
domingo, 28 de dezembro de 2008
A Taça - Parte 4

segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A Taça - Parte 3

Evan retirou-se para os confins da propriedade dos Bastor. Sentou-se na grande poltrona vermelha e lá estendeu as pernas; atracado, com os braços esticados, dependurou sua mão com uma taça de champanhe. As pequenas bolhas subiam e estouravam logo à borda do copo, fazendo com que pequenas gotículas do líquido pousassem em sua mão.
A noite caiu; a lua cheia despertava a incisão de ruas claras, mas que, apesar de trazerem pedestres, continuavam perigosas.
Cerca de três e meia da manhã, algo o acordou. Estavam tocando a campanhia da mansão.
Evan coçou os olhos, apertando-lhes com os dedos; depois, voltando a si:
_ Quem será a essa hora? - disse olhando no relógio, que marcava a madrugada propensa.
Puxou o fone:
_ Quem é? - com a voz rouca do sono.
_ Evan! Sou eu! - a voz de mulher indicava que poderia ser Kate.
_ Kate?
_ Sim! Por favor, deixe-me entrar! - estava com um ar estranho e gritando praticamente.
Ao abrir a porta de casa, Kate saltou sobre o corpo de Evan e o abraçou, a respiração estava forte, ela estava ofegante e com a roupa úmida.
_ Evan! Evan! - repetia seu nome enquanto o apertava cada vez mais forte, como se tentasse buscar proteção.
_ O que está acontecendo?! Explique, antes que tenha um colapso! - ele começava a se exaltar pelo nervosismo dela.
_ Tentaram me sequestrar! Na galeria, me pegaram de surpresa, e não sabia para onde ir!
_ Conte o que aconteceu.
_ Me abordaram na porta da galeria, quando eu estava fechando; me deram um soco acho, mas não lembro de mais nada. Acordei a pouco jogada aqui perto, e não pensei em outro lugar que pudesse ir.
_ Acalme-se. Nós vamos à delegacia.
Evan a pegou e foram para a delegacia.
Logo na entrada, o tenente Minor reconheceu o rosto de Evan e lhe perguntou o que havia acontecido.
_ Minha namorada, ela sofeu um sequestro; e foi largada na rua.
_ Venha por aqui. - e Minor os levou ao delegado.
Passado um tempo, e o Sol tendo nascido, as coisas se acalmaram.
_ Não entendo porque alguém faria isso com você.
_ Nem eu, meu querido. Não tenho nada, não tenho posses nem influência.
_ O que é isso? Por que está falando desse jeito?
_ De que jeito? - Kate perguntou num tom mais amargo.
_ Nada... devo ter imaginado algo. - Evan distraiu-se.
A semana seguiu. As investigações do homicídio de Andrew Bastor estava complexa. O assassino não havia deixado pista alguma de sua autoria, a não se o beijo na testa, mas seria muito difícil encontrar alguém com tal impressão de pele. A autoria era desconhecida.
Andrew era um homem muito rico e poderoso, possuia muitos amigos, e inimigos também.
Certa vez, Evan foi chamado novamente à delegacia, o delegado insistia em saber detalhes da vida de seu pai, e se tinha ciência de algum inimigo capital, ou da ocorrência de ameaças não registradas.
Inútil.
O que incomodava Evan, era o fato de o tenente Minor sempre estar ao seu lado, como se quisesse algo, Evan até desconfiou que o tenente poderia estar envolvido.
Quando Rodrigo Minor saiu da carvoraria fora por motivos de imprudência. Cometeu erro grave ao deixar cerca de quinze homens entrarem na zona de abastecimento, fora do horário permitido.
A conseqüência foi a morte dos quinze homens, todos esmagados por toneladas de carvão.
Evan achava estranho ter conseguido um emprego na polícia, mas lembrou que seu pai, certa vez, disse q pagaria sua dívida de alguma forma.
Casos a parte, Evan tinha suspeitas, ainda que antagônicas, sobre Minor.
No sábado, a galeria de Kate abriu a mostra de Munch. Os rostos que gritavam delizavam por paredes negras de forte impacto visual. Você poderia ser dotado de qualquer faculdade mental, mas naquela ocasião, com certeza todas estavam jogadas ao chão, tamanho caráter hipnótico das telas.
_ Kate. - acenou Evan.
_ Olá meu amor. - e o beijou profundamente no rosto.
_ Deixou uma marca em mim. - disse sorrindo.
_ Apenas um borrão de batom.
_ Seus lábios de maçã.
E ela sorriu.
Nisso alguém surgiu, um convidado surpresa.
_ Oh, Meu Deus! Não aguento mais ele. - desabafou.
_ Quem? - Kate procurou alguém que pudesse vizualizar.
_ O tenente Minor. Está aqui na exposição. Não olhe, vamos evitar que nos vejo.
_ Eu acho que~não funcionou.
_ O que?
_ Ele já nos viu. - e Kate acenou.
_ Por que está acenando? Quem é você? - perguntou de forma rude e grossa.
_ Como assim? - e gracejou.
_ O que a transformou nessa mulher tão longe dos pudores de uma mulher recatada?
_ Antes de tudo uma mulher. - afirmou.
_ A... a... - ele ficou sem palavras.
_ Olá, Evan. - cumprimentou o tenente.
_ Boa noite, Minor. - Evan falseou um sorriso e um aperto de mão. Bem como a conversa que se estendeu até o fim do evento.
Passava das duas da manhã, quando o último convidado, Minor, foi embora.
_Incrível como esse cara consegue ser inconveniente.
_ Só está fazendo o trabalho dele.
_ O trabalho dele é me seguir numa galeria de arte?
_ Não é óbvio para você?
_ Volto a perguntar? Por que está tão insinuosa?
_ Desculpe. Mas para mim é óbvio que estão te achando o maior suspeito da morte de seu pai.
_ Como ousa imaginar isso!?
_ Subestimei sua inteligência. Acredito que ela só venha com música.
_ O que está dizendo? Que sou cego? Burro?
_ Exatamente. - Kate colocou a mão sobre a cintura e seu vestido dobrou-se num ângulo perfeito, tornando sua silhueta incrivelmente esbelta.
Naquele instante, o tango do jantar, da noite do homicídio, voltou a tocar.
_ O que está fazendo Kate?
_ Dançando. - ela recontorcia-se sobre o próprio corpo e empinava os glúteos como se carregasse centenas de plumas sobre as costas.
Lenta e articulosamente, como em ardente paixão por si mesma.
_ Por que isso?
_ Estou sentindo a minha paixão fluir, Evan.
_ O que?
Aos poucos Kate tomou o salão, dançando como ele jamais sabia que ela poderia dançar.
_ E tenho paixão em mim. - parou e retirou seu vestido, ficando apenas com a parte debaixo da lingerie.
Evan desconcentrou-se com tamanha sensualidade.
Ela esticou os braços e com movimentos de retorno os dobrou contra o peito para abrí-los novamente como as asas de um grande pássaro.
Os seios firmes estavam sedosos, uma pinta no esquerdo ascendia os pensamentos de Evan.
Ao aproximar-se dele, Kate embrulhou seu rosto no pescoço dele, e fez o mesmo com o rapaz em seguida.
O tango conhecido chegava, novamente ao fim, e Kate andou até o bar. Jogando os cabelos para o lado encheu uma taça de champanhe. Tomou um gole longo e aproximou-se de Evan.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
A Taça - Parte 2

domingo, 2 de novembro de 2008
A Taça - Parte 1

quinta-feira, 2 de outubro de 2008
As lágrimas que nunca chorei - Parte IV

quinta-feira, 4 de setembro de 2008
As lágrima que nunca chorei - Parte III

terça-feira, 12 de agosto de 2008
As lágrimas que nunca chorei - Parte II

O jovem, de nome desconhecido tinha bochechas rosadas como as dela; e usava uma linda camiseta branca, gola V, profunda a ponto de chegar ao centro de seu peito. Estava deslumbrante, uma calça jeans apertada mostrava glúteos arredondados; e seus cabelos castanhos-claros, um pouco cacheados recaíam sobre suas orelhas e lhe faziam ter um ar europeu. A pele era branca e Jane podia sentir seu perfume à distância.
Ela não obteve sinais do envolvimento dele, mas passou a reparar cada vez mais que certas vezes olhares do rapaz eram lançados a ela.
E assim começou um jogo de olhares que demoraria para acabar. Jane flertou com aquele rapaz durante cerca de um mês até descobrir seu nome, Marco. Era judeu e vindo de uma família abastada, da qual imaginava nunca fazer parte; apesar de desejá-lo como nunca.
Certa vez, e aqui temos nosso ponto x; ela esperava pelas amigas na porta da faculdade, eis que ele apareceu, vindo em sua direção, mas sabia que ele estava indo ao estacionamento.
Marco olhou no fundo dos olhos de Jane e passou ao seu lado revirando a cabeça, como se seus olhos e os dela estivessem conectados, algemados, ligados e inseparáveis.
Depois daquilo ela o viu sorrir, e, então, sorriu para ele.
Naquela sexta feira Jane ficou extasiada e extremamente feliz. Passou o final de semana atrás de maneiras de fazer com que ele viesse até ela para que pudessem conversar.
Eis que chegou segunda, e ela não havia encontrado uma maneira sequer. Estava brava por sua falta de atitude; e no refeitório resolveu pedir duas rosquinhas de chocolate para que pudesse afogar seus sentimentos frustrados; claro com muita Coca-Cola para acompanhar!
_ Quero ficar gorda de raiva! - e virou-se.
A imagem foi de Marco à sua frente, olhando com cara de riso para aquela bela menina, muito magra e com dois pacotes repletos de chocolate, uma Coca Cola nas mãos e o canudo na boca; que, aliás, caiu quando ela olhou para ele.
_ Isso tudo é pra você? Haha - e riu.
_ É sim, tenho que me alimentar.
_ Tem mesmo, se não vai acabar sumindo...
_ O que?! - perguntou com ar de piada.
_ Nada! Acalme-se, só estou brincando. - e sorriu novamente.
Ela olhou para ele disse:
_ Sou Jane.
_ Marco. - disse e deu-lhe um beijo no rosto, já que não podia segurar suas mãos que estavam ocupadas com tanta comida.
As bochechas de Jane ficaram tão vermelhas que ela nem sequer pode olhar para o rosto dele. Mas ele não esperou, já continuou a falar.
_ Suas maçãs também ficam rosadas.
_ Sim. - e sorriu abertamente.
_ Marco! - gritou um amigo do rapaz o chamando para sentar-se à mesa.
_ Bom tenho que ir lá. Té mais.
_ Até. - disse Jane brevemente.
Um lindo começo para esses dois, e eu poderia dizer que daí nasceu um romance. Mas infelizmente, os dias seguintes não foram tão produtivos quanto Jane esperava. Marco acabou descobrindo sobre a família de Jane, que não era tão rica quanto a dele; além do que, ela não era judia, e sua mãe jamais aceitaria um namoro com uma cristã.
Jane acabou sabendo disso, não só com o desprezo dele, mas também com comentários em sua sala, de que ela estaria apaixonada por aquele garoto, mas que jamais conseguiria nada dele. Como uma menina extremamente metida de sua sala disse.
Jane sofreu.
MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.
Marco se aproximou e raspou no corpo de Jane a olhando fixamente enquanto ela estava na rua.
Ele foi andando e olhou para trás sorrindo. Ao ver que Jane retribuiu o sorriso Marco voltou.
_ Oi.
_ Oi. - Jane não conseguia parar de sorrir.
Acredito terem bastado essas palavras, afinal nos últimos tempos os dois já se conheciam muito bem, pois trocavam olhares misteriosos e insinuantes o tempo todo, e estava estudando lado a lado.
Marco passou as mãos pelo rosto de Jane e segurou-lhe o queixo. As maçãs vermelhas quase tomaram seus rostos, e sentiu-se o açúcar de um beijo tão puro e macio que ela não se conteve em apoiar seus seios no peito de Marco.
Começava um romance que obteve frutos magníficos.
No entanto, esse futuro incerto de Jane tinha lá suas contas a pagar.
Quando descobriu do namoro, a mãe de Marco praticamente o deserdou, e ele colocou grande parte da culpa em Jane. A garota ficou impressionada tamanho o egoísmo e decaiu novamente.
Seus soluços eram ouvidos de longe quando ela correu pelos corredores da faculdade. Os olhos em lágrimas, recheados de tristeza.
_ A culpa é toda sua! - ouviu ele gritar.
Após uma longa conversa a mãe judia resolver tentar aceitar. A venceria pelo cansaço.
Lara, mãe de Marco, convidou Jane para todas as festas da alta sociedade, menos claro, às festas judias, já que sua presença poderia comprometer a imagem ortodoxa da família.
Jane ficava exausta e não tinha mais roupas para usar em tantos jantares, eis que um dia recusou.
_ Não posso ir Lara. Me sinto um pouco cansada.
_ Isso não é desculpa! Quero você lá hoje!
Lara sabia que teria que agir naquele dia.
Jane, que não vinha passando muito bem com a situação que enfrentava, estava exausta pelas provas que haviam se passado.
_ Marco! Seu tio Frank quer vê-lo.
_ Marco! A embaixatriz da Noruega quer vê-lo.
_ Marco! Sir Donald Bistchainter quer vê-lo.
_ Marco! Cumprimente sua prima. Eliza!
E L I Z A
Tal palavra ecôou na cabeça de Jane como facadas em seu estômago. Ela conhecia Eliza, ao menos as histórias de seu namoro com Marco quando eram mais jovens. Ele até havia formalizado um noivado.
Quando a viu, Jane teve suas facadas servidas em dobro; então arremessou-as com uma taça de champanhe bem gelado.
Eliza não era apenas uma mulher. Era deslumbrante, Condessa Elizabeth Knolps. Alguém de grande prestígio na família. Tinha cabelos loiros formosíssimos, pele completamente branca e sedosa; dentes cristalinos e muito brancos; olhos azuis perfurantes como foices e um aroma de baunilha impossível de ser enjoativo. Além do que usava um Dior vermelho com duas rosas de cetim; num corte provocante, desde a fenda da perna até o robusto decote.
_ Você deve ser Jane. - disse com um sotaque que lembrava o alemão; mas sem decoro algum.
_ Sim, é um prazer conhecê-la Elizabeth.
_ Eliza... - e puxando a mão de volta, sorrindo, disse entre os dentes - Claro que é.
Marco ficou completamente desconcertado com a figura de Eliza, que parecia uma rainha ou deusa.
Jane foi desprezada o resto da festa, e sabia que suas olheiras não eram comparáveis àquele modelo feminino de beleza e elegância.
Lara disse:
_ Leve Eliza para casa; eu vou com Jane.
_ Mas...
_ Obedeça! - disse severamente.
_ Vamos juntas querida. - disse Lara jogando Jane para dentro da limousine.
_ O que há com a senhora?! - perguntou Jane já com raiva.
Lara a todo momento olhou para frente, e não ia encontrar os olhos de Jane nunca mais.
_ Acontece que estou incomodada com sua presença em minha família. Tenho deveres a cumprir com Marco, casar-lhe com uma mulher de bem; dar-lhe um patrimônio e uma cultura exemplar estão dentre os quesitos. Portanto, não tenho o que discutir com você. Apenas estou ordenando que se afaste dele enquanto pode, porque eu também farei com que ele se afaste de você; e apesar de saber que ele a ama, quero que ele sofra o bastante para odiá-la. Enfim, já que chegamos perto de uma avenida e o carro de Marco e Eliza não está por perto, creio que você possa pegar seus trapos e retirar-se daqui, indo a pé para casa, colocando-se á altura do que você está... da rua. É só.
Jane saiu do carro. A limousine avançou e foi-se.
No dia seguinte, na faculdade, Marco não falou com Jane.
E pelas semanas seguintes eles não mais conversaram.
Dois meses depois, Jane estava entrando numa depressão tão profunda quanto um poço.
_ Jane! Você não pode ficar assim! - disse Gabriela, uma das amigas de Jane - Você precisa sair um pouco! Já sei vamos ao shopping!
Apesar de Jane resistir, acabou indo ao final da tarde.
No entanto, Jane passou mal ao olhar para uma loja de noivas. Aqueles vestidos brancos tão magníficos, tão puros. Ela abriu um sorriso, mas seus olhos se encheram de lágrimas.
_ Jane! Pare de chorar!
_ O que? - Jane olhou fixamente para o interior da loja - Não!!!
Quando Gabriela olhou, Marco e a formidável Eliza estavam lá dentro. Eliza com um estonteante vestido champanhe enxarcado de pérolas; movimentava sua cintura finíssima; enquanto Marco envolvia seus braços nela e a beijava.
A esse ponto, Jane já havia derramado lágrimas demais a ponto de chamar a atenção das vendedoras da loja.
_ O que aquela menina está fazendo?
Marco olhou para a vitrine e viu Jane do lado de fora afogando-se em uma dor incalculável.
_ Jane?
_ Veja só! A pobretona! - gritou Eliza, com ar de deboche e escárnio.
Jane afastou-se; olhou para o chão e para Marco; depois olhou para trás.
_ Jane! - gritou Marco com os olhos marejados. Gotas salgadas caíam do cálice.
Ela olhou para trás novamente e viu a queda das sacadas do shopping, como estava no 4 andar; tinha muitos metros de queda; na qual evidenciou se apossar.
Jane saiu correndo, e muito tarde despertou o medo e o instinto das pessoas.
Uma mulher jogou 4 sacolas Gucci e sua bolsa ao longe, tentando correr em seus saltos agulha para amparar a menina que corria em direção do vazio.
Marco saiu da loja desesperado gritando pelo nome dela. Suas bochechas não eram tão vermelhas quanto seus olhos.
_ Jaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaane!
Ela saltou.
A mulher dos saltos agulha caiu.
Uma multidão se concentrou envolta da grande sacada.
Uma multidão gritou ao ver o corpo.
Jane, mais uma vez se destruiu.
MAS ESSAS SÃO LÁGRIMAS QUE NUNCA CHOREI
Jane se recuperou do desprezo de Marco, afinal, nem tinham começado nada.
Resolveu se dedicar aos estudos, pois anos atrás já havia errado com outro homem; não poderia errar de novo.
Mas... errar é humano.
(Continua)
segunda-feira, 14 de julho de 2008
As lágrimas que nunca chorei - Parte I

Ele sorriu e disse:
terça-feira, 24 de junho de 2008
A Ira de Morgan - Final
