
Ao entardecer segui-se uma noite fria.
Evan retirou-se para os confins da propriedade dos Bastor. Sentou-se na grande poltrona vermelha e lá estendeu as pernas; atracado, com os braços esticados, dependurou sua mão com uma taça de champanhe. As pequenas bolhas subiam e estouravam logo à borda do copo, fazendo com que pequenas gotículas do líquido pousassem em sua mão.
A noite caiu; a lua cheia despertava a incisão de ruas claras, mas que, apesar de trazerem pedestres, continuavam perigosas.
Cerca de três e meia da manhã, algo o acordou. Estavam tocando a campanhia da mansão.
Evan coçou os olhos, apertando-lhes com os dedos; depois, voltando a si:
_ Quem será a essa hora? - disse olhando no relógio, que marcava a madrugada propensa.
Puxou o fone:
_ Quem é? - com a voz rouca do sono.
_ Evan! Sou eu! - a voz de mulher indicava que poderia ser Kate.
_ Kate?
_ Sim! Por favor, deixe-me entrar! - estava com um ar estranho e gritando praticamente.
Ao abrir a porta de casa, Kate saltou sobre o corpo de Evan e o abraçou, a respiração estava forte, ela estava ofegante e com a roupa úmida.
_ Evan! Evan! - repetia seu nome enquanto o apertava cada vez mais forte, como se tentasse buscar proteção.
_ O que está acontecendo?! Explique, antes que tenha um colapso! - ele começava a se exaltar pelo nervosismo dela.
_ Tentaram me sequestrar! Na galeria, me pegaram de surpresa, e não sabia para onde ir!
_ Conte o que aconteceu.
_ Me abordaram na porta da galeria, quando eu estava fechando; me deram um soco acho, mas não lembro de mais nada. Acordei a pouco jogada aqui perto, e não pensei em outro lugar que pudesse ir.
_ Acalme-se. Nós vamos à delegacia.
Evan a pegou e foram para a delegacia.
Logo na entrada, o tenente Minor reconheceu o rosto de Evan e lhe perguntou o que havia acontecido.
_ Minha namorada, ela sofeu um sequestro; e foi largada na rua.
_ Venha por aqui. - e Minor os levou ao delegado.
Passado um tempo, e o Sol tendo nascido, as coisas se acalmaram.
_ Não entendo porque alguém faria isso com você.
_ Nem eu, meu querido. Não tenho nada, não tenho posses nem influência.
_ O que é isso? Por que está falando desse jeito?
_ De que jeito? - Kate perguntou num tom mais amargo.
_ Nada... devo ter imaginado algo. - Evan distraiu-se.
A semana seguiu. As investigações do homicídio de Andrew Bastor estava complexa. O assassino não havia deixado pista alguma de sua autoria, a não se o beijo na testa, mas seria muito difícil encontrar alguém com tal impressão de pele. A autoria era desconhecida.
Andrew era um homem muito rico e poderoso, possuia muitos amigos, e inimigos também.
Certa vez, Evan foi chamado novamente à delegacia, o delegado insistia em saber detalhes da vida de seu pai, e se tinha ciência de algum inimigo capital, ou da ocorrência de ameaças não registradas.
Inútil.
O que incomodava Evan, era o fato de o tenente Minor sempre estar ao seu lado, como se quisesse algo, Evan até desconfiou que o tenente poderia estar envolvido.
Quando Rodrigo Minor saiu da carvoraria fora por motivos de imprudência. Cometeu erro grave ao deixar cerca de quinze homens entrarem na zona de abastecimento, fora do horário permitido.
A conseqüência foi a morte dos quinze homens, todos esmagados por toneladas de carvão.
Evan achava estranho ter conseguido um emprego na polícia, mas lembrou que seu pai, certa vez, disse q pagaria sua dívida de alguma forma.
Casos a parte, Evan tinha suspeitas, ainda que antagônicas, sobre Minor.
No sábado, a galeria de Kate abriu a mostra de Munch. Os rostos que gritavam delizavam por paredes negras de forte impacto visual. Você poderia ser dotado de qualquer faculdade mental, mas naquela ocasião, com certeza todas estavam jogadas ao chão, tamanho caráter hipnótico das telas.
_ Kate. - acenou Evan.
_ Olá meu amor. - e o beijou profundamente no rosto.
_ Deixou uma marca em mim. - disse sorrindo.
_ Apenas um borrão de batom.
_ Seus lábios de maçã.
E ela sorriu.
Nisso alguém surgiu, um convidado surpresa.
_ Oh, Meu Deus! Não aguento mais ele. - desabafou.
_ Quem? - Kate procurou alguém que pudesse vizualizar.
_ O tenente Minor. Está aqui na exposição. Não olhe, vamos evitar que nos vejo.
_ Eu acho que~não funcionou.
_ O que?
_ Ele já nos viu. - e Kate acenou.
_ Por que está acenando? Quem é você? - perguntou de forma rude e grossa.
_ Como assim? - e gracejou.
_ O que a transformou nessa mulher tão longe dos pudores de uma mulher recatada?
_ Antes de tudo uma mulher. - afirmou.
_ A... a... - ele ficou sem palavras.
_ Olá, Evan. - cumprimentou o tenente.
_ Boa noite, Minor. - Evan falseou um sorriso e um aperto de mão. Bem como a conversa que se estendeu até o fim do evento.
Passava das duas da manhã, quando o último convidado, Minor, foi embora.
_Incrível como esse cara consegue ser inconveniente.
_ Só está fazendo o trabalho dele.
_ O trabalho dele é me seguir numa galeria de arte?
_ Não é óbvio para você?
_ Volto a perguntar? Por que está tão insinuosa?
_ Desculpe. Mas para mim é óbvio que estão te achando o maior suspeito da morte de seu pai.
_ Como ousa imaginar isso!?
_ Subestimei sua inteligência. Acredito que ela só venha com música.
_ O que está dizendo? Que sou cego? Burro?
_ Exatamente. - Kate colocou a mão sobre a cintura e seu vestido dobrou-se num ângulo perfeito, tornando sua silhueta incrivelmente esbelta.
Naquele instante, o tango do jantar, da noite do homicídio, voltou a tocar.
_ O que está fazendo Kate?
_ Dançando. - ela recontorcia-se sobre o próprio corpo e empinava os glúteos como se carregasse centenas de plumas sobre as costas.
Lenta e articulosamente, como em ardente paixão por si mesma.
_ Por que isso?
_ Estou sentindo a minha paixão fluir, Evan.
_ O que?
Aos poucos Kate tomou o salão, dançando como ele jamais sabia que ela poderia dançar.
_ E tenho paixão em mim. - parou e retirou seu vestido, ficando apenas com a parte debaixo da lingerie.
Evan desconcentrou-se com tamanha sensualidade.
Ela esticou os braços e com movimentos de retorno os dobrou contra o peito para abrí-los novamente como as asas de um grande pássaro.
Os seios firmes estavam sedosos, uma pinta no esquerdo ascendia os pensamentos de Evan.
Ao aproximar-se dele, Kate embrulhou seu rosto no pescoço dele, e fez o mesmo com o rapaz em seguida.
O tango conhecido chegava, novamente ao fim, e Kate andou até o bar. Jogando os cabelos para o lado encheu uma taça de champanhe. Tomou um gole longo e aproximou-se de Evan.
Evan retirou-se para os confins da propriedade dos Bastor. Sentou-se na grande poltrona vermelha e lá estendeu as pernas; atracado, com os braços esticados, dependurou sua mão com uma taça de champanhe. As pequenas bolhas subiam e estouravam logo à borda do copo, fazendo com que pequenas gotículas do líquido pousassem em sua mão.
A noite caiu; a lua cheia despertava a incisão de ruas claras, mas que, apesar de trazerem pedestres, continuavam perigosas.
Cerca de três e meia da manhã, algo o acordou. Estavam tocando a campanhia da mansão.
Evan coçou os olhos, apertando-lhes com os dedos; depois, voltando a si:
_ Quem será a essa hora? - disse olhando no relógio, que marcava a madrugada propensa.
Puxou o fone:
_ Quem é? - com a voz rouca do sono.
_ Evan! Sou eu! - a voz de mulher indicava que poderia ser Kate.
_ Kate?
_ Sim! Por favor, deixe-me entrar! - estava com um ar estranho e gritando praticamente.
Ao abrir a porta de casa, Kate saltou sobre o corpo de Evan e o abraçou, a respiração estava forte, ela estava ofegante e com a roupa úmida.
_ Evan! Evan! - repetia seu nome enquanto o apertava cada vez mais forte, como se tentasse buscar proteção.
_ O que está acontecendo?! Explique, antes que tenha um colapso! - ele começava a se exaltar pelo nervosismo dela.
_ Tentaram me sequestrar! Na galeria, me pegaram de surpresa, e não sabia para onde ir!
_ Conte o que aconteceu.
_ Me abordaram na porta da galeria, quando eu estava fechando; me deram um soco acho, mas não lembro de mais nada. Acordei a pouco jogada aqui perto, e não pensei em outro lugar que pudesse ir.
_ Acalme-se. Nós vamos à delegacia.
Evan a pegou e foram para a delegacia.
Logo na entrada, o tenente Minor reconheceu o rosto de Evan e lhe perguntou o que havia acontecido.
_ Minha namorada, ela sofeu um sequestro; e foi largada na rua.
_ Venha por aqui. - e Minor os levou ao delegado.
Passado um tempo, e o Sol tendo nascido, as coisas se acalmaram.
_ Não entendo porque alguém faria isso com você.
_ Nem eu, meu querido. Não tenho nada, não tenho posses nem influência.
_ O que é isso? Por que está falando desse jeito?
_ De que jeito? - Kate perguntou num tom mais amargo.
_ Nada... devo ter imaginado algo. - Evan distraiu-se.
A semana seguiu. As investigações do homicídio de Andrew Bastor estava complexa. O assassino não havia deixado pista alguma de sua autoria, a não se o beijo na testa, mas seria muito difícil encontrar alguém com tal impressão de pele. A autoria era desconhecida.
Andrew era um homem muito rico e poderoso, possuia muitos amigos, e inimigos também.
Certa vez, Evan foi chamado novamente à delegacia, o delegado insistia em saber detalhes da vida de seu pai, e se tinha ciência de algum inimigo capital, ou da ocorrência de ameaças não registradas.
Inútil.
O que incomodava Evan, era o fato de o tenente Minor sempre estar ao seu lado, como se quisesse algo, Evan até desconfiou que o tenente poderia estar envolvido.
Quando Rodrigo Minor saiu da carvoraria fora por motivos de imprudência. Cometeu erro grave ao deixar cerca de quinze homens entrarem na zona de abastecimento, fora do horário permitido.
A conseqüência foi a morte dos quinze homens, todos esmagados por toneladas de carvão.
Evan achava estranho ter conseguido um emprego na polícia, mas lembrou que seu pai, certa vez, disse q pagaria sua dívida de alguma forma.
Casos a parte, Evan tinha suspeitas, ainda que antagônicas, sobre Minor.
No sábado, a galeria de Kate abriu a mostra de Munch. Os rostos que gritavam delizavam por paredes negras de forte impacto visual. Você poderia ser dotado de qualquer faculdade mental, mas naquela ocasião, com certeza todas estavam jogadas ao chão, tamanho caráter hipnótico das telas.
_ Kate. - acenou Evan.
_ Olá meu amor. - e o beijou profundamente no rosto.
_ Deixou uma marca em mim. - disse sorrindo.
_ Apenas um borrão de batom.
_ Seus lábios de maçã.
E ela sorriu.
Nisso alguém surgiu, um convidado surpresa.
_ Oh, Meu Deus! Não aguento mais ele. - desabafou.
_ Quem? - Kate procurou alguém que pudesse vizualizar.
_ O tenente Minor. Está aqui na exposição. Não olhe, vamos evitar que nos vejo.
_ Eu acho que~não funcionou.
_ O que?
_ Ele já nos viu. - e Kate acenou.
_ Por que está acenando? Quem é você? - perguntou de forma rude e grossa.
_ Como assim? - e gracejou.
_ O que a transformou nessa mulher tão longe dos pudores de uma mulher recatada?
_ Antes de tudo uma mulher. - afirmou.
_ A... a... - ele ficou sem palavras.
_ Olá, Evan. - cumprimentou o tenente.
_ Boa noite, Minor. - Evan falseou um sorriso e um aperto de mão. Bem como a conversa que se estendeu até o fim do evento.
Passava das duas da manhã, quando o último convidado, Minor, foi embora.
_Incrível como esse cara consegue ser inconveniente.
_ Só está fazendo o trabalho dele.
_ O trabalho dele é me seguir numa galeria de arte?
_ Não é óbvio para você?
_ Volto a perguntar? Por que está tão insinuosa?
_ Desculpe. Mas para mim é óbvio que estão te achando o maior suspeito da morte de seu pai.
_ Como ousa imaginar isso!?
_ Subestimei sua inteligência. Acredito que ela só venha com música.
_ O que está dizendo? Que sou cego? Burro?
_ Exatamente. - Kate colocou a mão sobre a cintura e seu vestido dobrou-se num ângulo perfeito, tornando sua silhueta incrivelmente esbelta.
Naquele instante, o tango do jantar, da noite do homicídio, voltou a tocar.
_ O que está fazendo Kate?
_ Dançando. - ela recontorcia-se sobre o próprio corpo e empinava os glúteos como se carregasse centenas de plumas sobre as costas.
Lenta e articulosamente, como em ardente paixão por si mesma.
_ Por que isso?
_ Estou sentindo a minha paixão fluir, Evan.
_ O que?
Aos poucos Kate tomou o salão, dançando como ele jamais sabia que ela poderia dançar.
_ E tenho paixão em mim. - parou e retirou seu vestido, ficando apenas com a parte debaixo da lingerie.
Evan desconcentrou-se com tamanha sensualidade.
Ela esticou os braços e com movimentos de retorno os dobrou contra o peito para abrí-los novamente como as asas de um grande pássaro.
Os seios firmes estavam sedosos, uma pinta no esquerdo ascendia os pensamentos de Evan.
Ao aproximar-se dele, Kate embrulhou seu rosto no pescoço dele, e fez o mesmo com o rapaz em seguida.
O tango conhecido chegava, novamente ao fim, e Kate andou até o bar. Jogando os cabelos para o lado encheu uma taça de champanhe. Tomou um gole longo e aproximou-se de Evan.
_ Beije-me.
Evan a beijou sem mais se importar com suas mudanças. O vulgar daquele momento havia se tornado em fascinante e sensual. Kate era magra, fina e elegante.
Após um beijo demorado, o batom de Kate havia borrado. Ela tomou outro gole de champanhe.
_ Kate, sabes me fazer sucumbir.
Ela sorriu.
Naquele instante, Evan olhou para a taça e viu a prova da maior de suas irresponsabilidades.
_ Lábios redondos... - surrou.
_ Não sou Kate.
Minor apareceu e acertou a cabeça de Evan com um pedaço de madeira.
Continua...
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