terça-feira, 24 de junho de 2008

A Ira de Morgan - Final


Morgan levantou do chão, onde estava jogado e percebeu que estava amarrado por uma camisa de força. Tentou se soltar e ao ver que não conseguia, começou a gritar aterrorizada e a bater contra as paredes, nem ao menos sabia onde era a porta daquele lugar; as paredes eram todas iguais.

_ Me tirem daqui!

E chorava. Se contorcia no chão; gritava nomes feios e sujos.

_ Malditos! Desgraçados! Me deixem sair! Eu mato vocês! Mato todos!

Num dos cantos da sala havia uma câmera praticamente invisível. Do outro lado, diversos médicos olhavam a reação de Morgan, que continuava se debatendo, e gritando no quarto.

Morgan estava na Casa de Reabilitação San Cristovan, um pouco distante da cidade; era um manicômio disfarçado de hospital. As pessoas nem sequer recebiam tratamento adequado; eram feitas experiências, torturas e utilizados meios não muito convencionais, éticos ou respeitados.

Eis que Morgan chorou por cerca de três dias sem parar; nem ao menos dormiu. Os cientistas acharam aquilo magnífico, o garoto tinha algo de incomum.

Naquele dia Morgan dormiu.

Em meio a noite, e ele não tinha idéia alguma de tempo naquele local, a porta abriu, e ele entreabriu os olhos. A figura do cientista louco que sempre vira nos filmes de terror dispuisera-se à sua frente.

_ O que quer de mim?!

_ Apenas o seu bem, Morgan. - o rosto se aproximou.

O garoto teve a forte impressão da cara distorcida do médico, que parecia maligna.

_ Saia daqui! Me deixe em paz! Monstro maldito! Demônio!

_ Não sou um demônio! - e o rosto do médico distorcia-se ainda mais.

_ Saia! - gritou tão fortemente, que os tímpanos do médico explodiram, fazendo suas orelhas sangrarem.

Morgan continuou gritando, o quarto inteiro pôs-se em chamas.

A televisão dos outros médicos que assistiam a cena, também era das mais grotescas. Morgan caminhava pelas paredes, e seu pescoço girava 360 graus. O médico jogado ao chão estava imóvel; e o quarto não pegava fogo.

Mas a cena era diferente.

Morgan libertou-se da camisa de força, e saiu correndo pelos corredores. Diversos enfermeiros foram atrás dele, mas era impossível alcançá-lo. Foi qaundo percebeu que seria cercado; encontrou uma sala de produtos de limpeza e lá se escondeu.

_ Não vão me achar aqui. - o garoto não parava de suspirar, estava com medo e confuso.

Pode-se ouvir o barulho das cirenes dos bombeiros. Cerca de seis quartos do hospital pegaram fogo. Exausto, Morgan dormiu.


Os bombeiros não estavam mais lá. Uma patrulha saiu em busca do fugitivo; e a grande maioria dos empregados estava em horário de descanso.

Era madrugada quando as sapatilhas vermelhas entraram no hospital San Cristovan.

Caminhavam lentamente. Até que chegaram à porta 333.

_ Catherine... - disse a voz rouca.

O rosto de Catherine apareceu na janela; os olhos estourados em veias, e as olheiras profundas de choro.

_ Quem está aí?!

_ Eu!

A pessoa mostrou seu rosto; e Catherine deu um grito de horror!

_ Esses olhos vermelhos! Não! - Kate gritava tanto, que seus pulmões começaram a jorrar sangue; e a manchar as paredes brancas almofadadas.

A porta do quarto se abriu.

A pessoa de sapatilhas vermelhas começou a andar pelos corredores; e Catherine veio logo atrás flutuando em forma de crucifixo.


Morgan resolveu sair da sala.

_ Tenho que sair daqui.

Começou a correr pelos corredores brancos e não encontrava uma saída sequer. Nisso, viu um rastro vermelho na parede de um escritório. Ficou curioso e resolveu entrar.

Foi abrindo a porta aos poucos, e quando a abriu, viu uma mulher esfaqueada dependurada na parede.

_Ah! - Morgan assustou-se tanto que recolheu-se para trás. Tarde, esbarrou em um enfermeiro do hospital; que o pegou.

_Peguei!

_ Me solta!

O enfermeiro viu a mulher esfaqueada e ficou extremamente surpreso.

_ Meu Deus! O que você fez?! Maldito! - e deu um soco na cara de Morgan, que caiu ao chão.

Naquele momento ela falou.

_ Não foi ele que fez tal coisa.

Morgan virou-se, estava com o rosto inchado.

_ Alicia?!

As sapatilhas vermelhas eram de Alicia; e logo atrás da garota, Catherine estava firme e parada; de pé.

_ Mamãe?!

Catherine estava com a pele um pouco roxeada, e os olhos muito vermelhos. Alicia, imóvel, também com os olhos vermelhos, e a pele branca e sedosa.

_ Foi você! Você matou aquelas pessoas!

_ Não Morgan! Eu apenas matei alguns. Você que destruiu a nossa escola; você que matou a todos naquele dia! Sua raiva foi maior que o poder que reina em mim!

_ Você está louca!

_Não! - gritou com voz grossa e demoníaca.

Morgan assustou-se.

_ O nosso pai nos abençôou com um poder magnífico! Mas a sua dádiva ainda está em nossa mãe!

_ Que dádiva? Ser perverso! Eu espurgo você! - gritou Morgan.

_ Hahahahahaha! Não me faça rir! Muleque insolente! Você morrerá! Somente eu serei forte!

Morgan afastou-se com a figura aterrorizante de Alicia, que estava deformada, e começou a levitar.

O garoto olhou para trás e viu o enfermeiro correndo; levantou e passou a correr também.

_ Não fuja! - o corpo de Alicia pegou fogo, e ela veio tomando todo o corredor com uma bola de fogo imensa; Catherine caminhava lentamente pelas chamas, e ia em direção dos filhos.

Morgan correu por corredores intermináveis, até que achou a saída. Na rua encontrou o Padre George da Igreja de São Miguel, que estava de carro.

_ Vamos, Morgan! Entre!

Morgan olhou para o padre e para trás.

_ Rápido! - gritou o padre.

_ Padre o que está havendo? O que está acontecendo?

O padre acelerou e foram embora do manicômio, que ao longe foi visto pegar fogo.

_ Temos que ir para a Igreja Morgan.

_ Não me disse ainda.

_ Sua irmã! Ela está possuída por um demônio muito forte.

_ O que?

_ Exato, sua ãvó me contou, que o pai de vocês, na verdade estuprou sua mãe.

_ E quem era ele?

_ Javier Naidrune.

Aquele nome ecôou na cabeça de Morgan, e ele teve um choque, que quase o fez perder os sentidos.

_ O que houve? - perguntou o padre.

_ Esse nome.

_ Era um padre como eu. Mas deixou-se corromper por escrituras antigas, que não velavam o nome de Deus.

O padre respirou.

_ Anos depois, soube que ele havia se tornado um... demônio.

_ E por que matei aquelas pessoas?!

_ Você não as matou. Você criou uma defesa dentro de si. Ela as matou. Um polltergeist.

_ O que vai fazer?

_ Vou expulsar o demônio de sua mãe e de sua irmã.


Na Igreja de São Miguel...


_ Barcelos! - urrou Alicia, feroz e desmedida.

O padre apareceu, e Morgan logo atrás.

_ Está na casa de Deus, monstro!

_ Não me faça rir mais uma vez. Seu Deus é inútil para você, agora! Eu sou Deus!

Morgan caminhou à frente de Alicia e começou a falar.

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança.

_ Cale a boca, imbecil!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!

_ Idiota suas preces não serão de nada!

_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!!! - Morgan gritou com raiva.

_ Cale a boca, Morgana! - disse o demônio com forte ar de sátira.

Os olhos de Morgan ficaram brancos, e ele saiu do chão, passando a levitar a alguns metros do chão.

Catherine que estava logo atrás, começou a se sentir tonta. A corrente de ar começou a sorprar para cima, sendo puxada por Morgan.

Naquele momento, o demônio encarou o padre que manteve-se firme e começou a rezar.

_ Por clemência à Deus! Eu expurgo você! Eu expurgo você!

_ Afaste-se, homem idiota! Desgraçado! Maldito!!!! - demônio gritava.

Foi quando Morgan abriu os braços, e abrindo a boca com um suspiro, gritou tão forte, que todos os vitrais quebraram.

Catherine começou a gritar também, e uma bola negra saiu de sua boca, entrando em Alicia.

A gorata possuída caiu ao chão, e começou a respirar exaustivamente.

_ Eu expurgo você!! Eu expulso você!! Saia do corpo desta menina!

_ Ela é minha!! Minha! Nossa! Velho idiota!

De repente Morgan revirou os olhos em branco, e rompeu a corrente que carregava no pescoço. como um anjo foi descendo do levitar. Delicadamente, uma luz divina saia de seu corpo, até que chegou a Alicia, e firmou o crucifixo em sua testa.

_ Eu expulso você. - disse.

Alicia se fez calma, e começou a babar uma água branca; caindo ao chão de olhos abertos.

Morgan a deitou no chão.


_ Morgan. Conseguimos. sua irmã está livre.

_ Morgan. - disse Catherine.

_ Mamãe!

E os dois se abraçaram.

_ Você está bem?

_ Agora estou, meu filho.

_ Obrigado padre. - disse Morgan ao voltar-se para ele.

Mas, naquele momento, Morgan ficou sério. Seus olhos ficaram brancos, e ele passou a levitar.

_ Eu ainda não acabei! - disse Alicia se levantando do chão.

Morgan levitou e ficou em formato de cruz.

_ Morgan! - gritou o padre.

_ Alicia!

_ Cale a boca! - e deu um soco na mãe - Sua puta!

Alicia abriu uma sacola que trazia e mostrou milhares de facas.

_ Vou cortar essa menina!.

Pegou uma das facas e começou a se furar; a rasgar os braços. E depois, passou a língua, a cortando também, sobre o sangue da faca.

_ Hahahaha! Não pode me vencer!

Catherine olhou para o chão e viu uma das facas de Alicia.

O coração batia forte, cauteloso e maldito.

Catherine pegou a faca comos e fosse sua última esperança, queria se livrar daquele pesadelo.

Alicia pressentiu algo. O padre George havia olhado para Catherine.

_ Morra! - gritou Kate ao ir para cima da filha com a faca.

Alicia levantou a mão, e Morgan em cruz, foi jogado contra a parede. todas as facas da sacola voaram contra Morgan, o esfaqueando completamente.

Catherine afundou a lâmina no pescoço de Alicia.

_ Como pode? - disse Alicia chorando lágrimas de sangue.

Alicia morreu.

Catherine olhou para seu filho Morgan, crucificado por dezenas de facas; e depois para Alicia. Não pode fazer outra coisa. Caiu ao chão e passou a chorar.

O padre George a abraçou.


No dia seguinte foi o velório de Alicia. Morgan, inacreditavelmente, havia sobrevivido, mas estava em coma.


O final não acaba aqui.


Mas terão que esperar para ver.



FIM?

3 comentários:

Unknown disse...

cara adorei a historia, fez me lembrar muito de uns filmes "constantine, fim dos dias, silencio dos inocentes, dragão vermelho e heniball" apesar que ate me assustou um pouco por ser pouco macabro, mas a historia esta um maximo, espero a continuação, e saber o que espera o futuro de caterine e principalmente o morgan...exelente!!!!
ate mais guilherme
estou apostando
huahuahuahuahuahua
fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!
paulo cesar

L. Medjai disse...

Ia mandar por scrap, porém percebi que não tinha como. Sei lá, só queria responder ao seu "status" do profile: don´t be scaried at all. Até o vazio faz parte de alguma coisa, talvez até mais do que o infinito. Muitas pessoas entendem tão bem do vazio, que acabam preferindo aceitar ser um. :)

Enfim, se cuida.
E ah, sou apenas o vampiro que você esperava que não passasse por seu profile.

Anônimo disse...

nossa... intenso! simplismente adorei!

http://www.fotolog.com/evstudio