terça-feira, 24 de junho de 2008

A Ira de Morgan - Final


Morgan levantou do chão, onde estava jogado e percebeu que estava amarrado por uma camisa de força. Tentou se soltar e ao ver que não conseguia, começou a gritar aterrorizada e a bater contra as paredes, nem ao menos sabia onde era a porta daquele lugar; as paredes eram todas iguais.

_ Me tirem daqui!

E chorava. Se contorcia no chão; gritava nomes feios e sujos.

_ Malditos! Desgraçados! Me deixem sair! Eu mato vocês! Mato todos!

Num dos cantos da sala havia uma câmera praticamente invisível. Do outro lado, diversos médicos olhavam a reação de Morgan, que continuava se debatendo, e gritando no quarto.

Morgan estava na Casa de Reabilitação San Cristovan, um pouco distante da cidade; era um manicômio disfarçado de hospital. As pessoas nem sequer recebiam tratamento adequado; eram feitas experiências, torturas e utilizados meios não muito convencionais, éticos ou respeitados.

Eis que Morgan chorou por cerca de três dias sem parar; nem ao menos dormiu. Os cientistas acharam aquilo magnífico, o garoto tinha algo de incomum.

Naquele dia Morgan dormiu.

Em meio a noite, e ele não tinha idéia alguma de tempo naquele local, a porta abriu, e ele entreabriu os olhos. A figura do cientista louco que sempre vira nos filmes de terror dispuisera-se à sua frente.

_ O que quer de mim?!

_ Apenas o seu bem, Morgan. - o rosto se aproximou.

O garoto teve a forte impressão da cara distorcida do médico, que parecia maligna.

_ Saia daqui! Me deixe em paz! Monstro maldito! Demônio!

_ Não sou um demônio! - e o rosto do médico distorcia-se ainda mais.

_ Saia! - gritou tão fortemente, que os tímpanos do médico explodiram, fazendo suas orelhas sangrarem.

Morgan continuou gritando, o quarto inteiro pôs-se em chamas.

A televisão dos outros médicos que assistiam a cena, também era das mais grotescas. Morgan caminhava pelas paredes, e seu pescoço girava 360 graus. O médico jogado ao chão estava imóvel; e o quarto não pegava fogo.

Mas a cena era diferente.

Morgan libertou-se da camisa de força, e saiu correndo pelos corredores. Diversos enfermeiros foram atrás dele, mas era impossível alcançá-lo. Foi qaundo percebeu que seria cercado; encontrou uma sala de produtos de limpeza e lá se escondeu.

_ Não vão me achar aqui. - o garoto não parava de suspirar, estava com medo e confuso.

Pode-se ouvir o barulho das cirenes dos bombeiros. Cerca de seis quartos do hospital pegaram fogo. Exausto, Morgan dormiu.


Os bombeiros não estavam mais lá. Uma patrulha saiu em busca do fugitivo; e a grande maioria dos empregados estava em horário de descanso.

Era madrugada quando as sapatilhas vermelhas entraram no hospital San Cristovan.

Caminhavam lentamente. Até que chegaram à porta 333.

_ Catherine... - disse a voz rouca.

O rosto de Catherine apareceu na janela; os olhos estourados em veias, e as olheiras profundas de choro.

_ Quem está aí?!

_ Eu!

A pessoa mostrou seu rosto; e Catherine deu um grito de horror!

_ Esses olhos vermelhos! Não! - Kate gritava tanto, que seus pulmões começaram a jorrar sangue; e a manchar as paredes brancas almofadadas.

A porta do quarto se abriu.

A pessoa de sapatilhas vermelhas começou a andar pelos corredores; e Catherine veio logo atrás flutuando em forma de crucifixo.


Morgan resolveu sair da sala.

_ Tenho que sair daqui.

Começou a correr pelos corredores brancos e não encontrava uma saída sequer. Nisso, viu um rastro vermelho na parede de um escritório. Ficou curioso e resolveu entrar.

Foi abrindo a porta aos poucos, e quando a abriu, viu uma mulher esfaqueada dependurada na parede.

_Ah! - Morgan assustou-se tanto que recolheu-se para trás. Tarde, esbarrou em um enfermeiro do hospital; que o pegou.

_Peguei!

_ Me solta!

O enfermeiro viu a mulher esfaqueada e ficou extremamente surpreso.

_ Meu Deus! O que você fez?! Maldito! - e deu um soco na cara de Morgan, que caiu ao chão.

Naquele momento ela falou.

_ Não foi ele que fez tal coisa.

Morgan virou-se, estava com o rosto inchado.

_ Alicia?!

As sapatilhas vermelhas eram de Alicia; e logo atrás da garota, Catherine estava firme e parada; de pé.

_ Mamãe?!

Catherine estava com a pele um pouco roxeada, e os olhos muito vermelhos. Alicia, imóvel, também com os olhos vermelhos, e a pele branca e sedosa.

_ Foi você! Você matou aquelas pessoas!

_ Não Morgan! Eu apenas matei alguns. Você que destruiu a nossa escola; você que matou a todos naquele dia! Sua raiva foi maior que o poder que reina em mim!

_ Você está louca!

_Não! - gritou com voz grossa e demoníaca.

Morgan assustou-se.

_ O nosso pai nos abençôou com um poder magnífico! Mas a sua dádiva ainda está em nossa mãe!

_ Que dádiva? Ser perverso! Eu espurgo você! - gritou Morgan.

_ Hahahahahaha! Não me faça rir! Muleque insolente! Você morrerá! Somente eu serei forte!

Morgan afastou-se com a figura aterrorizante de Alicia, que estava deformada, e começou a levitar.

O garoto olhou para trás e viu o enfermeiro correndo; levantou e passou a correr também.

_ Não fuja! - o corpo de Alicia pegou fogo, e ela veio tomando todo o corredor com uma bola de fogo imensa; Catherine caminhava lentamente pelas chamas, e ia em direção dos filhos.

Morgan correu por corredores intermináveis, até que achou a saída. Na rua encontrou o Padre George da Igreja de São Miguel, que estava de carro.

_ Vamos, Morgan! Entre!

Morgan olhou para o padre e para trás.

_ Rápido! - gritou o padre.

_ Padre o que está havendo? O que está acontecendo?

O padre acelerou e foram embora do manicômio, que ao longe foi visto pegar fogo.

_ Temos que ir para a Igreja Morgan.

_ Não me disse ainda.

_ Sua irmã! Ela está possuída por um demônio muito forte.

_ O que?

_ Exato, sua ãvó me contou, que o pai de vocês, na verdade estuprou sua mãe.

_ E quem era ele?

_ Javier Naidrune.

Aquele nome ecôou na cabeça de Morgan, e ele teve um choque, que quase o fez perder os sentidos.

_ O que houve? - perguntou o padre.

_ Esse nome.

_ Era um padre como eu. Mas deixou-se corromper por escrituras antigas, que não velavam o nome de Deus.

O padre respirou.

_ Anos depois, soube que ele havia se tornado um... demônio.

_ E por que matei aquelas pessoas?!

_ Você não as matou. Você criou uma defesa dentro de si. Ela as matou. Um polltergeist.

_ O que vai fazer?

_ Vou expulsar o demônio de sua mãe e de sua irmã.


Na Igreja de São Miguel...


_ Barcelos! - urrou Alicia, feroz e desmedida.

O padre apareceu, e Morgan logo atrás.

_ Está na casa de Deus, monstro!

_ Não me faça rir mais uma vez. Seu Deus é inútil para você, agora! Eu sou Deus!

Morgan caminhou à frente de Alicia e começou a falar.

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança.

_ Cale a boca, imbecil!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!

_ Idiota suas preces não serão de nada!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!!! - Morgan gritou com raiva.

_ Cale a boca, Morgana! - disse o demônio com forte ar de sátira.

Os olhos de Morgan ficaram brancos, e ele saiu do chão, passando a levitar a alguns metros do chão.

Catherine que estava logo atrás, começou a se sentir tonta. A corrente de ar começou a sorprar para cima, sendo puxada por Morgan.

Naquele momento, o demônio encarou o padre que manteve-se firme e começou a rezar.

_ Por clemência à Deus! Eu expurgo você! Eu expurgo você!

_ Afaste-se, homem idiota! Desgraçado! Maldito!!!! - demônio gritava.

Foi quando Morgan abriu os braços, e abrindo a boca com um suspiro, gritou tão forte, que todos os vitrais quebraram.

Catherine começou a gritar também, e uma bola negra saiu de sua boca, entrando em Alicia.

A gorata possuída caiu ao chão, e começou a respirar exaustivamente.

_ Eu expurgo você!! Eu expulso você!! Saia do corpo desta menina!

_ Ela é minha!! Minha! Nossa! Velho idiota!

De repente Morgan revirou os olhos em branco, e rompeu a corrente que carregava no pescoço. como um anjo foi descendo do levitar. Delicadamente, uma luz divina saia de seu corpo, até que chegou a Alicia, e firmou o crucifixo em sua testa.

_ Eu expulso você. - disse.

Alicia se fez calma, e começou a babar uma água branca; caindo ao chão de olhos abertos.

Morgan a deitou no chão.


_ Morgan. Conseguimos. sua irmã está livre.

_ Morgan. - disse Catherine.

_ Mamãe!

E os dois se abraçaram.

_ Você está bem?

_ Agora estou, meu filho.

_ Obrigado padre. - disse Morgan ao voltar-se para ele.

Mas, naquele momento, Morgan ficou sério. Seus olhos ficaram brancos, e ele passou a levitar.

_ Eu ainda não acabei! - disse Alicia se levantando do chão.

Morgan levitou e ficou em formato de cruz.

_ Morgan! - gritou o padre.

_ Alicia!

_ Cale a boca! - e deu um soco na mãe - Sua puta!

Alicia abriu uma sacola que trazia e mostrou milhares de facas.

_ Vou cortar essa menina!.

Pegou uma das facas e começou a se furar; a rasgar os braços. E depois, passou a língua, a cortando também, sobre o sangue da faca.

_ Hahahaha! Não pode me vencer!

Catherine olhou para o chão e viu uma das facas de Alicia.

O coração batia forte, cauteloso e maldito.

Catherine pegou a faca comos e fosse sua última esperança, queria se livrar daquele pesadelo.

Alicia pressentiu algo. O padre George havia olhado para Catherine.

_ Morra! - gritou Kate ao ir para cima da filha com a faca.

Alicia levantou a mão, e Morgan em cruz, foi jogado contra a parede. todas as facas da sacola voaram contra Morgan, o esfaqueando completamente.

Catherine afundou a lâmina no pescoço de Alicia.

_ Como pode? - disse Alicia chorando lágrimas de sangue.

Alicia morreu.

Catherine olhou para seu filho Morgan, crucificado por dezenas de facas; e depois para Alicia. Não pode fazer outra coisa. Caiu ao chão e passou a chorar.

O padre George a abraçou.


No dia seguinte foi o velório de Alicia. Morgan, inacreditavelmente, havia sobrevivido, mas estava em coma.


O final não acaba aqui.


Mas terão que esperar para ver.



FIM?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Ira de Morgan - Parte IV


Quando as lágrimas de sangue caíram ao chão, Morgan viu-se jorrado em tristeza e melancolia; não sabia que rumo sua vida havia tomado; e muito menos de onde o poder maldito em sua casa vinha.
Certo dia veio correndo da escola sendo perseguido pelas demais crianças que queriam apedrejá-lo e recuou por cantos escuros das ruas mórbidas da cidade para tentar se esconder.
Chegando à casa já mal assombrada, com paredes sombrias apesar de amarelas, subiu as escadas correndo, não querendo sentir nem o rastro de uma pessoa sequer, nem de sua avó que já vinha ficando abalada com tantos eventos danosos.
Não só a cena da igreja, das paredes jorrarem sangue em meio ao grito das centenas de beatos; da população conclamada pura, que via derreter em cada fio vermelho a face de um mal que era vingativo dos céus, ou fonte de um poder santo. Muitas outras cenas, como a jovem empregada atacada pelo garoto, que desapareceu da face do mundo; sendo encontrada duas semans depois esquartejada dentro do banheiro do seu colégio.
Morgan ajoelhou-se em sua escrivaninha repleta de santos e crucifixos; chorava desesperadamente. Confessou:
_ Por que? Por qual motivo isso está ocorrendo?! Não sei se de mim, ou de Alicia, ou mesmo de minha mãe que desapareceu, não consigo achar a fonte deste poder, por favor meu Deus, me ajude a encontrar a solução desse pesadelo, desse carma sem fim. Não aguento mais sofrer! As colheres da sala de jantar se recontorcem, já me falaram de um polltergeist; mas o reverendo Johnson não acredita em tal boato, disse que eu estou possuído. E , Alicia? Aquela bruxa! Ela deve me controlar, bruxa!
Morgan irritou-se e atirou a imagem de Jesus Cristo na parede que se fez em milhares de pedaços.
Nisso, seu quarto escureceu, as luzes ficaram fracas, e ele pode ver a vulto branco que passou ao lado esquerdo.
_ O que é isso? - estava suando frio.
_ Hahahahaha! - a risada medonha se espalhou pela casa, e com tamanho medo, abriu a porta de seu quarto, para poder ver quem era o portador de seu susto.
Morgan foi descendo degrau a degrau; o estranho era que todas as janelas estavam fechadas o que trouxe um ar noturno em plena tarde de verão.
_ Quem está aí?
Nada se ouviu; e ele foi descendo.
Nisso uma cadeira da sala de jantar caiu ao chão, e ele pode ver alguém correr até a cozinha. O medo foi tamanho que se colou à parede da escadaria, como se pudesse voltar pelas paredes ao seu quarto, e de lá nunca mais sair.
Mas resolveu ir até o fim. Ao chegar na sala de jantar viu a cadeira caída, e olhou para a cozinha. De lá se ouvia o barulho de latas de alumínio caírem ao chão, e certo rosnar de bicho, como se fosse um lobo faminto.
Se aproximou até abrir a porta de sopetão.
O choque foi...
Tremendo!

Sua mãe estava amarrada a uma camisa de força, e o mesmo rosto cortado olhou fixamente, desvendando os olhos vermelhos malditos. Morgan gritou sem parar, e a mulher que estava sobre a mesa saltou para o teto, abrindo a boca e jorrando sangue que caiu ao chão de piso frio da cozinha.
_ Aaaah! - o garoto gritou e voltou a subir as escadas; a mulher se libertou da camisa de força, e avançou pelas paredes como se fosse uma aranha. O filho, que estava subindo as escadas, foi surpreendido pelos olhos vermelhos que saltaram à sua frente.
Morgan perdeu o equilíbrio e rolou as escadas até o chão.
A cena foi de terror.
A demônio asqueroso saltou do topo da escada com a boca aberta, suja e repleta de sangue para arrancar a cabeça de Morgan.
Os olhos do garoto se fizeram azuis e ele chutou a possuída contra a parede, que foi jogada contra a porta, e sugada pela luz solar.
Morgan suspirou e chorou.
_ O que foi isso.
_ Morgan? - Alicia o cutucou por trás.
Ao virar-se deu de cara com a irmã segurando a cabeça de sua avó; com uma faca na outra mão e sorrindo delicadamente; enquanto erguia a cabeça que gotejava sangue em seu vestidinho azul turqueza.
Morgan acordou de seu pesadelo.

_ Um sonho! - e caiu à cama aliviado, porém trêmulo e muito suado.
Não sabia que seria um dia difícil.

Ao chegar à sala, a diretora comunicou aos alunos que não teriam a primeira aula, pois a professora de História estava doente, e não poderia comparecer. Eis que uma monitora ficou à sala, para acompanhar os alunos.


_ Ei, Derick!

_ Fala.

_ Olha só.

O garoto fez uma bola de papel cheia de cola e a tacou na cabeça de Morgan.

A sala inteira foi a risos.

_ Tony! Por que fez isso? - disse a incompetente e imbecil monitora - Você não deveria se comportar assim.

E enquanto brigava com Tony, a bola de cola voltou e acertou a cara do garoto.

Todos que estavam em arruaça se calaram. Nunca viram Morgan reagir, mas desta vez, fora diferente. Morgan havia tacado a bola de cola num dos garotos mais delinqüentes do colégio.

A monitora, completamente desentendida em pedagogia, na verdade era uma aspirante a modelo que estava ali para ganhar uns trocados, foi chamar a diretora, pois muito burra, não saberia resolver o conflito.

As crianças ficaram sozinhas.

_ Seu imbecil! - Tony saltou em cima de Morgan e começou a espancar o garoto inúmeras vezes; no rosto, nos braços, no peito.

Eis que Morgan começou a tocir sangue, e as outras crianças, ficaram paradas.

Tony levantou-se e Morgan estava com o rosto completamente roxo.

_ Isso é pra você aprender, seu louco!

_ Morgan é uma bicha! - disse o outro.

_ Morgan seu idiota.

_ Morgan burro!

_ Morgan, vai correr pra sua irmã, bruxa!

_ Morgan, sua mãe foi pro manicômio!

MANICÔM_I_O!

Naquel instante Morgan lembrou-se de sua mãe em seu sonho; seu corpo levantou-se diabolicamente; e seus olhos fecharam-se. Todos quietos observaram os socos de Tony sumirem, e o rosto de Morgan se restaurar; pouco a pouco sua pele ficou branca e fina novamente.

As janelas se fecharam todas, e a porta se trancou por fora.

Todos estavam ficando assustados, algumas meninas quiseram chorar. Eis que o ventilador começou a rodar e rodar sem parar e o chão começou a tremer.

Gritos saídos de toda a parte, e somente um sorriso se formava no rosto de Morgan.

Eis que abriu os olhos, tão negros e profundos, que acoplaram-se a uma áurea azul que o imantou.

Daquele instante em seguinte não contarei ou escreverei gritos, pois o que se passou; as únicas falas resumem-se a gritos de pavor e terror, em meio a sangue jovem jorrados por paredes, teto e claro, rios de sangue ao chão.


As carteiras enrolaram-se nos pescoços dos respectivos alunos; fazendo com que suas astes entrassem nos pulsos das crianças; depois o apoio das costas era trazido para frente, quebrando todos os pescoços ao mesmo tempo, todos para trás.

A cena muda e sem calor se expandiu pelo resto do colégio; todas as salas receberam a benção de Morgan.

E quando ele saiu do colégio, em plena luz do dia; Alicia batia palmas em meio ao pátio.

Ele a olhou fixamente e com ódio.

_ Onde está o santinho da mamãe?

_ Você não é Alicia!

_ E você não é Morgan! - Alicia ficou com os olhos vermelhos, e o irmão caiu ao chão, com a face se recontorcendo inúmeras vezes, como se uma flama branca cubrisse seu rosto.

Não, ele não estava possuído, havia criado uma entidade dentro de si.

Caiu ao chão inconsciente; mas ouviu o barulho das cirenes da polícia, que vieram recolher os quatrocentos corpos, vítimas da Ira de Morgan.


Nada sobrou.


Mas ele acordou em um quarto branco; com as paredes forradas de tecido macio e espumante.


manicômio; Morgan louco!



Continua...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Ira de Morgan - Parte III




No dia seguinte, Morgan tinha acordado muito zonzo. Estava jogado no chão do quarto, mas espantosamente os móveis estavam intactos, bem como o espelho que havia estourado em seu rosto.


_ Será que só foi um pesadelo? - se perguntou ainda tenso demais.


Não tinha acreditado que tudo aquilo havia sido uma viagem de sua imaginação; que estivesse sonhando, mas ao mesmo tempo, não se recordava de absolutamente nada do que tinha feito; desde quando havia saído da Igreja, até o exato momento em que estava se olhando no espelho, tentando encontrar algum corte, alguma cicatriz.


_ Muito estranho.


Morgan se vestiu para ir ao colégio, e desceu as grandes escadarias da casa. Enquanto pisava a cada degrau tentava olhar a porta do quarto de sua mãe, mas estava com muito medo. A cena guardada em seus pensamentos era forte demais.


Na mesa estava Alicia, sentada tomando um grande copo de chocolate quente; logo ela perguntou:


_ O que houve, Morgana?


Ele não respondeu; sentou-se à mesa e ficou parado.


_ Onde está a vovó?


_ Não sei, quando acordei não havia ninguém; acho que estamos sozinhos.


Nisso, a porta de entrada se fechou.


_ Crianças! Estou aqui.


_ Onde estava vovó? - perguntou Alicia.


_ Fui levar a mãe de vocês ao aeroporto. - disse norma com um tom muito sério.


_ O que ela foi fazer lá? - retrucou Morgan, imediatamente.


_ O pai de vocês - se absteve - ele está muito doente, e ela foi cuidar dele. E só isso! - e subiu pelas escadas.


Morgan e Alicia se olharam.


_ O que será que aconteceu? - perguntou Morgan.


_ Nós sabemos o que aconteceu.


_ Lá vem você com suas histórias de drogas!


_ Não Morgan! - ela o interrompeu.


O garoto gelou.


_ Você sabe qual problema a mamãe tem. - e baixou a cabeça afundando suas olheiras e deixando o olhar maligno.


_ Vão para a escola crianças! - gritou Norma do alto das escadarias.


Os dois foram.


Ao ver as crianças saírem, Norma escorregou pelas paredes e caiu ao chão para chorar. Eis que as janelas bateram com extrema força, e o susto que levou fora tão grande, que enxugou as lágrimas e foi arrumar a casa.




Passaram-se alguns dias, e casa nunca tinha sido tão quieta. Norma mal falava com os netos. Alicia, cada vez mais, ficava com suas amigas, fazendo feitiços de bruxa; e Morgan, bem, esse estava atormentado com o que tinha visto; e não acreditava ter sido verdade.


Certo dia em seu quarto, estava lendo a Bíblia, e começou a chorar.


_ Por que?! Por que minha mãe?! O que está havendo nesta casa?!


Ele suspirava, não conseguia encontrar ar para preencher seus pulmões.


_ Está possuída! Mas... e eu? - olhou para o chão e viu as mais de quinze colheres e garfos retorcidos jogados ao chão; olhando ao teto, estavam as marcas de suas unhas, quando fora jogado dentro de seu quarto por uma entidade que havia tomado conta do corpo de sua mãe.


_ Mamãe! Onde você está?!




No colégio todos caçoavam de Morgan; o menino que queria ser padre e era dotado de uma inteligência incrível. Certo dia, o gordo ruivo sardento do fundo da sala colocou cola na carteira de Morgan. Eis que quando ele sentou, não percebeu nada.


Passou-se um tempo:


_ Intervalo, pessoal. - disse a Sra. Martins, professora de Matemática.


Todos começaram a levantar, mas Morgan, caiu com a cadeira em cima dele; e as calças coladas na placa de madeira. A pancada lhe feriu a boca que começou a sangrar. O menino gordo, Gordon Jiudson foi o primeiro a falar:


_ Morgan sentou na cola! Um tremendo idiota!


_ Morgan sentou na cola!


_ Morgan padre! Não fique colado, vai perder a missa!


_ Chega! - gritou a professora.


Depois ela o ajudou a se levantar; mas sua calça ficou rasgada, mostrando sua cueca. Ao voltar do intervalo humilhante, Morgan não tinha lugar, se não a última carteira do fundo.


Entretanto, como não enxergava muito do fundo, a lousa começou a dar-lhe sono. Morgan dormiu.




No sonho Alicia corria por um grande corredor branco:


_Morgan! Vou te pegar!


Em seguida, ele estava na escola, em meio a várias pessoas desconhecidas; no entanto, quem apareceu foi Gordon Jiudson.


_ Ei! Morgan padre! Morgan bicha!


_ Cala a boca Gordon! - e ele caia chorando - Deus por que?


Eis que Alicia vinha com uma faca e a atravessava na cabeça do menino ruivo.


_ Alicia! - gritou Morgan.


_ É para o seu bem! - dizia a menina com voz grossa.


Naquele momento ele lembrou-se de sua mãe levitando em sua direção, o jogando no quarto, e sua cara sendo estraçalhada pelos cacos de vidro do espelho.


_ Aaaaah! - Morgan gritou.


Estava na sala de aula novamente; e saiu da carteira gritando, e deitando-se sobre a parede tentando fugir, não conseguia para de gritar.


_ Morgan! - gritava a professora, enquanto tentava reanimá-lo.


Os gritos do garoto se tornavam agudos e ensurdecedores. Os demais alunos estavam ficando transtornados, algumas meninas começaram a chorar; e quando ele conseguiu abrir os olhos.


_ Gordon! - ele gritou.


_ Sra. Martins! - gritou a secretária ao entrar na sala.


A professora correu em direção à secretária que se surpreendeu ao olhar para o garoto transtornado; eis que Julia, uma menina muito bondosa, abraçou o garoto para que ele parasse de gritar.


Mas era impossível.


A professora correu pelos corredores, e ao entrar no banheiro congestionado de policiais, viu Gordon Jiudson com a garganta cortada e pendurado pelas vértebras do pescoço, no suporte de casacos, que passava por dentro de seu pescoço. O chão enxarcado em sangue.


_ Aaaaaaaaaah - o grito de Morgan se tornou tão agudo que os vidros da sala de aula impeliram trazendo uma chuva de vidro, que provocou centenas de cortes em mais de 60 alunos.


Morgan calou-se.




O garoto foi levado pela avó que foi buscá-lo no colégio. ela tentou lhe tirar alguma informação, mas parecia impossível.




Na missa do domingo, Morgan levantou bem cedo, era um dos coroinhas do padre George Barcelos, e tal função lhe trazia satisfação e tranquilidade, afinal, estava na casa de Deus.


A Igreja de São Miguel vinha passando por reformas ultimamente e alguns locais estavam cobertos por panos, para que o cheiro forte de tinta não incomodasse os fiéis.


Eis que a missa começou normalmente.


Dentre os presentes estavam Norma e Alicia, que fora de má vontade.


Desde o incidente do colégio, Morgan estava mais afastado da irmã, não conseguia entender seu sonho, nem mesmo os fatos oriundos de sua mente.


Foi quando Alicia desapareceu. Morgan não a achava com o olhar.


De repente, um rosnado tomou a Igreja; como se fosse um cachorro com raiva. Os panos brancos de uma das paredes adquiriu manchas vermelhas e uma voz de homem começou a falar.


Tal cena já estava causando arrepios incalculáveis em todos; nas mais de cem pessoas dentro da Igreja.


_ Vim aqui para dar-lhes a notícia que o destinatário final chegou! Está na hora de pagarem por seus pecados! Desgraçados!


Os panos brancos caíram; e Alicia estava crucificada nas paredes, enxarcada em sangue.


A cena fez pessoas desmaiarem, tamanho o choque.


Daquilo veio o silêncio; e pode ouvir-se Alicia chorar.


Depois, Morgan caiu ao chão; seus olhos ficaram vermelhos e ele começou a chorar sangue.


Do silêncio dos beatos, pode-se ouvir a voz do demônio saindo dos pulmões da criança crucificada que urrou, enquanto as paredes escorriam sangue.


_ Aaaaaah! - e a voz de Alicia ecôou em todos os ouvidos, como um enxame de abelhas.


Morgan untou seu manto branco em vermelho de suas lágrimas.




Continua...