domingo, 2 de novembro de 2008

A Taça - Parte 1


_ Táxi!


O automóvel parou e Kate pode fugir da chuva forte que começava a cair. Adentrou no veículo com seus Manolo vermelhos, entrelaçados com duas fitas de seda.

_ Avenida Dr. Corelli. The Spanish. - disse ao motorista.

Rapidamente o taxista pisou no acelerador, mas não conteve em espiar o rosto da jovem que estava no banco de trás. Os cabelos negros de Kate, com um tom um pouco chocolate nas pontas deslumbravam qualquer homem. Mas era uma mulher esperta.

Kate olhou para o espelho e acenando disse.

_ Tenho pressa. - e sorriu.

O motorista não mais olhou para ela.

Em pouco menos de quinze minutos havia chegado ao seu destino. The Spanish era um restaurante típico espanhol, como o próprio nome poderia sugerir. Kate havia marcado um encontro inusitado com um homem de seu trabalho.

Quem?

Evan Bastor, herdeiro do famoso Andrew Bastor, o rei do carvão.

Evan não era muito cogitado a assumir os negócios de seu pai, por isso se dedicava às artes como Kate o fazia. Juntos trabalhavam na Galeria de Arte Contemporânea de Los Angeles, aspirando a arte e transpirando modernismo e poesia.

_ Evan Bastor está me esperando. - disse à recepcionista.

Delicadamente, a jovem levou Kate à mesa onde Evan estava. Muito elegante para a ocasião e para o local, que implicava um tom 2% menos formal do que estava. A música ambiente em tom de tango e jazz lhe fez arfar os seios quando viu os lindos olhos verdes do rapaz.

_ Bela Kate.

_ Boa noite Evan.

_ Sente-se, gostaria de champanhe?

_ Não, um bom vinho, por favor.

_ Pinot Noir, por favor. - completou Evan.

_ Explendido.

As taças foram colocadas à mesa e a grande garrafa envolta em prata e gelo para deixá-los com as laringes frescas para um boa conversa.

_ Então, Evan. Qual a minha surpresa?

_ Você verá logo.

_ Não faça suspense. Sabe muito bem que detesto surpresas. - e sorriu em seguida.


Um pouco longe dali, o Dr. Andrew Bastor saia do escritória da carvoraria para retirar-se em seu lar. Estava cansado após um dia de discussões por conta das negociações com os angolanos.

Enfim, um dia cansativo que merecia repouso.

No entanto, ao sair com seu Porsche percebeu que um carro mais atrás havia acendido o farol, e começado a segui-lo.


As taças de Kate e Evan estalaram sobre os sorrisos do restaurante que estava ficando muito cheio. Kate levou o gole rapidamente aos lábios, deixando um beijo à beira.

_ Que beijo bonito o seu.

_ Como?

_ O toque de seus lábios que permaneceram à taça. Lábios como a onda de uma maçã.

_ Consegue focar tamanhos detalhes em minha boca, Evan?

_ Claro. Consigo focar muitas outras coisas. Inclusive o seu olhar para mim.

_ Faz apenas uma semana que nos conhecemos.

_ E não consigo parar de pensar em você.

Kate o olhou por um instante, estava com um olhar tímido, e baixou a cabeça sobre o ombro direito.

_ Vim lhe pedir algo, Kate.

_ O que?

_ Que seja minha.

Kate sorriu.

_ Mas você é meu chefe. O dono da galeria.

_ Não importa.

_ O seu pai não iria gostar disso.

_ Não me importo com ele. Quero você.

_ É essa sua surpresa? - perguntou tentando fazê-lo desistir.

_ Não. - e sorriu.

Kate permaneceu apreensiva, e Evan estalou os dedos para o garçom.

De repente, o baterista começou a retocar o ambiente com o violinista, e um soar de tango se apoçou do local.

Evan levantou-se e pediu a mão de Kate.

O sangue latino dela não negava que estava adorando e ao mesmo tempo envergonhada daquilo, e o corpo de Evan pedia que ela se levantasse.

_ Vamos dançar.

Evan segurou o braço de Kate e apoderou-se de seu corpo, a consumindo como o vinho que acabaram de tomar.

As pessoas do restaurante abriram espaço para os dois destruírem o local com tamanha sensualidade.

Os agudos de violino e o trompete se conjugavam para que os pés de cada um acompanhasse os movimentos. Kate foi suspendida para trás, tomando uma rosa de uma mesa. Evan pegou uma taça de vinho e a bebeu, beijando Kate posteriormente.

Ela mordeu os lábios e deu-lhe um tapa no rosto, que respondeu com um sorriso cafajeste.

Os aplausos se espalharam por toda a parte quando a banda do recinto finalizou; e os dois agradeceram.


O Porsche era perseguido, a essa altura, por um Audi A3 preto sem placa. O Dr. Andrew não sabia mais o que fazer, o Audi chegava muito perto e lhe batia tentando parar ou virar o carro.

Por muito tempo ele o perseguiu, até que não teve mais vista.

Chegou em casa e rapidamente fechou os portões. Entrou pelos fundos e ligou à polícia.

_ Acabo de sofrer uma perseguição temo que estejam atrás de mim ainda. - a ligação caiu - Alô? Alô?

Um barulho no andar de cima o fez tremer; afinal, seu filho não estava, e a mulher só voltaria do spa no dia seguinte.

Andrew foi subindo as escadas, e sacou o revólver de dentro do paletó.

Entrou em seu quarto, mas não havia nada ali. Quando retornou, foi surpreendido com um tiro na perna.

_ Ah! - e caiu ao chão, deixando o revólver se afastar.

_ Vim apenas deixar-lhe um beijo.

A mulher beijou a testa de Andrew, e deu-lhe um tiro no peito.

O milionário Bastor estava morto.


Kate esbarrou sem querer na taça de vinho e ela caiu sobre a mesa, manchando a toalha branca e rendada.

_ Oh! Droga. Como fui fazer isso?

_ Não se preocupe, madame. - disse o garçom recolhendo os cacos.

_ Bom, vamos indo. - apressou-se Evan.

Kate e Evan deixaram o restaurante. Ele a deixou em casa, e seguiu para a casa do pai; onde segundos depois viu que seu pai estava morto.


Lábios redondos sem ondas como as laranjas.


Continua...



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