
Jane acreditou por todos os seus dias, estar livre daquilo que seria o amor cego; o amor que engana e que dói.
Mas, em verdade, nunca tinha tocado o verdadeiro amor. quando muito apaixonada, nunca tomou o homem de seus sonhos aos seus braços para dizer-lhe seu; nem jamais disse amá-lo e obteve a mesma resposta, com ainda maior força.
A cada semana, a cada lágrima que ainda derramava por suas infelicidades passadas, e até mesmo por rancores jamais correntes, ela se denegria numa dor que não tinha firmamento. Buscava saídas, portas para trancar, cobertas para se esconder.
E assim o fez. Foi deixada ao relento por prazeres desconhecidos, amores jamais esperados, e alegrias jamais sentidas.
Jane se sacrificou para ter uma vida pura sem sentimento. um auge de antipatia e monotonia que queria chegar. Entretanto, um coração tão grande seria dificilmente pego pelo vazio.
A perfeição batera sua porta, e ela pode sentir o calor dde um Sol, um abismo que culminava num lago azul.
Quando foi à festa de Christina, uma de suas amigas da faculdade, resolveu se soltar um pouco, e começou a conversar com pessoas novas e interessantes. Novos contatos, novas amizades, era disso que precisava.
Dentre todos esses estava André; um garoto muito legal, que estudava ciências da computação, e que estava apenas acompanhando um amigo.
Jane teve uma boa conversa com André; passou a chamá-lo de Dé. Trataram de tantos filmes e tantas coisas de infância, como desenhos e brincadeiras; coisas do passado que nos fazem rir, pois lembramos como éramos felizes com tão pouco. Quando um simples carrinho ou boneca nos fazia ser as pessoas mais felizes e poderosas do mundo.
Enfim, Da Infância e da Juventude, é tópico para outras histórias deste blog.
_ Mas onde está esse seu amigo; você veio acompanhá-lo, mas ele o deixou! Hahaha
_ Lá vem ele! Cristian!
_ E ai Dé? Aproveitando a festa?
_ Veja! Fiz uma nova amiga! Jane.
_ Olá Jane! - e olhou fixamente nos olhos da garota.
_ Olá! - e cumprimentaram-se com um beijo na face.
Cristian não era só um rosto bonito. Tinha um porte sedutor. Cabelos loiros à altura do pescoço; olhos azuis profundos, um nariz perfeitamente arrebitado, podia-se notar seu tórax rijo e seus braços fortes.
Jane não conseguiu satisfazer seu rancor, começou a sorrir para ele.
_ Você é linda. - disse Cristian.
_ O que está dizendo? Hahahaha - e ria, pois assim demonstrava estar envergonhada.
_ Por que ri?
_ Assim demonstro estar envergonha. Rs
_ Não deveria ter vergonha dessa verdade. É linda mesmo.
_ Você faz o que da vida? - tentou desconcertadamente mudar de assunto; antes que ficasse mais vermelha.
_ Sou engenheiro, tenho um escritório em Miami.
_ Puxa! Que legal! E o que faz aqui?
_ Vim para o aniversário de Christina... Minha prima.
_ Oooh! Não sabia! Cristian.. Christina! Cris! ahahahaha
_ Acho que ficou um pouco tonta com o champanhe.
_ De maneira alguma. Geralmente me solto assim.
_ Se soltar é bom!
_ Mas não tanto.
_ É linda, tem um papo ótimo, divertida; quase posso dizer que você é perfeita; basta estar fazendo faculdade e pensando num super futuro.
_ Estou... rsrsrs
_ Então a chamarei de perfeita.
_ Pare com isso. Hahahaha
_ Estou te deixando envergonhada de novo, não é?
_ Está.
_ Mas não devia, se não terei que beijá-la.
Cristian tomou o rosto dela com a mão esquerda, enquanto a direita segurava a taça de champanhe; levou seu queixo até seus lábios, e a fez sentir algo que jamais havia sentido; o doce sabor do éden.
Disso insurgiu um longo romance, que não cabe a mim saltear os pontos mais belos e doces.
Ele era um grande músico também, e fez algumas músicas para ela. De certo a distância atrapalhava um pouco, mas sempre que podia ele vinha, no meio da noite, abraçar-lhe na cama.
Quantas noites ela sentiu o doce aroma de Cristian em seus cabelos. Quantos sonhos teve com ele. Quantas noites pode sentir o tocar de seus dedos em seus seios. Isso rancor ou agonia alguma poderia vencer.
O coração de Jane floresceu como um campo infinito de rosas em meio ao deserto. Rosas de tão vermelhas que poderiam encendiar e conservar sua cor e perfume. Neste jardim Jane debruçou-se e sentiu cada suspiro de Cristian quando ele mergulhava em seus lábios.
Aquilo era um amor sem fronteiras, sem limites. Algo que não tinha fim; mas ressalta-se que aquilo que não tem fim, não chega a lugar algum.
Jane passou a ficar obcecada por Cristian, e ele por ela. Os dois tinham um amor que era maior que ao outro. Seus corpos não eram limites; suas almas não eram fronteiras. Tudo era maior e mais grandioso e maior e mais bonito e mais perfeito.
Eram como deuses em um Olimpo de flores e estrelas. Como maçãs que gotejam açúcar; como flores de baunilha que podem ser degustadas em meio a favos de mel.
Um dia ele a pediu em casamento, e a chamou para morarem juntos em Miami.
Ela aceitou. Aceitou o anel de noivado da costelação de Andrômeda, com brilhantes e rubis.
Queria ficar presa ao amor dele, como Andrômedo ficara presa às rochas por amor ao seu destino.
Em um mês a vida dela mudaria.
O amor era como uma rosa sem espinhos.
Um abismo que terminava num lago azul, onde poderia banhar-se.
Ela não o tirava da cabeça.
Os olhos dele mostravam que tudo era real.
E assim, ela era elevada até as estrelas.
Porque, um era a parte mais importante do outro.
Passado um mês ele viria. Mas um problema na empresa o fez exitar.
_ Preciso resolver umas coisas antes, Jane.
_ Tudo bem, mas resolva logo. - Jane sentia que algo ruim ia acontecer, mas prefiria confiar no seu amor do que no seu sentimento.
Aquilo que tinha já havia se tornado paixão; incalculável, intransigível, indomável.
Ele desapareceu por duas semanas e ela entrou em colapso nervoso.
Dias depois ele ligou.
_ Cristian! O que houve? Por que sumiu? Meu amor!!! O que está acontecendo??!!
_ Eu não vou te buscar... - estava embriagado.
_ O que??!
_ Eu trai você. Sou um idiota. Você não merece alguém como eu.
_ Eu não me importo de ter me traído! Preciso de você! Preciso de você!
_ Eu sou um nojento Jane. Você é perfeita.
_ Não! Não sou! O que houve? Você está bebendo?
_ Eu voltei a usar cocaína Jane. E to bêbado.
_ Você o que? - ela já tinha começado a chorar a muito tempo, mas as palavras foram tão pesadas que nem pronunciar mais nada ela conseguia; estava sucumbindo. Caiu ao chão.
_ Jane...
_ Cristian! Como pode fazer isso comigo?!
_ Eu sei... - ele chorava - Por isso estou fazendo isso. Te liguei para falar que não vou mais te ver. Que não vamos mais nos casar; e que você não merece um merda como eu.
_ Eu ajudo você! Vou tirar você das drogas. Mas pelo amor de Deus, não me deixe. Cristian, eu amo você. Amo do fundo da minha alma! Por Deus não me deixe aqui só!
_ Adeus Jane.
_ Cristian!!!!!
Ele desligou.
Jane ligou o chuveiro e sentou ao chão deixando a água cair em sua cabeça.
_ Por que? Por que as coisas são assim comigo? Por que eu não posso ser feliz?
Ela abraçou a si mesma e chorou por entre a água.
_ Por que estou num mundo com tanta gente e me sinto tão só. - ela puxava suas costas tentando achar conforto e sentir-se abraçada; tentando encontrar alguém que pudesse consolá-la.
Mas estava só. Naquele chão de pedra com água. Tentando se abraçar para não sucumbir ainda mais. Não aguentou e deitou ao chão. Secou-se e dormiu.
_ Meu Deus! Que ele volte para mim. Em seis meses que ele volte pra mim.
No dia seguinte ela estava destruída. Os olhos inchados, a pele fria e branca. Olhou para seu rosto no espelho e seus olhos ficaram vermelhos. Viu as fotos de seu amor espalhadas pelo chão e as recolheu em lágrimas.
Jane passou o dia pela casa chorando de canto em canto. Era um sábado e a família toda estava lá.
_ Jane o que houve minha filha? Você marou alguém? Roubou alguém? O que está acontecendo, pelo amor de Deus!?
_ Nada, me deixe em paz. - ela queria ser vista sofrendo, pois queria sofrer ainda mais. Estava se matando.
De noite a casa estava cheia, seus tios vinham para o jantar e seus primos também. Ao menos seu rosto estava melhor à mesa. Mas quando começaram a comer ela olhou para o rosto de cada um.
Seus tios felizes, sua irmã feliz, seus primos alegres sorrindo.
_ Por que ele não está aqui? - os olhos marejaram.
_ Você não vai chorar mais não é?! - gritou sua mãe.
Jane teve um colapso tão grande que não aguentou, começou a chorar extremamente forte, até seus pulmões não aguentarem mais; e caiu com o rosto sobre o prato de comida melando-se toda. A roupa, o cabelo, tudo. As lágrima se misturavam ao molho dos Filés Madeira.
Depois disso, foi pega pela irmã.
_Você não pode se entregar assim. Jane!
O pai dela nem sabia o que dizer, jamais havia visto tanta dor em sua filha.
_ Eu vou me arrumar. - disse Jane saindo da mesa.
O pai dela guardava algo dentro do armário da sala; algo que ela sabia. Algo que queria usar.
Viu os rostos olhando para ela; adentrou a sala. Seu pai desconfiou de algo e foi atrás.
Jane abriu o armário trancado, pegou o revólver 38 e enfiou na boca; mas seu pai deu-lhe um chute na cara, e Jane sucumbiu ao chão com dor pelo chute e pela facada que havia levado em seu coração.
Seus parentes ficaram todos à sua volta.
Pobre menina rica. Por que resolveram brincar com seu coração?
A cena deplorável foi de uma bela mulher com seus longos cabelos loiros já sujos, as unhas ruídas pelo nervoso, e os olhos apertados tentando chorar toda a água e a angusta de seu corpo.
MAS ESSAS FORAM LÁGRIMAS DERRAMADAS.
_ Vim buscar você Jane! - disse Cristian ao chegar na faculdade de Jane.
Posso dizer que o casamento foi lindo; em Las Vegas como ele queria. As correntes da Andrômeda em seu dedo a amarraram a um amor perfeito.
Um amor sem limites que só poderia frutificar em mais e mais felicidade.
Algo que muitas pessoas morrem sem saber o que é. Mas ela sabe. Sempre soube.
Tiveram os anos mais felizes de sua vida; mas as empresas tiveram uma queda tempos depois.
E Jane pode descobrir que Cristian sempre se envolveu com aquilo que ela não gostava; mas era instável demais para seguir a vida inteira como a pessoa perfeita que demonstrava ser.
Cristian traiu Jane uma única vez; pois o amor dela fez com que ela o matasse.
Jane esfaqueou Cristian enquanto faziam amor; e a mulher com que ele a traiu, bom ela nunca a viu.
Por estar nos EUA e pela repercussão do crime, foi condenada à pena de morte; mas não sobreviveu para sentir essa dor. Não aguentou a outra dor de tê-lo perdido; de ter acabado com seu próprio sonho.
Jane se enforcou com os lençóis a cinco dias de sua execução.
MAS ESSAS FORAM AS LÁGRIMAS QUE NUNCA CHOREI.
Depois da partida de Cristian, ela começou a tentar se recuperar.
Cresceu muito com tudo o que aconteceu; e certa vez disse a ele que o final desta história seria feliz. E foi.
Pois, acima de tudo, ela aprendeu que não existem altos e baixos. Devemos escolher entre viver ou morrer. Todos os caminhos levavam à sua fraqueza mais profunda, pois ela não sabia viver.
A sua realidade, levou-a ao caminho certo.
Ela deve isso a todos estes da história. Todos pelo qual guarda um carinho enorme.
O coração de Jane renasce a cada novo amor que passa por seu caminho; todos disseram a ela.
_ Você nasceu para amar.
Cada amor que segue sua vida possui um lugar e um novo espaço dentro de sua alma.
E ela não pode culpar a ninguém, pois eles lhe ensinaram a viver.
E essas são lágrimas que precisamos chorar, de alegria, de tristeza, de dor ou de ódio.
Mas, sobretudo, quando as coisas derem certo nada mais importará; e essas serão as lágrimas que nunca chorei.
2 comentários:
Que texto ricooo!!! Parabéns
wow! :)
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