quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Ira de Morgan - Parte I


Catherine era uma jovem de vinte e cinco anos que morava com seus pais na Rua Dielden, e levava uma vida pacata e sem grandes acontecimentos. Trabalhava um pouco longe no Hospital Bürman onde era enfermeira, e temia sempre que seu pai não podia buscá-la pois estava doente. Isso porque o caminho era perigoso demais para uma moça sozinha estar desacompanhada a certas horas da noite.


E foi num dia em que a pressão de seu pai estava muito alta, que ela teve que ir embora sozinha. Saiu por volta das dez da noite do hospital e pegou o ônibus que a levaria próximo de sua casa. ao chegar já se aproximava das onze e meia, e ainda teria que descer três ruas, passando por caminhos escuros e tenebrosos.


Nisso, ouviu uma lata cair logo atrás dela; virou-se com muito medo e viu que se tratava apenas de um gato que batera numa lata de lixo.


Catherine estava amedrontada e seus joelhos tremiam; pressentia sombras ao seu redor. As paredes das casas pareciam escurecer, e ela não sabia se estava vendo coisas, ou se sua visão estava degenerando pelo medo.


Decorre que as luzes da rua começaram a apagar de trás pra frente; e numa reação impensável ela começou a correr com medo de ser-lhe retirada a claridade. A cada passo, a cada suspiro sentia seu coração palpitar no entermeio de suas veias. Mas ela não conseguiu, e a escuridão tomou a rua inteira com um chiado agudo.


Ela parou suspirando; o ar de seus pulmões se tornava nuvem em frente a seu nariz gelado naquela noite fria. Em meio às sombras ela olhou para cima, e o céu negro havia se juntado com as paredes das casas geminadas. Os tijolos já não eram mais vermelhos.


Sentia o vento arcar sua roupa e levantar sua saia; eis que olhou para trás e viu um vulto passar nitidamente de um lado da rua à outro.


Tentou gritar, mas de sua boca aberta saiu apenas ar. O susto surdo e mudo fez seus olhos se arregalarem tamanhamente, que uma veia saltou repleta de sangue. Catherine não sentia suas pernas, mas começou a correr euforicamente pelas ruas tentando achar sua casa o mais rápido possível.


Passado um instante conseguira chegar à sua porta. Mas a casa também estava sem luz e negra. Tentou pegar o molho de chaves dentro de sua bolsa, mas foi inútil, esqueceu que tinha ido sem as chavez naquele dia; começou a bater na porta.


_ Mamãe! Abra, por favor! - gritava surrando a porta.


De repente, ao olhar para o outro lado da rua, sentiu uma lágrima rolar em suas maçãs tamanho o terror que sentiu naquele momento. O vulto, que parecia um homem vestido com uma capa preta começou a dar passos em direção a Catherine. Sentiu-se horrorizada e começou a bater compulsivamente na porta; gritava sem parar, mas seus gritos não reproduziam som algum.


Foi quando ela viu alguém se aproximar da porta do lado de dentro da casa, tratava-se de sua mãe.


_ Mãe! - gritou num som rouco e mudo.


A mãe de Catherine abriu a porta. Num ato de desespero, ela tentou abraçar a mãe; mas era como se fosse um fantasma, e acabou caindo ao chão. A mãe de Catherine não a estava enxergando; apenas olhou de um lado a outro na rua e disse:


_ Como está frio. - abraçou-se tentando se esquentar, e entrou, batendo com a porta na cara da filha, sem enxergá-la.


_ Não! - ela gritou sem reação alguma.


Ao virar-se viu o vulto sorrir, mas ainda sem mostrar o rosto; então voltou a correr rua acima tentando fugir, ou encontrar alguém. Não sabia o que estava fazendo e muito menos o que tinha acontecido, mas não queria deixar aquilo chegar perto dela.


Foi quando seus passos se tornaram cansados e ela viu o homem parado atrás dela. De repente ele correu em disparada ao seu encontro. Catherine gritou até o ar de seus pulmões se converter em sangue; e viu aqueles olhos vermelhos naquele rosto velho e branco avançarem em seu rosto.


O vulto saltou em cima dela, e a jogou até um beco, onde arrancou suas roupas.


A língua do velho asqueroso salgou seu rosto e seus seios que ficaram completamente expostos. Os olhos vermelhos dele a deixaram perplexa que nem ao menos sentiu dor ao ser estuprada. O velho gemia e mantinha um vigor selvagem, como se fosse um bicho; e ao final, ao corromper a carne dela uivou como um demônio, e lhe deu um tapa na cara. Saiu correndo em meio a noite, levando consigo a escuridão das ruas.


As luzes voltaram.


Naquele momento, Catherine estava completamente nua; com o corpo enxarcado em sangue; de olhos abertos e com a boca babenta.


No dia seguinte seus pais estavam extremamente preocupados, mas ouviram as sirenes das ambulâncias pela rua; saíram ainda de roupão e viram sua filha sendo levada.


_ Catherine! - gritou sua mãe.


Ela estava chocada e ainda com os olhos abertos hipnotizados pelo vermelho demoníaco.




Passou-se algum tempo e Catherine se recuperou; havia passado um ano em estado vegetativo; tentando encontrar um caminho em sua alma para voltar.


Quando saiu do coma foi levada para casa.




Naquele dia, seu pai a trouxe, e, estranhamente, Catherine já não guardava tamanho trauma em si, podia andar naquelas ruas que não se recordava euforicamente; sabia o que tinha acontecido, mas aquilo não mais a perseguia.

Entretanto, ao abrir a porta viu a mãe coçando as mãos.


_ O que houve mamãe?


_ Bem...


_ Pode dizer. - disse calmamente.


_ Tenho que lhe apresentar a duas pessoas. - a mãe ficou parada e depois virou-se, no intuito dela acompanhar-lhe.


Nisso, ela mostrou um berço, onde havia duas crianças.


_ De quem são esses bebês? - disse Catherine já um tanto nervosa.


_ São Alicia e Morgan...


Suspirou em meio à perplexidade de Kate.


_ São seus filhos; disse chorando, enquanto a garota afundava seus olhos nas crianças em pânico.



Continua...






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