domingo, 4 de maio de 2008

Oh July, my Julyberry! (Parte II)


_ Sim. - disse July maravilhada ao encontrar as pupilas do desconhecido em conssonância com a sua, de modo que os rancores do violino sopraram por entre seus dedos até alcançarem seus ouvidos suavemente.

Bogher percebeu que ela não estava olhando para ele ao dar a resposta; e a pegou delicadamente pelo rosto; rogando um olhar de desprezo ao violinista. O rapaz logo se distanciou, e continuou a melodia.

July ainda sorria abertamente quando se deparou estar olhando para Bogher, aquele que queria ser noivo; o que acabara de lhe pedir em casamento.

_ Que bom que aceitou minha linda! - disse Bob um tanto desconcertado, mas feliz com o sim - ainda que suspeitasse não ter sido para ele.

July~também estava pasma, e sorriu falsamente, com ares de desespero ao confirmar o sim.

Bogher se sentiu maravilhado e a abraçou. Mas ela reprimiu os olhos como se quisesse sair correndo daquela mansão naquele instante. Do outro lado do abraço, Bob mandou que o violinista se retirasse.

_ Saia! - sussurrou.

Naquela noite, Bogher e July não mais conversaram. O pedido de casamento acabou sendo frio, metódico e a resposta forçada, e muito, por um devaneio que July não quis contar.

Ao chegar em casa ela deitou-se sem ao menos tirar a roupa do corpo; e tentou dormir imaginando que nunca tinha visto aquele violinista.

_ Não seja tola! Eu não posso ter me apaixonado por um simples olhar!

Dormiu.

No dia seguinte tinha acordado melhor, mas aquela musiquinha não tinha saído de sua cabeça. Continuava a pensar nos detalhes, mas o rosto do jovem lhe era um borrão. Por incrível que pareça, sorria por se lembrar de alguém do qual não recordava mais; e como se essa pessoa lhe tivesse feito um pedido de casamento.

_ Eu sempre quis me casar! Bogher é um excelente partido! Não posso perder essa oportunidade, ele me dará estabilidade, um lugar bonito para viver, jantares... e aquela comida horrível! - suspirou - Burra, você se apaixonou. - pegou a bolsa e foi para a faculdade.


A Faculdade de Londres ficava ao lado da Grande Escola de Música; e aquele meio se tornava um grande primor em artes; juntamente com a Faculdade de Artes Cênicas.

Chegando um pouco atrasada viu um jovem caindo no chão com seu Trompete gigantesco; e sentiu pena, foi lá ajudar.

July pegou o trompete com o menino e o ajudou a levantar.

_ Você está bem? - disse carinhosamente ao perceber que se tratava de um incidente naquele ano.

_ Estou, obrigado!

_ Lil! - gritava um homem logo atrás.

_ Oh! - suspirou July.

_ Lil você está bem? - perguntou o rapaz.

_ To sim! Essa moça me ajudou.

Quando ele olhou-a teve um choque.

_ A... a...

_ Oi! - e sorriu.

_ Sim... Oi... Bem, meu nome é Rob; esse é meu irmão Lil; ele estuda música aqui.

_ Sou July, faço gastronomia aqui ao lado.

_ Me desculpe! - disse admirando-a.

_ Por que? - ela comentou tentando não possuir um flerte insinuativo.

_ Bem! Eu vou indo! Estou atrasado. - disse Lil.

_ Sim Lil pode ir! July... - e sorriu.

_ Eu tenho que ir. Estou atrasada, que nem seu irmão.

_ Tudo bem. A... desculpe de novo, ontem foi sem querer.

_ Não tem problema senhor violinista. Eu estava apenas ouvindo a música.

_ Haha. - riu.

_ Até. - ela cumprimentou de longe.

_ Até. - ele retribuiu.

E foram andando. Da porta da faculdade July virou-se e viu que o violinista estava parado olhando para ela. Ela sorriu novamente e foi falar com ele.

_ Você não tem aula? - perguntou.

_ Não! - sorriu docemente.

Caminharam aos arredores e depois por um parque que ficava próximo, contando sobre o que faziam. July falou sobre seus dotes culinários, e que estava namorando Bogher. E Rob contou que era violinista da orquestra londrina; mas naquela noite havia tocado no jantar dela, a pedido de seu tio; o pai de Bogher.

_ Jura que são primos?!

_ Sim, somos. Não temos absolutamente nada a ver; mas somos sim. Eu sou o Landfell desgarrado dos bons costumes da família.

_ Oh! Eu acho ótimo, eles acabam sendo engomadinhos demais. Eu fui atendida por 5 criadas!

_ É que a sexta estava de folga.

_ Hahahaha. Você sempre faz piadinhas com sua família?

_ Sempre que consigo achar uma boa, sim.

E sorriram juntos.

_ Escute, July. - e parou respirando. - Eu fantasiei que você tinha dito aquilo pra mim ontem a noite. Não consegui respeitar seu aniversário.

_ Não tem problema. Eu mesma fiquei pensando nisso a noite inteira.

_ Sério?

_ Sim. Eu não quero me casar com Bogher ainda.

_ Entendo.

_ E...

Parou um pouco.

_ ... o sim não foi pra ele.

Rob parou e olhou-a profundamente.

_ Esse olhar eu já conheço. - disse July.

_ Teria sido ótimo se o sim fosse pra mim.

Os rostos se aproximaram e os dois se beijaram.


Mas na outra esquina, em seu carro, Bogher via a cena e explodia em fúria. Num ato medíocre e obscecado ele partiu em alta velocidade para cima dos dois na calçada do parque.

As pombas que depositavam seus bicos à beira das poças planaram exasperadas.

O vento soprou pelos cabelos de July fazendo com que ela afastasse o rosto de Rob, temendo que algo aconteceria.

Naquel momento; as tortas de framboesa caíram da última prateleira do mosaico de mogno; explodindo seu doce recheio pelo chão.

AS crianças viram o carro e correram pelas ruas.

Os olhos de Bogher dilataram ficando muito vermelhos.

Rob virou-se naquele momento; e sentiu as cordas dos violinos estourarem em seus ouvidos.

O agudo foi tão forte, que se juntou ao grito de July, quando viu Bob arrancar por cima da calçada; e ao Rob lhe empurrar contra a grama; enquanto era elevado e lançado por cima do capô.

O carro de Bogher bateu fortemente numa árvore do parque.

July caiu ao chão ainda gritando em terror; havia rasgado suas mãos no asfalto e as sujado com a framboesa jogada.

Rob sujou o corpo com seu sangue; e apenas uma corda de violino sobrou.

_ Rob!!!!!


Continua...


2 comentários:

Gustavo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gustavo disse...

Ja li um pedaço da parte III