sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Depois que as flores murcharem...


Ao entardecer de um longo dia, numa rua deserta reprimida pelo calor de um dia ensolarado, e com pequenas aglomerações de chuva; eu estava andando tentando buscar o meio mais rápido de chegar em casa.
Foi quando a poeira da longa rua começou a levantar; ao longe a sombra de uma fumaça espessa aparecia ainda insonora. Logo um barulho de trem tomou conta dos ares quentes e úmidos.
Não bastou muito para que eu pudesse ver o grande trem que chegava naquele instante.
Como sem saber para onde ir; tomei o vagão que abriu repentinamente as portas; decorre que o trem em momento algum parou de andar; e eu poderia cair e ser esmagado por seus trilhos, caso ficasse à mercê do cansaço.
O trem ia depressa após alguns segundos; de dentro tudo parecia correr mais rápido, e rápido. As árvores pareciam crescer; e o céu ora escuro ora claro demonstrava que dias estavam passando.
Pela adrenalina da velocidade, cai ao chão um tanto enjoado, e não tenho lembrança de ter dormido; sei que a um momento abri os olhos e não sabia mais onde estava; nem ao menos sabia como havia chegado lá.
O que eu não tinha percebido é que o tempo havia passado; e eu continuava a ser a mesma pessoa que eu era.
O trem parou. E eu desci.
Não existiam árvores; o solo estava seco; o céu acinzentado. As ruas vazias.
Aquela solidão era tão imensa, tão devastadora que as únicas águas que eu pude sentir, foram as lágrimas salgadas que escorriam pelas minha bochechas; e ao secarem, minha face ficava insatisfeita e voltava a se encher de águas salgadas.
Tocavam os lábios, e caiam ao solo aos montes.
Sem forças, sem energia, o corpo as acompanhou e se derramou ao chão envolto em poeira, tristeza e solidão.
Por vezes tentei me entregar até ser tragado pelo solo, ou esfacelado pelo vento e pelo Sol.
Só que apesar de tudo aquilo; e após algum tempo; a chuva chegou.
Eu acordei novamente, e estava ensopado; ventos fortes e cheias começavam a vir.
Dali pra frente; os ventos trouxeram sementes; que começaram a brotar grandes árvores. As árvores interessavam ao homem, e ele veio buscar madeira. Construiu casas, e a cidade voltou a renascer.
Após alguns meses, a primavera veio; e o calor ameno, ampliou raios de Sol sobre as flores.
Mas, o melhor de tudo isso, é que a ajuda havia transformado tudo em algo melhor; e dentro de pouco tempo; quando as flores murchassem; eu poderia colher os frutos que um dia plantei. E que já não estaria só quando a colheita começasse.

Um comentário:

Unknown disse...

Muito bom nota 10 valeu