emoções fortes em Jane, que se viu encorajada a mudar seus modos para se enquadrar.


A primeira e desconcertante semana foi seu ponto de intersecção mais precoce e ela resolveu mudar de vez.




Segunda feira Jane saiu de casa às 6:30 da manhã. Tom estava saindo junto e parou para admirar a jovem com sandálias lilás, saia curta rodada creme, blusa decotada em U lilás, os cabelos loiros soltos e com mechas um tom mais claras; rímel aos olhos, rosa claro aos lábios; uma corrente de ouro entrelaçado; e uma bolsa a la Dior. As maçãs rosadas.


_ O que é essa menina?


Jane nem ao menos olhou para Tom, entrou no carro sport de seu pai e foi para a faculdade.




Sua segunda semana de aula fez os demais perceberem-na, mas ela também começou a notar muitos que lhe interessavam.


Jane, tímida que era, estava começando a virar uma galante garota, com um ar exótico de menina inocente. Uma flor por desabrochar.


Já tinha feito amigas, as mais belas de sua sala, claro.


Durante o intervalo, eis que seus cabelos flutuaram perante seus olhos; e a imagem daquele rapaz deslumbrou seus olhos.

O jovem, de nome desconhecido tinha bochechas rosadas como as dela; e usava uma linda camiseta branca, gola V, profunda a ponto de chegar ao centro de seu peito. Estava deslumbrante, uma calça jeans apertada mostrava glúteos arredondados; e seus cabelos castanhos-claros, um pouco cacheados recaíam sobre suas orelhas e lhe faziam ter um ar europeu. A pele era branca e Jane podia sentir seu perfume à distância.


Ela não obteve sinais do envolvimento dele, mas passou a reparar cada vez mais que certas vezes olhares do rapaz eram lançados a ela.


E assim começou um jogo de olhares que demoraria para acabar. Jane flertou com aquele rapaz durante cerca de um mês até descobrir seu nome, Marco. Era judeu e vindo de uma família abastada, da qual imaginava nunca fazer parte; apesar de desejá-lo como nunca.


Certa vez, e aqui temos nosso ponto x; ela esperava pelas amigas na porta da faculdade, eis que ele apareceu, vindo em sua direção, mas sabia que ele estava indo ao estacionamento.


Marco olhou no fundo dos olhos de Jane e passou ao seu lado revirando a cabeça, como se seus olhos e os dela estivessem conectados, algemados, ligados e inseparáveis.


Depois daquilo ela o viu sorrir, e, então, sorriu para ele.


Naquela sexta feira Jane ficou extasiada e extremamente feliz. Passou o final de semana atrás de maneiras de fazer com que ele viesse até ela para que pudessem conversar.


Eis que chegou segunda, e ela não havia encontrado uma maneira sequer. Estava brava por sua falta de atitude; e no refeitório resolveu pedir duas rosquinhas de chocolate para que pudesse afogar seus sentimentos frustrados; claro com muita Coca-Cola para acompanhar!


_ Quero ficar gorda de raiva! - e virou-se.


A imagem foi de Marco à sua frente, olhando com cara de riso para aquela bela menina, muito magra e com dois pacotes repletos de chocolate, uma Coca Cola nas mãos e o canudo na boca; que, aliás, caiu quando ela olhou para ele.


_ Isso tudo é pra você? Haha - e riu.


_ É sim, tenho que me alimentar.


_ Tem mesmo, se não vai acabar sumindo...


_ O que?! - perguntou com ar de piada.


_ Nada! Acalme-se, só estou brincando. - e sorriu novamente.


Ela olhou para ele disse:


_ Sou Jane.


_ Marco. - disse e deu-lhe um beijo no rosto, já que não podia segurar suas mãos que estavam ocupadas com tanta comida.


As bochechas de Jane ficaram tão vermelhas que ela nem sequer pode olhar para o rosto dele. Mas ele não esperou, já continuou a falar.


_ Suas maçãs também ficam rosadas.


_ Sim. - e sorriu abertamente.


_ Marco! - gritou um amigo do rapaz o chamando para sentar-se à mesa.


_ Bom tenho que ir lá. Té mais.


_ Até. - disse Jane brevemente.


Um lindo começo para esses dois, e eu poderia dizer que daí nasceu um romance. Mas infelizmente, os dias seguintes não foram tão produtivos quanto Jane esperava. Marco acabou descobrindo sobre a família de Jane, que não era tão rica quanto a dele; além do que, ela não era judia, e sua mãe jamais aceitaria um namoro com uma cristã.


Jane acabou sabendo disso, não só com o desprezo dele, mas também com comentários em sua sala, de que ela estaria apaixonada por aquele garoto, mas que jamais conseguiria nada dele. Como uma menina extremamente metida de sua sala disse.


Jane sofreu.


MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.


Marco se aproximou e raspou no corpo de Jane a olhando fixamente enquanto ela estava na rua.


Ele foi andando e olhou para trás sorrindo. Ao ver que Jane retribuiu o sorriso Marco voltou.


_ Oi.


_ Oi. - Jane não conseguia parar de sorrir.


Acredito terem bastado essas palavras, afinal nos últimos tempos os dois já se conheciam muito bem, pois trocavam olhares misteriosos e insinuantes o tempo todo, e estava estudando lado a lado.


Marco passou as mãos pelo rosto de Jane e segurou-lhe o queixo. As maçãs vermelhas quase tomaram seus rostos, e sentiu-se o açúcar de um beijo tão puro e macio que ela não se conteve em apoiar seus seios no peito de Marco.


Começava um romance que obteve frutos magníficos.


No entanto, esse futuro incerto de Jane tinha lá suas contas a pagar.


Quando descobriu do namoro, a mãe de Marco praticamente o deserdou, e ele colocou grande parte da culpa em Jane. A garota ficou impressionada tamanho o egoísmo e decaiu novamente.


Seus soluços eram ouvidos de longe quando ela correu pelos corredores da faculdade. Os olhos em lágrimas, recheados de tristeza.


_ A culpa é toda sua! - ouviu ele gritar.


Após uma longa conversa a mãe judia resolver tentar aceitar. A venceria pelo cansaço.


Lara, mãe de Marco, convidou Jane para todas as festas da alta sociedade, menos claro, às festas judias, já que sua presença poderia comprometer a imagem ortodoxa da família.


Jane ficava exausta e não tinha mais roupas para usar em tantos jantares, eis que um dia recusou.


_ Não posso ir Lara. Me sinto um pouco cansada.


_ Isso não é desculpa! Quero você lá hoje!


Lara sabia que teria que agir naquele dia.


Jane, que não vinha passando muito bem com a situação que enfrentava, estava exausta pelas provas que haviam se passado.


_ Marco! Seu tio Frank quer vê-lo.


_ Marco! A embaixatriz da Noruega quer vê-lo.


_ Marco! Sir Donald Bistchainter quer vê-lo.


_ Marco! Cumprimente sua prima. Eliza!


E L I Z A


Tal palavra ecôou na cabeça de Jane como facadas em seu estômago. Ela conhecia Eliza, ao menos as histórias de seu namoro com Marco quando eram mais jovens. Ele até havia formalizado um noivado.


Quando a viu, Jane teve suas facadas servidas em dobro; então arremessou-as com uma taça de champanhe bem gelado.


Eliza não era apenas uma mulher. Era deslumbrante, Condessa Elizabeth Knolps. Alguém de grande prestígio na família. Tinha cabelos loiros formosíssimos, pele completamente branca e sedosa; dentes cristalinos e muito brancos; olhos azuis perfurantes como foices e um aroma de baunilha impossível de ser enjoativo. Além do que usava um Dior vermelho com duas rosas de cetim; num corte provocante, desde a fenda da perna até o robusto decote.


_ Você deve ser Jane. - disse com um sotaque que lembrava o alemão; mas sem decoro algum.


_ Sim, é um prazer conhecê-la Elizabeth.


_ Eliza... - e puxando a mão de volta, sorrindo, disse entre os dentes - Claro que é.


Marco ficou completamente desconcertado com a figura de Eliza, que parecia uma rainha ou deusa.


Jane foi desprezada o resto da festa, e sabia que suas olheiras não eram comparáveis àquele modelo feminino de beleza e elegância.


Lara disse:


_ Leve Eliza para casa; eu vou com Jane.


_ Mas...


_ Obedeça! - disse severamente.


_ Vamos juntas querida. - disse Lara jogando Jane para dentro da limousine.


_ O que há com a senhora?! - perguntou Jane já com raiva.


Lara a todo momento olhou para frente, e não ia encontrar os olhos de Jane nunca mais.


_ Acontece que estou incomodada com sua presença em minha família. Tenho deveres a cumprir com Marco, casar-lhe com uma mulher de bem; dar-lhe um patrimônio e uma cultura exemplar estão dentre os quesitos. Portanto, não tenho o que discutir com você. Apenas estou ordenando que se afaste dele enquanto pode, porque eu também farei com que ele se afaste de você; e apesar de saber que ele a ama, quero que ele sofra o bastante para odiá-la. Enfim, já que chegamos perto de uma avenida e o carro de Marco e Eliza não está por perto, creio que você possa pegar seus trapos e retirar-se daqui, indo a pé para casa, colocando-se á altura do que você está... da rua. É só.


Jane saiu do carro. A limousine avançou e foi-se.


No dia seguinte, na faculdade, Marco não falou com Jane.


E pelas semanas seguintes eles não mais conversaram.


Dois meses depois, Jane estava entrando numa depressão tão profunda quanto um poço.


_ Jane! Você não pode ficar assim! - disse Gabriela, uma das amigas de Jane - Você precisa sair um pouco! Já sei vamos ao shopping!


Apesar de Jane resistir, acabou indo ao final da tarde.


No entanto, Jane passou mal ao olhar para uma loja de noivas. Aqueles vestidos brancos tão magníficos, tão puros. Ela abriu um sorriso, mas seus olhos se encheram de lágrimas.


_ Jane! Pare de chorar!


_ O que? - Jane olhou fixamente para o interior da loja - Não!!!


Quando Gabriela olhou, Marco e a formidável Eliza estavam lá dentro. Eliza com um estonteante vestido champanhe enxarcado de pérolas; movimentava sua cintura finíssima; enquanto Marco envolvia seus braços nela e a beijava.


A esse ponto, Jane já havia derramado lágrimas demais a ponto de chamar a atenção das vendedoras da loja.


_ O que aquela menina está fazendo?


Marco olhou para a vitrine e viu Jane do lado de fora afogando-se em uma dor incalculável.


_ Jane?


_ Veja só! A pobretona! - gritou Eliza, com ar de deboche e escárnio.


Jane afastou-se; olhou para o chão e para Marco; depois olhou para trás.


_ Jane! - gritou Marco com os olhos marejados. Gotas salgadas caíam do cálice.


Ela olhou para trás novamente e viu a queda das sacadas do shopping, como estava no 4 andar; tinha muitos metros de queda; na qual evidenciou se apossar.


Jane saiu correndo, e muito tarde despertou o medo e o instinto das pessoas.


Uma mulher jogou 4 sacolas Gucci e sua bolsa ao longe, tentando correr em seus saltos agulha para amparar a menina que corria em direção do vazio.


Marco saiu da loja desesperado gritando pelo nome dela. Suas bochechas não eram tão vermelhas quanto seus olhos.


_ Jaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaane!


Ela saltou.


A mulher dos saltos agulha caiu.


Uma multidão se concentrou envolta da grande sacada.


Uma multidão gritou ao ver o corpo.


Jane, mais uma vez se destruiu.


MAS ESSAS SÃO LÁGRIMAS QUE NUNCA CHOREI


Jane se recuperou do desprezo de Marco, afinal, nem tinham começado nada.


Resolveu se dedicar aos estudos, pois anos atrás já havia errado com outro homem; não poderia errar de novo.


Mas... errar é humano.


(Continua)








segunda-feira, 14 de julho de 2008

As lágrimas que nunca chorei - Parte I


Vamos concertar os erros.



Existem manchas no meu passado que muitas vezes não me permitem seguir em frente.



Eu só queria poder suspirar e acreditar que se eu não tivesse chorado tanto em realidade, talvez eu tivesse chorado da mesma forma, por não ter um futuro feliz.



Vou voltar. Pela última vez.






Jane era doce e feliz, uma bela adolescente de 13 anos que tinha poucas pretensões, era aplicada, estudiosa, mas possuía sentimentos frágeis. Facilmente era manipulada pelos que estavam ao seu redor. Deixava-se valer da piedade e da pena para com os outros. Então, tentava ajudar.



Foi tão caridosa com aqueles ao seu redor, que na maioria das vezes percebeu que precisava ajudar a si mesma.



Enfim, num dia frio, pouco antes de sair de casa para ver sua avó no hospital, ela o viu. Saindo de casa, aquele belo rapaz de cabelos castanhos, olhos morados, pele fina, branca e maxilares largos. Praticamente definhou ao apreciar sua beleza. Naquele momento nem mesmo lembrou-se de sua bondosa avó; e das canções que ela trazia, do abraço que ela tinha e dos beijos que ela lhe proporcionou.



E o mais estranho era que o belo rapaz era um vizinho, alguém que ela já tinha visto diversas vezes, mas que nunca conseguiu se quer trocar uma palavra.



Seu nome era Tom; e se já não fora suficiente, era muito parecido com Tom Cruise. Ao que se vê, a jovem de 13 anos havia se apaixonado à milésima vista, mas não por um garoto e sim por um homem; ele já carregava 26 anos.



Naquele dia, o abraço de sua avó, apesar de terno e quente, não fora totalmente satisfatório para ela. Queria mais que tudo isso.



Foi embora para casa, e ficou em sua janela à espreita do rapaz que tanto gostara instantaneamente. Mas ele não chegou naquele dia; tinha conhecimento de sua fama de mulherengo. E constantemente o via chegar com uma asquerosa em saltos, uma diferente a cada dia. Era um pervertido, mas ela via algo de bom nele; algo que nem ele mesmo sabia ser.



No dia seguinte, quando estava indo para o colégio o viu sair para o trabalho, não tinha ouvido quando chegou de noite, mas desajeitadamente o cumprimentou com um aceno, que lhe foi retribuído.



Mas, não como pretendia, a mente de Jane incidia que ele estava sendo simpático, mas ele apenas comentou.



_ Pirralha.



Jane nunca soube do insulto daquele dia; mas a cada momento que conseguia, lhe cumprimentava. Certa vez se atreveu a dizer um "oi", e conseguiu uma boa resposta.



_ Como você está?



_ Tudo bem, obrigada.



Mas as conversas não seguiram mais que isso. E por dois anos as coisas não mudaram.



Quando ela completou 15 anos, o seu sentimento por Tom não tinha desaparecido, apenas aumentado, e ela resolveu começar a agir. Foi até sua casa e o convidou para sua festa de aniversário. Que não seria repleta de crianças.



Jane não era muito desenvolvida, mas suas amigas eram. Todas com um grande rol de relacionamentos, uma até já havia feito sexo. E as demais, no mínimo, não viam a hora. Jane era diferente, queria amor. Queria banhos intermináveis em meio a rosas. Deitar-se junto para poder saborear beijos infinitos e distintos, cada qual com sua supremacia e doce sabor.



Ela fantaseou muito com Tom. Mas teve sua grande decepção quando ele não compareceu.



Os 15 anos de Jane foram tristes, e ela apenas chorou até o dia seguinte.






Passaram-se duas semanas e ela não viu Tom, apenas sonhou em um dia ele bater à sua porta, ou subir a sua janela e pedir para que fugisse com ele.



Isso também não ocorreu.






Após esse tempo, algo estranho aconteceu.



Ela estava voltando da escola a pé, e o carro de Tom parou ao seu lado.



_ Olá Jane!



_ Olá! - disse com um sorriso gigantesco.



_ Quer uma carona?



_ Aceito. - e subiu no carro.



_ Como foi no colégio?



_ Muito bem, estou em provas, já recebi algumas.



_ E você é uma boa aluna?



_ Sou. - e gargalhou - Tirei 10 em tudo.

Ele sorriu e disse:

_ Bem. Chegamos.



_ Obrigada pela carona. Até mais.



_ Tchau Jane.



E apenas sorriram um para o outro, sem ao menos haver um beijo sequer.



Foi simples e rápido, mas significou praticamente tudo para Jane.



_ Vou conversar com ele! - gritou para si mesma.

Ao entrar em casa, fechou a porta e começou a gargalhar. Estava tão animada com as melhoras na relação secreta que tinha com ele dentro de seu coração, que não hesitou em subir correndo para seu quarto e ligar o rádio no último volume. Exatamente, queria mais é que ele ouvisse a música.


Qual? Àquele tempo uma nova banda começava a fazer grande sucesso, se chamava The Calling, e o hit, Wherever you will go. Seus pulmões soltavam o máximo de ar para explodirem suas cordas naquela canção. E como por um ato de magia, ela sentia o corpo de Tom em seu quarto; e abraçar-lhe por trás, para dar-lhe um beijo no rosto.

Como se não bastasse de romantismo, colocou Goo Goo Dolls - Black Ballon; mais um vigor profundo de paixão e felicidade tomou conta de suas veias e fez sua voz levitar por entre seus lábios.

Depois de exausta com tamanha alegria, jogou-se na cama sorrindo muito, e imaginando o que faria para se declarar para ele. E o mais importante, pensando o que ele faria quando soubesse.

_ Vai me pegar em seus braços fortes e me beijar até eu não conseguir mais respirar. Vou ficar tonta só de pensar nesse momento. Hahahaha - estava feliz demais.


No dia seguinte, Jane estava pronta, havia bolado cada palavra que diria a ele. Foi para a escola e estava ansiosa para encontrá-lo assim que chegasse.

Por volta do 12:30 daquela quarta feira, Jane descia a rua de sua casa, quando viu o carro de Tom estacionado no portão dele. Foi até lá e tocou a campainha.

_ Sim?

_ Oi Tom, sou eu Jane. Podemos conversar? - ela disse gaguejando um pouco.

_ Claro.

Tom abriu o portão e Jane entrou. Não havia como ser descoberta já que naquele horário ninguém se encontrava em sua casa.

_ E então o que você quer?

_ Vou direto ao assunto. Quero te falar que... eu te amo. - e se aproximou como que para beijá-lo.

Ele ficou perplexo por alguns segundos e depois riu em deboxe.

_ O que?

Ela se desmoronou.

_ Eu.. eu..

_ Você é apenas uma criança Jane. Eu respeito seus sentimentos, mas...

_ Mas eu te amo!! - e começou a chorar.

_ Não ama! Saia daqui, por favor. Vão acabar me acusando de pedofilia por causa disso.

_ Não Tom! - e bateu em seu peito.

_ Eu não quero falar com você. Quero que você saia. - disse ríspido e frio olhando brutalmente para o rosto desmanchado de Jane.

Ela foi para a rua, e ele simplesmente disse:

_ Adeus. - e bateu o portão.

Jane ficou parada por alguns instantes na calçada, até que viu o vigia da rua descer em sua moto, e tentou disfarçar; simplesmente acenou ao homem, baixou a cabeça e entrou em sua casa.

Quando a porta fechou seu mundo começou a cair.

Ela embrulhou o rosto em seus cobertores e se jogou na cama para tentar fazer aquela dor parar. Seu coração jorrava sangue para seu rosto que ficava cada vez mais quente e vermelho. O som dos soluços era forte e doloroso, qualquer um poderia sentir de longe a amargura que ela estava vivendo.

Sem perceber Jane dormiu.

Ao acordar já era noite; e ela estava jogada no chão de seu quarto.

Jane levantou-se, agora sem lágrimas. E abriu a porta de seu quarto. Seus pais ainda não tinham chegado, e ela foi ao banheiro. Lá escovou os dentes, jogou uma ducha fria sobre a pele suada e inchada de seu rosto; colocou sua camisola rosa e debruçou um pouco sobre a pia para olhar seu rosto.

_ Será que não sou bonita?

_ Será que nunca alguém vai me querer?

_ Por que ele me tratou assim? - e deu um suspiro, como se fosse voltar a chorar.

_ Tenho que ser forte.

No entanto, ao olhar para o lado viu a caixa de remédios de seu pai, que era hipertenso, e possuia diversos problemas cardiovasculares. Abriu a caixa e se deparou com um remédio: Cardilol; que já ouvira dizer pelo médico que era um tanto forte. Seu pai tomava um por dia.

Sem pensar, Jane pegou uma cartela e foi destacando um, cinco, quinze comprimidos.

_ Eu queria ser forte.

Colocou todos os comprimidos na boca, e os engoliu com muita água.

_ Mas não sou.

Olhou para seu rosto no espelho com muito desprezo, como se olhasse para Tom. Como se estivesse com nojo de si mesma.

Delicadamente voltou para sua cama e rezou.


MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.


Quando Jane tocou a campainha de Tom ele perguntou.

_Sim?

_ Olá Tom, sou eu Jane.

_ Oi Jane, pode entrar.

Jane entrou e eles se beijaram no rosto.

_ Tenho algo que preciso lhe contar Tom.

_É, eu também.

_ O que?

_ Preciso lhe falar Jane, que esses dias ando pesando em você.

_ Sério?

_ Sim.

_ Eu também.

_ Estava com medo de falar algo para você... mas é que algo está crescendo em mim, que eu não consigo muito bem compreender. Quer dizer você é tão nova... - ela tocou seus lábios e pediu para que se cala-se.

_ Shhh. - Jane se aproximou e beijou Tom.

O calor do corpo dos dois foi tamanho que seus corpos colaram. Jane pode sentir a excitação dele, e não manteve pudores em fazer beijos mais quentes e ousados. A respiração dos dois se tornou uma só. E ali mesmo na sala, Tom jogou aquela garota de 15 anos no sofá; retirou sua camisa; e ali passaram uma tarde inteira juntos.

Os dois não fizeram o amor que Jane um dia sonhou. Mas foi a realização de um sonho erótico. Tom em seus sonhos era um homem bondoso, mas também poderia ser um homem ardente.

Depois disso, foram para o banho. A água quente caindo sobre suas cabeças, e o corpo de Jane suspenso pelos braços fortes de Tom, a fizeram sentir um amor jamais esperimentado. Algo que a elevou até os prumos do teto; como se quisesse tocar as nuvens e os anjos.

Pode-se dizer que namoraram naquele dia. E que Jane foi muito feliz.

Mas essa felicidade não era pra ter acontecido. Jane começou a viver em função dele, não se dedicava mais aos estudos, e começou a ir muito mal nas provas. Seus pais tentando saber o que estava acontecendo perguntaram às amigas o que de novo atormentava a filha.

Infelizmente tal fato foi letal; e o pai de Jane descobriu q sua filha namorava um homem muito mais velho.

Como um pai cauteloso demais, prendeu sua filha em casa por uma semana, a mandando para um internato dias seguintes.

Jane nunca mais viu Tom, e nem teve como se despedir.

Mas da última visão se lembra. O viu chegar em casa, com uma loira espetacularmente linda.


Ela se sentiu a pessoa mais infeliz do mundo.


No internato a que fora mandada, no norte da Espanha, as regras eram firmes e duras. Mas Jane gostava de ficar olhando para a costa da Baía de Biscaia. Naquele cenário, via-se deslumbrada com o mar, e que tudo poderia ser diferente, se jamais tivesse se relacionado com Tom.

Jane ficou no internato por cerca de 3 anos. A cada dia chorou por aquele homem, por amor. E chorou por seu pai, por ódio.

Mas, pela vontade de seu pai, que nunca fora com a cara do vizinho, ela teria feito sua vida pela Espanha. Mas, ao término do inverno, quando as flores começaram a desabrochar; Jane entregou-se à costa do mar, se atirando de um precipício, e fazendo das águas seu túmulo de dor.


MAS ESSAS SÃO AS LÁGRIMAS QUE ELA NUNCA CHOROU


Quando Jane acordou no dia seguinte, tinha tido uma reação forte dos quinze comprimidos do Cardilol, vomitou o dia inteiro, teve uma febre alta, mas seus pais apenas desconfiaram de uma pequena virose. Deus não queria que ela partisse agora.

Por que, seu caminho não era a morte. A morte estava entrelaçada no homem que a rejeitou. E ela deveria seguir em frente para continuar a viver.


Continua...








terça-feira, 24 de junho de 2008

A Ira de Morgan - Final


Morgan levantou do chão, onde estava jogado e percebeu que estava amarrado por uma camisa de força. Tentou se soltar e ao ver que não conseguia, começou a gritar aterrorizada e a bater contra as paredes, nem ao menos sabia onde era a porta daquele lugar; as paredes eram todas iguais.

_ Me tirem daqui!

E chorava. Se contorcia no chão; gritava nomes feios e sujos.

_ Malditos! Desgraçados! Me deixem sair! Eu mato vocês! Mato todos!

Num dos cantos da sala havia uma câmera praticamente invisível. Do outro lado, diversos médicos olhavam a reação de Morgan, que continuava se debatendo, e gritando no quarto.

Morgan estava na Casa de Reabilitação San Cristovan, um pouco distante da cidade; era um manicômio disfarçado de hospital. As pessoas nem sequer recebiam tratamento adequado; eram feitas experiências, torturas e utilizados meios não muito convencionais, éticos ou respeitados.

Eis que Morgan chorou por cerca de três dias sem parar; nem ao menos dormiu. Os cientistas acharam aquilo magnífico, o garoto tinha algo de incomum.

Naquele dia Morgan dormiu.

Em meio a noite, e ele não tinha idéia alguma de tempo naquele local, a porta abriu, e ele entreabriu os olhos. A figura do cientista louco que sempre vira nos filmes de terror dispuisera-se à sua frente.

_ O que quer de mim?!

_ Apenas o seu bem, Morgan. - o rosto se aproximou.

O garoto teve a forte impressão da cara distorcida do médico, que parecia maligna.

_ Saia daqui! Me deixe em paz! Monstro maldito! Demônio!

_ Não sou um demônio! - e o rosto do médico distorcia-se ainda mais.

_ Saia! - gritou tão fortemente, que os tímpanos do médico explodiram, fazendo suas orelhas sangrarem.

Morgan continuou gritando, o quarto inteiro pôs-se em chamas.

A televisão dos outros médicos que assistiam a cena, também era das mais grotescas. Morgan caminhava pelas paredes, e seu pescoço girava 360 graus. O médico jogado ao chão estava imóvel; e o quarto não pegava fogo.

Mas a cena era diferente.

Morgan libertou-se da camisa de força, e saiu correndo pelos corredores. Diversos enfermeiros foram atrás dele, mas era impossível alcançá-lo. Foi qaundo percebeu que seria cercado; encontrou uma sala de produtos de limpeza e lá se escondeu.

_ Não vão me achar aqui. - o garoto não parava de suspirar, estava com medo e confuso.

Pode-se ouvir o barulho das cirenes dos bombeiros. Cerca de seis quartos do hospital pegaram fogo. Exausto, Morgan dormiu.


Os bombeiros não estavam mais lá. Uma patrulha saiu em busca do fugitivo; e a grande maioria dos empregados estava em horário de descanso.

Era madrugada quando as sapatilhas vermelhas entraram no hospital San Cristovan.

Caminhavam lentamente. Até que chegaram à porta 333.

_ Catherine... - disse a voz rouca.

O rosto de Catherine apareceu na janela; os olhos estourados em veias, e as olheiras profundas de choro.

_ Quem está aí?!

_ Eu!

A pessoa mostrou seu rosto; e Catherine deu um grito de horror!

_ Esses olhos vermelhos! Não! - Kate gritava tanto, que seus pulmões começaram a jorrar sangue; e a manchar as paredes brancas almofadadas.

A porta do quarto se abriu.

A pessoa de sapatilhas vermelhas começou a andar pelos corredores; e Catherine veio logo atrás flutuando em forma de crucifixo.


Morgan resolveu sair da sala.

_ Tenho que sair daqui.

Começou a correr pelos corredores brancos e não encontrava uma saída sequer. Nisso, viu um rastro vermelho na parede de um escritório. Ficou curioso e resolveu entrar.

Foi abrindo a porta aos poucos, e quando a abriu, viu uma mulher esfaqueada dependurada na parede.

_Ah! - Morgan assustou-se tanto que recolheu-se para trás. Tarde, esbarrou em um enfermeiro do hospital; que o pegou.

_Peguei!

_ Me solta!

O enfermeiro viu a mulher esfaqueada e ficou extremamente surpreso.

_ Meu Deus! O que você fez?! Maldito! - e deu um soco na cara de Morgan, que caiu ao chão.

Naquele momento ela falou.

_ Não foi ele que fez tal coisa.

Morgan virou-se, estava com o rosto inchado.

_ Alicia?!

As sapatilhas vermelhas eram de Alicia; e logo atrás da garota, Catherine estava firme e parada; de pé.

_ Mamãe?!

Catherine estava com a pele um pouco roxeada, e os olhos muito vermelhos. Alicia, imóvel, também com os olhos vermelhos, e a pele branca e sedosa.

_ Foi você! Você matou aquelas pessoas!

_ Não Morgan! Eu apenas matei alguns. Você que destruiu a nossa escola; você que matou a todos naquele dia! Sua raiva foi maior que o poder que reina em mim!

_ Você está louca!

_Não! - gritou com voz grossa e demoníaca.

Morgan assustou-se.

_ O nosso pai nos abençôou com um poder magnífico! Mas a sua dádiva ainda está em nossa mãe!

_ Que dádiva? Ser perverso! Eu espurgo você! - gritou Morgan.

_ Hahahahahaha! Não me faça rir! Muleque insolente! Você morrerá! Somente eu serei forte!

Morgan afastou-se com a figura aterrorizante de Alicia, que estava deformada, e começou a levitar.

O garoto olhou para trás e viu o enfermeiro correndo; levantou e passou a correr também.

_ Não fuja! - o corpo de Alicia pegou fogo, e ela veio tomando todo o corredor com uma bola de fogo imensa; Catherine caminhava lentamente pelas chamas, e ia em direção dos filhos.

Morgan correu por corredores intermináveis, até que achou a saída. Na rua encontrou o Padre George da Igreja de São Miguel, que estava de carro.

_ Vamos, Morgan! Entre!

Morgan olhou para o padre e para trás.

_ Rápido! - gritou o padre.

_ Padre o que está havendo? O que está acontecendo?

O padre acelerou e foram embora do manicômio, que ao longe foi visto pegar fogo.

_ Temos que ir para a Igreja Morgan.

_ Não me disse ainda.

_ Sua irmã! Ela está possuída por um demônio muito forte.

_ O que?

_ Exato, sua ãvó me contou, que o pai de vocês, na verdade estuprou sua mãe.

_ E quem era ele?

_ Javier Naidrune.

Aquele nome ecôou na cabeça de Morgan, e ele teve um choque, que quase o fez perder os sentidos.

_ O que houve? - perguntou o padre.

_ Esse nome.

_ Era um padre como eu. Mas deixou-se corromper por escrituras antigas, que não velavam o nome de Deus.

O padre respirou.

_ Anos depois, soube que ele havia se tornado um... demônio.

_ E por que matei aquelas pessoas?!

_ Você não as matou. Você criou uma defesa dentro de si. Ela as matou. Um polltergeist.

_ O que vai fazer?

_ Vou expulsar o demônio de sua mãe e de sua irmã.


Na Igreja de São Miguel...


_ Barcelos! - urrou Alicia, feroz e desmedida.

O padre apareceu, e Morgan logo atrás.

_ Está na casa de Deus, monstro!

_ Não me faça rir mais uma vez. Seu Deus é inútil para você, agora! Eu sou Deus!

Morgan caminhou à frente de Alicia e começou a falar.

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança.

_ Cale a boca, imbecil!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!

_ Idiota suas preces não serão de nada!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!!! - Morgan gritou com raiva.

_ Cale a boca, Morgana! - disse o demônio com forte ar de sátira.

Os olhos de Morgan ficaram brancos, e ele saiu do chão, passando a levitar a alguns metros do chão.

Catherine que estava logo atrás, começou a se sentir tonta. A corrente de ar começou a sorprar para cima, sendo puxada por Morgan.

Naquele momento, o demônio encarou o padre que manteve-se firme e começou a rezar.

_ Por clemência à Deus! Eu expurgo você! Eu expurgo você!

_ Afaste-se, homem idiota! Desgraçado! Maldito!!!! - demônio gritava.

Foi quando Morgan abriu os braços, e abrindo a boca com um suspiro, gritou tão forte, que todos os vitrais quebraram.

Catherine começou a gritar também, e uma bola negra saiu de sua boca, entrando em Alicia.

A gorata possuída caiu ao chão, e começou a respirar exaustivamente.

_ Eu expurgo você!! Eu expulso você!! Saia do corpo desta menina!

_ Ela é minha!! Minha! Nossa! Velho idiota!

De repente Morgan revirou os olhos em branco, e rompeu a corrente que carregava no pescoço. como um anjo foi descendo do levitar. Delicadamente, uma luz divina saia de seu corpo, até que chegou a Alicia, e firmou o crucifixo em sua testa.

_ Eu expulso você. - disse.

Alicia se fez calma, e começou a babar uma água branca; caindo ao chão de olhos abertos.

Morgan a deitou no chão.


_ Morgan. Conseguimos. sua irmã está livre.

_ Morgan. - disse Catherine.

_ Mamãe!

E os dois se abraçaram.

_ Você está bem?

_ Agora estou, meu filho.

_ Obrigado padre. - disse Morgan ao voltar-se para ele.

Mas, naquele momento, Morgan ficou sério. Seus olhos ficaram brancos, e ele passou a levitar.

_ Eu ainda não acabei! - disse Alicia se levantando do chão.

Morgan levitou e ficou em formato de cruz.

_ Morgan! - gritou o padre.

_ Alicia!

_ Cale a boca! - e deu um soco na mãe - Sua puta!

Alicia abriu uma sacola que trazia e mostrou milhares de facas.

_ Vou cortar essa menina!.

Pegou uma das facas e começou a se furar; a rasgar os braços. E depois, passou a língua, a cortando também, sobre o sangue da faca.

_ Hahahaha! Não pode me vencer!

Catherine olhou para o chão e viu uma das facas de Alicia.

O coração batia forte, cauteloso e maldito.

Catherine pegou a faca comos e fosse sua última esperança, queria se livrar daquele pesadelo.

Alicia pressentiu algo. O padre George havia olhado para Catherine.

_ Morra! - gritou Kate ao ir para cima da filha com a faca.

Alicia levantou a mão, e Morgan em cruz, foi jogado contra a parede. todas as facas da sacola voaram contra Morgan, o esfaqueando completamente.

Catherine afundou a lâmina no pescoço de Alicia.

_ Como pode? - disse Alicia chorando lágrimas de sangue.

Alicia morreu.

Catherine olhou para seu filho Morgan, crucificado por dezenas de facas; e depois para Alicia. Não pode fazer outra coisa. Caiu ao chão e passou a chorar.

O padre George a abraçou.


No dia seguinte foi o velório de Alicia. Morgan, inacreditavelmente, havia sobrevivido, mas estava em coma.


O final não acaba aqui.


Mas terão que esperar para ver.



FIM?