
Morgan levantou do chão, onde estava jogado e percebeu que estava amarrado por uma camisa de força. Tentou se soltar e ao ver que não conseguia, começou a gritar aterrorizada e a bater contra as paredes, nem ao menos sabia onde era a porta daquele lugar; as paredes eram todas iguais.
_ Me tirem daqui!
E chorava. Se contorcia no chão; gritava nomes feios e sujos.
_ Malditos! Desgraçados! Me deixem sair! Eu mato vocês! Mato todos!
Num dos cantos da sala havia uma câmera praticamente invisível. Do outro lado, diversos médicos olhavam a reação de Morgan, que continuava se debatendo, e gritando no quarto.
Morgan estava na Casa de Reabilitação San Cristovan, um pouco distante da cidade; era um manicômio disfarçado de hospital. As pessoas nem sequer recebiam tratamento adequado; eram feitas experiências, torturas e utilizados meios não muito convencionais, éticos ou respeitados.
Eis que Morgan chorou por cerca de três dias sem parar; nem ao menos dormiu. Os cientistas acharam aquilo magnífico, o garoto tinha algo de incomum.
Naquele dia Morgan dormiu.
Em meio a noite, e ele não tinha idéia alguma de tempo naquele local, a porta abriu, e ele entreabriu os olhos. A figura do cientista louco que sempre vira nos filmes de terror dispuisera-se à sua frente.
_ O que quer de mim?!
_ Apenas o seu bem, Morgan. - o rosto se aproximou.
O garoto teve a forte impressão da cara distorcida do médico, que parecia maligna.
_ Saia daqui! Me deixe em paz! Monstro maldito! Demônio!
_ Não sou um demônio! - e o rosto do médico distorcia-se ainda mais.
_ Saia! - gritou tão fortemente, que os tímpanos do médico explodiram, fazendo suas orelhas sangrarem.
Morgan continuou gritando, o quarto inteiro pôs-se em chamas.
A televisão dos outros médicos que assistiam a cena, também era das mais grotescas. Morgan caminhava pelas paredes, e seu pescoço girava 360 graus. O médico jogado ao chão estava imóvel; e o quarto não pegava fogo.
Mas a cena era diferente.
Morgan libertou-se da camisa de força, e saiu correndo pelos corredores. Diversos enfermeiros foram atrás dele, mas era impossível alcançá-lo. Foi qaundo percebeu que seria cercado; encontrou uma sala de produtos de limpeza e lá se escondeu.
_ Não vão me achar aqui. - o garoto não parava de suspirar, estava com medo e confuso.
Pode-se ouvir o barulho das cirenes dos bombeiros. Cerca de seis quartos do hospital pegaram fogo. Exausto, Morgan dormiu.
Os bombeiros não estavam mais lá. Uma patrulha saiu em busca do fugitivo; e a grande maioria dos empregados estava em horário de descanso.
Era madrugada quando as sapatilhas vermelhas entraram no hospital San Cristovan.
Caminhavam lentamente. Até que chegaram à porta 333.
_ Catherine... - disse a voz rouca.
O rosto de Catherine apareceu na janela; os olhos estourados em veias, e as olheiras profundas de choro.
_ Quem está aí?!
_ Eu!
A pessoa mostrou seu rosto; e Catherine deu um grito de horror!
_ Esses olhos vermelhos! Não! - Kate gritava tanto, que seus pulmões começaram a jorrar sangue; e a manchar as paredes brancas almofadadas.
A porta do quarto se abriu.
A pessoa de sapatilhas vermelhas começou a andar pelos corredores; e Catherine veio logo atrás flutuando em forma de crucifixo.
Morgan resolveu sair da sala.
_ Tenho que sair daqui.
Começou a correr pelos corredores brancos e não encontrava uma saída sequer. Nisso, viu um rastro vermelho na parede de um escritório. Ficou curioso e resolveu entrar.
Foi abrindo a porta aos poucos, e quando a abriu, viu uma mulher esfaqueada dependurada na parede.
_Ah! - Morgan assustou-se tanto que recolheu-se para trás. Tarde, esbarrou em um enfermeiro do hospital; que o pegou.
_Peguei!
_ Me solta!
O enfermeiro viu a mulher esfaqueada e ficou extremamente surpreso.
_ Meu Deus! O que você fez?! Maldito! - e deu um soco na cara de Morgan, que caiu ao chão.
Naquele momento ela falou.
_ Não foi ele que fez tal coisa.
Morgan virou-se, estava com o rosto inchado.
_ Alicia?!
As sapatilhas vermelhas eram de Alicia; e logo atrás da garota, Catherine estava firme e parada; de pé.
_ Mamãe?!
Catherine estava com a pele um pouco roxeada, e os olhos muito vermelhos. Alicia, imóvel, também com os olhos vermelhos, e a pele branca e sedosa.
_ Foi você! Você matou aquelas pessoas!
_ Não Morgan! Eu apenas matei alguns. Você que destruiu a nossa escola; você que matou a todos naquele dia! Sua raiva foi maior que o poder que reina em mim!
_ Você está louca!
_Não! - gritou com voz grossa e demoníaca.
Morgan assustou-se.
_ O nosso pai nos abençôou com um poder magnífico! Mas a sua dádiva ainda está em nossa mãe!
_ Que dádiva? Ser perverso! Eu espurgo você! - gritou Morgan.
_ Hahahahahaha! Não me faça rir! Muleque insolente! Você morrerá! Somente eu serei forte!
Morgan afastou-se com a figura aterrorizante de Alicia, que estava deformada, e começou a levitar.
O garoto olhou para trás e viu o enfermeiro correndo; levantou e passou a correr também.
_ Não fuja! - o corpo de Alicia pegou fogo, e ela veio tomando todo o corredor com uma bola de fogo imensa; Catherine caminhava lentamente pelas chamas, e ia em direção dos filhos.
Morgan correu por corredores intermináveis, até que achou a saída. Na rua encontrou o Padre George da Igreja de São Miguel, que estava de carro.
_ Vamos, Morgan! Entre!
Morgan olhou para o padre e para trás.
_ Rápido! - gritou o padre.
_ Padre o que está havendo? O que está acontecendo?
O padre acelerou e foram embora do manicômio, que ao longe foi visto pegar fogo.
_ Temos que ir para a Igreja Morgan.
_ Não me disse ainda.
_ Sua irmã! Ela está possuída por um demônio muito forte.
_ O que?
_ Exato, sua ãvó me contou, que o pai de vocês, na verdade estuprou sua mãe.
_ E quem era ele?
_ Javier Naidrune.
Aquele nome ecôou na cabeça de Morgan, e ele teve um choque, que quase o fez perder os sentidos.
_ O que houve? - perguntou o padre.
_ Esse nome.
_ Era um padre como eu. Mas deixou-se corromper por escrituras antigas, que não velavam o nome de Deus.
O padre respirou.
_ Anos depois, soube que ele havia se tornado um... demônio.
_ E por que matei aquelas pessoas?!
_ Você não as matou. Você criou uma defesa dentro de si. Ela as matou. Um polltergeist.
_ O que vai fazer?
_ Vou expulsar o demônio de sua mãe e de sua irmã.
Na Igreja de São Miguel...
_ Barcelos! - urrou Alicia, feroz e desmedida.
O padre apareceu, e Morgan logo atrás.
_ Está na casa de Deus, monstro!
_ Não me faça rir mais uma vez. Seu Deus é inútil para você, agora! Eu sou Deus!
Morgan caminhou à frente de Alicia e começou a falar.
_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança.
_ Cale a boca, imbecil!
_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!
_ Idiota suas preces não serão de nada!
_ Por obséquio da santíssima trindade, eu invoco o meu senhor para que expurgue o demônio desta criança!!! - Morgan gritou com raiva.
_ Cale a boca, Morgana! - disse o demônio com forte ar de sátira.
Os olhos de Morgan ficaram brancos, e ele saiu do chão, passando a levitar a alguns metros do chão.
Catherine que estava logo atrás, começou a se sentir tonta. A corrente de ar começou a sorprar para cima, sendo puxada por Morgan.
Naquele momento, o demônio encarou o padre que manteve-se firme e começou a rezar.
_ Por clemência à Deus! Eu expurgo você! Eu expurgo você!
_ Afaste-se, homem idiota! Desgraçado! Maldito!!!! - demônio gritava.
Foi quando Morgan abriu os braços, e abrindo a boca com um suspiro, gritou tão forte, que todos os vitrais quebraram.
Catherine começou a gritar também, e uma bola negra saiu de sua boca, entrando em Alicia.
A gorata possuída caiu ao chão, e começou a respirar exaustivamente.
_ Eu expurgo você!! Eu expulso você!! Saia do corpo desta menina!
_ Ela é minha!! Minha! Nossa! Velho idiota!
De repente Morgan revirou os olhos em branco, e rompeu a corrente que carregava no pescoço. como um anjo foi descendo do levitar. Delicadamente, uma luz divina saia de seu corpo, até que chegou a Alicia, e firmou o crucifixo em sua testa.
_ Eu expulso você. - disse.
Alicia se fez calma, e começou a babar uma água branca; caindo ao chão de olhos abertos.
Morgan a deitou no chão.
_ Morgan. Conseguimos. sua irmã está livre.
_ Morgan. - disse Catherine.
_ Mamãe!
E os dois se abraçaram.
_ Você está bem?
_ Agora estou, meu filho.
_ Obrigado padre. - disse Morgan ao voltar-se para ele.
Mas, naquele momento, Morgan ficou sério. Seus olhos ficaram brancos, e ele passou a levitar.
_ Eu ainda não acabei! - disse Alicia se levantando do chão.
Morgan levitou e ficou em formato de cruz.
_ Morgan! - gritou o padre.
_ Alicia!
_ Cale a boca! - e deu um soco na mãe - Sua puta!
Alicia abriu uma sacola que trazia e mostrou milhares de facas.
_ Vou cortar essa menina!.
Pegou uma das facas e começou a se furar; a rasgar os braços. E depois, passou a língua, a cortando também, sobre o sangue da faca.
_ Hahahaha! Não pode me vencer!
Catherine olhou para o chão e viu uma das facas de Alicia.
O coração batia forte, cauteloso e maldito.
Catherine pegou a faca comos e fosse sua última esperança, queria se livrar daquele pesadelo.
Alicia pressentiu algo. O padre George havia olhado para Catherine.
_ Morra! - gritou Kate ao ir para cima da filha com a faca.
Alicia levantou a mão, e Morgan em cruz, foi jogado contra a parede. todas as facas da sacola voaram contra Morgan, o esfaqueando completamente.
Catherine afundou a lâmina no pescoço de Alicia.
_ Como pode? - disse Alicia chorando lágrimas de sangue.
Alicia morreu.
Catherine olhou para seu filho Morgan, crucificado por dezenas de facas; e depois para Alicia. Não pode fazer outra coisa. Caiu ao chão e passou a chorar.
O padre George a abraçou.
No dia seguinte foi o velório de Alicia. Morgan, inacreditavelmente, havia sobrevivido, mas estava em coma.
O final não acaba aqui.
Mas terão que esperar para ver.
FIM?
3 comentários:
cara adorei a historia, fez me lembrar muito de uns filmes "constantine, fim dos dias, silencio dos inocentes, dragão vermelho e heniball" apesar que ate me assustou um pouco por ser pouco macabro, mas a historia esta um maximo, espero a continuação, e saber o que espera o futuro de caterine e principalmente o morgan...exelente!!!!
ate mais guilherme
estou apostando
huahuahuahuahuahua
fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!
paulo cesar
Ia mandar por scrap, porém percebi que não tinha como. Sei lá, só queria responder ao seu "status" do profile: don´t be scaried at all. Até o vazio faz parte de alguma coisa, talvez até mais do que o infinito. Muitas pessoas entendem tão bem do vazio, que acabam preferindo aceitar ser um. :)
Enfim, se cuida.
E ah, sou apenas o vampiro que você esperava que não passasse por seu profile.
nossa... intenso! simplismente adorei!
http://www.fotolog.com/evstudio
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