segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Taça - Parte 3


Ao entardecer segui-se uma noite fria.
Evan retirou-se para os confins da propriedade dos Bastor. Sentou-se na grande poltrona vermelha e lá estendeu as pernas; atracado, com os braços esticados, dependurou sua mão com uma taça de champanhe. As pequenas bolhas subiam e estouravam logo à borda do copo, fazendo com que pequenas gotículas do líquido pousassem em sua mão.
A noite caiu; a lua cheia despertava a incisão de ruas claras, mas que, apesar de trazerem pedestres, continuavam perigosas.
Cerca de três e meia da manhã, algo o acordou. Estavam tocando a campanhia da mansão.
Evan coçou os olhos, apertando-lhes com os dedos; depois, voltando a si:
_ Quem será a essa hora? - disse olhando no relógio, que marcava a madrugada propensa.
Puxou o fone:
_ Quem é? - com a voz rouca do sono.
_ Evan! Sou eu! - a voz de mulher indicava que poderia ser Kate.
_ Kate?
_ Sim! Por favor, deixe-me entrar! - estava com um ar estranho e gritando praticamente.
Ao abrir a porta de casa, Kate saltou sobre o corpo de Evan e o abraçou, a respiração estava forte, ela estava ofegante e com a roupa úmida.
_ Evan! Evan! - repetia seu nome enquanto o apertava cada vez mais forte, como se tentasse buscar proteção.
_ O que está acontecendo?! Explique, antes que tenha um colapso! - ele começava a se exaltar pelo nervosismo dela.
_ Tentaram me sequestrar! Na galeria, me pegaram de surpresa, e não sabia para onde ir!
_ Conte o que aconteceu.
_ Me abordaram na porta da galeria, quando eu estava fechando; me deram um soco acho, mas não lembro de mais nada. Acordei a pouco jogada aqui perto, e não pensei em outro lugar que pudesse ir.
_ Acalme-se. Nós vamos à delegacia.
Evan a pegou e foram para a delegacia.
Logo na entrada, o tenente Minor reconheceu o rosto de Evan e lhe perguntou o que havia acontecido.
_ Minha namorada, ela sofeu um sequestro; e foi largada na rua.
_ Venha por aqui. - e Minor os levou ao delegado.
Passado um tempo, e o Sol tendo nascido, as coisas se acalmaram.
_ Não entendo porque alguém faria isso com você.
_ Nem eu, meu querido. Não tenho nada, não tenho posses nem influência.
_ O que é isso? Por que está falando desse jeito?
_ De que jeito? - Kate perguntou num tom mais amargo.
_ Nada... devo ter imaginado algo. - Evan distraiu-se.

A semana seguiu. As investigações do homicídio de Andrew Bastor estava complexa. O assassino não havia deixado pista alguma de sua autoria, a não se o beijo na testa, mas seria muito difícil encontrar alguém com tal impressão de pele. A autoria era desconhecida.
Andrew era um homem muito rico e poderoso, possuia muitos amigos, e inimigos também.
Certa vez, Evan foi chamado novamente à delegacia, o delegado insistia em saber detalhes da vida de seu pai, e se tinha ciência de algum inimigo capital, ou da ocorrência de ameaças não registradas.
Inútil.
O que incomodava Evan, era o fato de o tenente Minor sempre estar ao seu lado, como se quisesse algo, Evan até desconfiou que o tenente poderia estar envolvido.
Quando Rodrigo Minor saiu da carvoraria fora por motivos de imprudência. Cometeu erro grave ao deixar cerca de quinze homens entrarem na zona de abastecimento, fora do horário permitido.
A conseqüência foi a morte dos quinze homens, todos esmagados por toneladas de carvão.
Evan achava estranho ter conseguido um emprego na polícia, mas lembrou que seu pai, certa vez, disse q pagaria sua dívida de alguma forma.
Casos a parte, Evan tinha suspeitas, ainda que antagônicas, sobre Minor.

No sábado, a galeria de Kate abriu a mostra de Munch. Os rostos que gritavam delizavam por paredes negras de forte impacto visual. Você poderia ser dotado de qualquer faculdade mental, mas naquela ocasião, com certeza todas estavam jogadas ao chão, tamanho caráter hipnótico das telas.
_ Kate. - acenou Evan.
_ Olá meu amor. - e o beijou profundamente no rosto.
_ Deixou uma marca em mim. - disse sorrindo.
_ Apenas um borrão de batom.
_ Seus lábios de maçã.
E ela sorriu.
Nisso alguém surgiu, um convidado surpresa.
_ Oh, Meu Deus! Não aguento mais ele. - desabafou.
_ Quem? - Kate procurou alguém que pudesse vizualizar.
_ O tenente Minor. Está aqui na exposição. Não olhe, vamos evitar que nos vejo.
_ Eu acho que~não funcionou.
_ O que?
_ Ele já nos viu. - e Kate acenou.
_ Por que está acenando? Quem é você? - perguntou de forma rude e grossa.
_ Como assim? - e gracejou.
_ O que a transformou nessa mulher tão longe dos pudores de uma mulher recatada?
_ Antes de tudo uma mulher. - afirmou.
_ A... a... - ele ficou sem palavras.
_ Olá, Evan. - cumprimentou o tenente.
_ Boa noite, Minor. - Evan falseou um sorriso e um aperto de mão. Bem como a conversa que se estendeu até o fim do evento.

Passava das duas da manhã, quando o último convidado, Minor, foi embora.
_Incrível como esse cara consegue ser inconveniente.
_ Só está fazendo o trabalho dele.
_ O trabalho dele é me seguir numa galeria de arte?
_ Não é óbvio para você?
_ Volto a perguntar? Por que está tão insinuosa?
_ Desculpe. Mas para mim é óbvio que estão te achando o maior suspeito da morte de seu pai.
_ Como ousa imaginar isso!?
_ Subestimei sua inteligência. Acredito que ela só venha com música.
_ O que está dizendo? Que sou cego? Burro?
_ Exatamente. - Kate colocou a mão sobre a cintura e seu vestido dobrou-se num ângulo perfeito, tornando sua silhueta incrivelmente esbelta.
Naquele instante, o tango do jantar, da noite do homicídio, voltou a tocar.
_ O que está fazendo Kate?
_ Dançando. - ela recontorcia-se sobre o próprio corpo e empinava os glúteos como se carregasse centenas de plumas sobre as costas.
Lenta e articulosamente, como em ardente paixão por si mesma.
_ Por que isso?
_ Estou sentindo a minha paixão fluir, Evan.
_ O que?
Aos poucos Kate tomou o salão, dançando como ele jamais sabia que ela poderia dançar.
_ E tenho paixão em mim. - parou e retirou seu vestido, ficando apenas com a parte debaixo da lingerie.
Evan desconcentrou-se com tamanha sensualidade.
Ela esticou os braços e com movimentos de retorno os dobrou contra o peito para abrí-los novamente como as asas de um grande pássaro.
Os seios firmes estavam sedosos, uma pinta no esquerdo ascendia os pensamentos de Evan.
Ao aproximar-se dele, Kate embrulhou seu rosto no pescoço dele, e fez o mesmo com o rapaz em seguida.
O tango conhecido chegava, novamente ao fim, e Kate andou até o bar. Jogando os cabelos para o lado encheu uma taça de champanhe. Tomou um gole longo e aproximou-se de Evan.

_ Beije-me.

Evan a beijou sem mais se importar com suas mudanças. O vulgar daquele momento havia se tornado em fascinante e sensual. Kate era magra, fina e elegante.

Após um beijo demorado, o batom de Kate havia borrado. Ela tomou outro gole de champanhe.

_ Kate, sabes me fazer sucumbir.

Ela sorriu.

Naquele instante, Evan olhou para a taça e viu a prova da maior de suas irresponsabilidades.

_ Lábios redondos... - surrou.

_ Não sou Kate.

Minor apareceu e acertou a cabeça de Evan com um pedaço de madeira.


Continua...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Taça - Parte 2


Quando Evan viu que seu pai estava morto perdeu os sentidos.

_ Pai! - o rapaz deixou-se cair ao corpo de Andrew e suspirou profundamente antes de deixar as lágrimas caírem por seu rosto.

Evan não estava conformado. A pequena poça de sangue migrava em volta do corpo, e o batom vermelho na testa do corpo indicava:

_ Lábios redondos, sem ondas, como laranjas. - Evan acariciou a testa de seu pai tentando encontrar o culpado pelo crime; depois fechou os olhos do pai.

A polícia chegou logo em seguida, o delegado colheu as provas locais, mas não conseguiu encontrar absolutamente nada. Ao que parecia ele tinha sido seguido, pois marcas fortes de pneu estavam próximas aos portões da casa, como se alguém tivesse arrancado dali.

Evan estava desolado, como se o tempo tivesse parado para ele. Não conseguia encontrar alguém que pudesse fazer aquilo com seu pai.

Eis que um dos policiais se aproximou.

_ Evan, certo?

_ Isso.

_ Vou ter que levá-lo para prestar depoimento na delegacia. Falar sua versão.

O tom do policial pareceu um pouco arrogante. Na camisa cinza estava escrito Tenente Minor, que depois Evan descobriu ser Rodrigo Minor, antigo funcionário da carvoraria que era chefe de segurança.

_ Claro. - consentiu com a condução à delegacia.

O depoimento foi frio do delegado, e o tenente sempre ficou ao gabinete acompanhando a versão de Evan. Era como um amigo da família. Intimidade que estava se dando, Evan nunca fora com a cara dele; era um homem ríspido e arrogante, aliás, continuava sendo.

Após a massacrante investida do delegado, que era um tanto jovem, cerca de 28 ou 29 anos, Evan foi dispensado e resolveu ir para um hotel, não aguentaria passar aquela noite à sombra do fantasma de seu pai.

Nisso, Minor chamou seu nome.

_ Evan!

_ Sim?

_ Lembra-se de mim, não?

_ Claro, o chefe de segurança da carvoraria.

_ Exato. Bem, sinto muito por seu pai; não tive a oportunidade de dizer isso.

_ Obrigado. - e virou-se para ir embora.

_ Hum.. - chamou-o novamente - Se precisar de algo, não sei, pode falar comigo. Vamos encontrar o assassino.

_ A. - e agradeceu com a cabeça.


No dia seguinte Kate acordou e foi animada para o trabalho, havia dormido muito bem por conta da noite anterior com Evan. No entanto, ele não foi à galeria no dia seguinte.

Preocupada, Kate tentou ligar o dia todo, mas não obteve sucesso.

Dois dias se passaram sem a notícia de Evan.


Numa quarta feira ele apareceu.

_ Evan! O que houve com você?! Por onde andou?

_ Sinto muito Kate. Meu pai foi assassinado.

_ Oh meu Deus!

_ Não colocaram no noticiário ainda, mas não sei por quanto tempo conseguirei abafar o caso.

O barulho da televisão incomodou o ouvido de Evan e a repórter dizia.

_ Faleceu a dois dias o grande empresário Andrew Bastor, dono da maior carvoraria do país...

_ Acho que não é mais segredo. - disse desapontado.

_ Mas o que aconteceu?

_ Ele foi ferido bala; e o assassino deixou um beijo sobre a testa dele. Uma marca de batom.

_ Uma mulher?

_ Tudo indica que sim. Lábios redondos.

Kate tocou os próprios lábios.

_ São muito diferentes dos seus; eram redondos, não tão ondulados.

Aquele dia foi de extrema nostalgia para ambos. A galeria ficava vazia durante a semana, e agitada às sextas e sábados com os diversos eventos promovidos.

_ Vai vir ao evento de sexta não é? Acho que importante você se distrair.

_ Vou tentar. Mas tenho que ir, os acionistas da empresa estão me enlouquecendo.

Evan foi-se.


Na quinta feira, Kate ficou sozinha na galeria; e foi ao entardecer para casa. Nisso um homem a abordou na entrada do prédio.

_ Com licença.

Kate virou-se e viu o punho encostar em seu rosto, com força tamanha que ela caiu para dentro novamente, já que não conseguiu trancar a porta.

Recobrando os sentidos tentou levantar e começou a correr por entre os fascinantes quadros e esculturas modernistas.

_ Socorro!

O homem vinha atrás com tranquilidade, enquanto ela gritava desesperadamente e corria sem rumo, já que os corredores da galeria poderiam enganar até o que os construiu, um labirinto praticamente.

_ Não tem para onde fugir!

Kate encostou-se em uma parede tentando ver onde poderia estar o homem que havia lhe atacado. Chorava muito e estava desesperada.

Em seguida, ouviu que a música ambiente havia sido ligada. Uma música em tango como na noite em que dançou com Evan, um tango malicioso e tenebroso e que lhe dava ainda mais pavor.

Assimilando que a sala de áudio estava longe correu tentando escapar para a rua.

Aos passos de Kate, os contrapassos de alguém a seguiam novamente, e pior corriam atrás dela.

A música a enfeitiçou de tal forma que via um grande borrão em seus olhos.

De repente, bateu de frente com uma cópia de Picasso, que foi desprendida do alto e jogada contra ela. Por trás uma mão cobriu-lhe o rosto e ela caiu com o homem.

Ao ponto do tango chegar ao fim, enquanto Kate se debatia uma mulher veio caminhando e estourou uma garrafa de espumante, colocando o líquido caótico no cristal sorriu.

Kate pode ver por um segundo o rosto da mulher, e em seguida gritou abafadamente com as mãos do homem corpulento sobre sua boca.

A mulher tomou a taça e bebeu daquele líquido; repousando a prova sobre uma mesa, e deixando seus lábios marcados novamente.


Lábios redondos, sem ondas como laranjas.


Continua...






domingo, 2 de novembro de 2008

A Taça - Parte 1


_ Táxi!


O automóvel parou e Kate pode fugir da chuva forte que começava a cair. Adentrou no veículo com seus Manolo vermelhos, entrelaçados com duas fitas de seda.

_ Avenida Dr. Corelli. The Spanish. - disse ao motorista.

Rapidamente o taxista pisou no acelerador, mas não conteve em espiar o rosto da jovem que estava no banco de trás. Os cabelos negros de Kate, com um tom um pouco chocolate nas pontas deslumbravam qualquer homem. Mas era uma mulher esperta.

Kate olhou para o espelho e acenando disse.

_ Tenho pressa. - e sorriu.

O motorista não mais olhou para ela.

Em pouco menos de quinze minutos havia chegado ao seu destino. The Spanish era um restaurante típico espanhol, como o próprio nome poderia sugerir. Kate havia marcado um encontro inusitado com um homem de seu trabalho.

Quem?

Evan Bastor, herdeiro do famoso Andrew Bastor, o rei do carvão.

Evan não era muito cogitado a assumir os negócios de seu pai, por isso se dedicava às artes como Kate o fazia. Juntos trabalhavam na Galeria de Arte Contemporânea de Los Angeles, aspirando a arte e transpirando modernismo e poesia.

_ Evan Bastor está me esperando. - disse à recepcionista.

Delicadamente, a jovem levou Kate à mesa onde Evan estava. Muito elegante para a ocasião e para o local, que implicava um tom 2% menos formal do que estava. A música ambiente em tom de tango e jazz lhe fez arfar os seios quando viu os lindos olhos verdes do rapaz.

_ Bela Kate.

_ Boa noite Evan.

_ Sente-se, gostaria de champanhe?

_ Não, um bom vinho, por favor.

_ Pinot Noir, por favor. - completou Evan.

_ Explendido.

As taças foram colocadas à mesa e a grande garrafa envolta em prata e gelo para deixá-los com as laringes frescas para um boa conversa.

_ Então, Evan. Qual a minha surpresa?

_ Você verá logo.

_ Não faça suspense. Sabe muito bem que detesto surpresas. - e sorriu em seguida.


Um pouco longe dali, o Dr. Andrew Bastor saia do escritória da carvoraria para retirar-se em seu lar. Estava cansado após um dia de discussões por conta das negociações com os angolanos.

Enfim, um dia cansativo que merecia repouso.

No entanto, ao sair com seu Porsche percebeu que um carro mais atrás havia acendido o farol, e começado a segui-lo.


As taças de Kate e Evan estalaram sobre os sorrisos do restaurante que estava ficando muito cheio. Kate levou o gole rapidamente aos lábios, deixando um beijo à beira.

_ Que beijo bonito o seu.

_ Como?

_ O toque de seus lábios que permaneceram à taça. Lábios como a onda de uma maçã.

_ Consegue focar tamanhos detalhes em minha boca, Evan?

_ Claro. Consigo focar muitas outras coisas. Inclusive o seu olhar para mim.

_ Faz apenas uma semana que nos conhecemos.

_ E não consigo parar de pensar em você.

Kate o olhou por um instante, estava com um olhar tímido, e baixou a cabeça sobre o ombro direito.

_ Vim lhe pedir algo, Kate.

_ O que?

_ Que seja minha.

Kate sorriu.

_ Mas você é meu chefe. O dono da galeria.

_ Não importa.

_ O seu pai não iria gostar disso.

_ Não me importo com ele. Quero você.

_ É essa sua surpresa? - perguntou tentando fazê-lo desistir.

_ Não. - e sorriu.

Kate permaneceu apreensiva, e Evan estalou os dedos para o garçom.

De repente, o baterista começou a retocar o ambiente com o violinista, e um soar de tango se apoçou do local.

Evan levantou-se e pediu a mão de Kate.

O sangue latino dela não negava que estava adorando e ao mesmo tempo envergonhada daquilo, e o corpo de Evan pedia que ela se levantasse.

_ Vamos dançar.

Evan segurou o braço de Kate e apoderou-se de seu corpo, a consumindo como o vinho que acabaram de tomar.

As pessoas do restaurante abriram espaço para os dois destruírem o local com tamanha sensualidade.

Os agudos de violino e o trompete se conjugavam para que os pés de cada um acompanhasse os movimentos. Kate foi suspendida para trás, tomando uma rosa de uma mesa. Evan pegou uma taça de vinho e a bebeu, beijando Kate posteriormente.

Ela mordeu os lábios e deu-lhe um tapa no rosto, que respondeu com um sorriso cafajeste.

Os aplausos se espalharam por toda a parte quando a banda do recinto finalizou; e os dois agradeceram.


O Porsche era perseguido, a essa altura, por um Audi A3 preto sem placa. O Dr. Andrew não sabia mais o que fazer, o Audi chegava muito perto e lhe batia tentando parar ou virar o carro.

Por muito tempo ele o perseguiu, até que não teve mais vista.

Chegou em casa e rapidamente fechou os portões. Entrou pelos fundos e ligou à polícia.

_ Acabo de sofrer uma perseguição temo que estejam atrás de mim ainda. - a ligação caiu - Alô? Alô?

Um barulho no andar de cima o fez tremer; afinal, seu filho não estava, e a mulher só voltaria do spa no dia seguinte.

Andrew foi subindo as escadas, e sacou o revólver de dentro do paletó.

Entrou em seu quarto, mas não havia nada ali. Quando retornou, foi surpreendido com um tiro na perna.

_ Ah! - e caiu ao chão, deixando o revólver se afastar.

_ Vim apenas deixar-lhe um beijo.

A mulher beijou a testa de Andrew, e deu-lhe um tiro no peito.

O milionário Bastor estava morto.


Kate esbarrou sem querer na taça de vinho e ela caiu sobre a mesa, manchando a toalha branca e rendada.

_ Oh! Droga. Como fui fazer isso?

_ Não se preocupe, madame. - disse o garçom recolhendo os cacos.

_ Bom, vamos indo. - apressou-se Evan.

Kate e Evan deixaram o restaurante. Ele a deixou em casa, e seguiu para a casa do pai; onde segundos depois viu que seu pai estava morto.


Lábios redondos sem ondas como as laranjas.


Continua...