domingo, 28 de dezembro de 2008

A Taça - Parte 4



Evan acordou algum tempo depois. Ainda estava na galeria, mas amarrado a uma cadeira no centro do salão, local em que sua falsa Kate havia se despido e dançado vultuosamente como uma cortesã aflita por enfoque carnal.


O rapaz não estava entendendo o rumo das coisas, e começou a recobrar as palavras dela; disse que não era Kate, e realmente não era, os lábios eram diferentes. A taça era a prova maior de sua irresponsabilidade. Não havia tomado cuidado com uma mulher que despertou seus encantos com uma dança sensual e um possível sexo árduo e aflito.


Segundos depois de acordar a figura do tenente Minor surgiu no salão. O homem permaneceu calado, mas Evan explodiu.


_ Seu desgraçado! O que está fazendo?


Minor riu, olhou para trás, e depois para as costas de Evan.


_ Para quem está olhando?- ele tentou virar o rosto, mas não conseguiu - Para quem?!


Ele sorriu novamente e caminhou na direção de Evan, o ultrapassando e seguindo em frente.


_ Evan... - um sussurro chegou aos ouvidos do destinatário, uma voz cansada.


_ Quem é? - perguntou apreensivo.


_ Sou eu, Kate. - disse rouca.


_ Kate?! - ele virou o rosto tentando buscá-la, mas acabou virando a cadeira contra o chão.


Com o rosto encostado no chão frio, e as mãos amarradas para trás focalizou o rosto de Kate, fora espancada a socos, estava com a pele fina roxeada e um pouco de sangue saia de sua boca.


_ Kate! - ele gritou aflito tentando soltar as amarras, mas era impossível estavam muito bem presas.


Nisso, novos passos voltaram a tocar o chão. Pareciam saltos finos de bota, numa das percepções aguçadas de Evan.


_ Evan. Existem coisas que você deve saber antes de morrer. - dise a mulher.


Ela ficou frente a frente com ele.


_ Sou sua irmã. - e sorriu.


_ O que? Você está louca?


_ Não. O seu antigo segurança, Minor, é meu pai, mas não completamente pai.


_ Não consigo te entender vagabunda!


_ O seu pai, Sir Andrew é meu pai, pois estuprou a mulher deste homem que está olhando! - e apontou Minor.


_ Como? Meu pai? - Evan se perguntava, não conseguia imaginar que seu pai pudesse cometer tal ato necroso.


_ Assim foi feito, Evan. E acredite. Não tenho orgulho de ser filha dele, e muito menos poderei usufruir pessoalmente de tudo, mas Kate. A adorável Kate pode, como filha legítima.


_ O que? Ela é sua irmã...


_ Gêmea. - completou Minor.


_ Eu vou me passar por Kate. Já inverti minhas digitais com as dela, com uma grande ajuda política de meu amigo Minor. E agora poderei usufruir do dinheiro de meu pai como única herdeira.


_ Isso tudo é por dinheiro? Você não presta! Não tem compaixão por sua irmã?


_ Claro que não. Não fomos criadas juntas, fomos separadas por nossa mãe, que não poderia criar duas crianças frutos de um estupro de escritório, acometido por um milionário que a ameaçava constantemente.


Dessa vez Evan nada disse.


_ E materei você Evan. Por hora, Kate ficará viva.


_ Silvia... - sussurrou Kate.


_ Já sabe meu nome... interessante. Não lembro de o tê-lo pronunciado, mas acho que Minor não consegue guardar segredinhos.


_ Eu não disse nada!


Silvia apontou uma arma para Minor.


_ Pode não guardar segredos, mas nunca minta para mim! - disse furiosa.


_ Eu não estou mentindo! Por Deus! Filha!


_ Não me chame de filha! - gritou e disparou 8 tiros contra Minor, que caiu ao chão ainda vibrando com a última bala.


Evan fechou os olhos de um jeito muito forte.


_ O maldito não poderia mentir pra mim.


_ Ele não mentiu. - disse Kate.


_ Como disse? - perguntou em tom de lisura.


_ Ele não mentiu. - e Kate sorriu.


_ Por que está sorrindo? - Silvia parecia um pouco atormentada, possuía um instinto meio autodestrutivo, estava possessa e louca.


_ Eu sei que você é. - sorriu novamente.


_ O que? - Evan perguntou.


_ Eu sei muito bem quem ela é, Evan.


_ Você só pode estar brincando. Nós nunca nos falamos!


_ Mas eu segui você, por muito... muito tempo. - parou, engoliu e prosseguiu - E quer saber, acho que somos muito parecidas. Até mesmo nas idéias.


Havia uma taça no chão. O champanhe já havia sido tomado.


Kate entrelaçou as pernas e rodou na cadeira, chutando certeiramente a taça, que partiu em direção de Silvia e atravessou seu pescoço.


_ Mas sou mais esperta que você. - concluiu Kate.


Silvia caiu ao chão, com a boca sangrando. Um beijo deixado no mármore em sangue. Lábios Redondos como laranjas.


_ Kate! - Evan gritou.


Ela foi até ele, jogado ao chão. Desfez as amarras e o libertou.


Evan teve um surto e sacudindo os braços gritou:


_O que está acontecendo aqui?!


_ Silvia é minha irmã gêmea. Nós somos filhas de seu pai, mas não fomos vítimas de um estupro. Ela entendeu mal a história. Seu pai teve um relacionamento com a minha mãe, e a abandonou. O marido dela, Minor em vingança, estuprou sua mãe, e você nasceu.


_ O que?! - Minor sabia da verdadeira história, mas passou a ignorá-la depois de se interessar pelo dinheiro que poderia ganhar.


_ Por um instante achei que fôssemos irmãos.


_ Não, não somos.


_ Como fez aquilo com as pernas?


_ Com a taça? Não queira saber. Meu passado é muito mais sombrio que o Silvia.


_ Poderia me contar.


_ Não posso.


_ Por que não? - Evan perguntou.


Um tiro atingiu o peito de Evan.


_ Porque você é meu alvo. E o serviço está feito.


Evan caiu ao chão sem entender nada, tendo no estômago as dores da morte.


Kate retirou uma fita transparente dos lábios e Evan os admirou.


_ São redondos...


Minor levantou-se da encenação de balas.


Minor e Kate se beijaram ardentemente.


_ Evan. Apenas saiba que tudo foi por dinheiro. E que existem pessoas demais querendo que você morra. Silvia foi colocada no jogo, pois queríamos tirá-la de nossas vidas.


Kate pegou a taça de champanhe sobre a mesa e tomou do último gole, a jogando contra a parede depois.


Evan agonizou seus últimos momentos. Mas não tão tarde.


_ Eles vão pagar caro. E você vai me ajudar. - disse Silvia.


_ Com todo o prazer. - disse Evan entre o sussurro, a morte, a dor e a raiva.


Silvia pegou a outra taça, tomou champanhe e a despedaçou entre os dedos.


Vingança. Taças quebradas, não há corpos. Não há provas.




FIM


2 comentários:

Unknown disse...

Cheguei por "acidente" no seu orkut e então acabei chegando por aqui!
Parabéns pelo Blog Guilherme!

Abraços.

Jefferson

Manuzinha Barcellos disse...

Simplesmente adorei... foi, genial, um suspense que não consegui parar de ler ate terminar a historia. parabens!!!