sexta-feira, 2 de maio de 2008

Oh July, Julyberry


July sempre foi uma garota muito aplicada em seus estudos; e quando terminou o colegial se deparou com a questão do que iria fazer da vida. Porque, apesar de ser tão estudiosa jamais tinha se visto em nenhuma profissão em que pudesse utilizar o que havia aprendido na escola.

Uma coisa era certa, não queria ser médica, ou advogada, nem engenheira, nem mesmo atleta ou artista.

Então lembrou-se que todos os dias que chegava do colégio ia preparar o almoço junto com sua mãe. Sempre a surpreendia utilizando-se dos mais apurados temperos; e fazendo invenções extraordinariamente deliciosas.

Eis que ela se deparou com seu caminho, sua vida tomaria rumo.

_ Vou ser cozinheira! Uma cheff! Uma Gourmet!

July então entrou para a Faculdade de Culinária e Gastronomia de Londres, e viu que realmente estava no local onde sempre quis estar. Sua cozinha era seu escritório, e poderia levar trabalho para casa. Seu paladar e olfato eram seus guias. Suas mãos seus maiores instrumentos de trabalho. Mas sua criatividade imensa, oh sim!, isso realmente era o essencial para sua função.

Passados três anos ela se formou, sempre muito elogiada por seus professores. Havia conquistado diversos troféus e prêmios na faculdade por suas atividades exemplares; além de ser parabenizada e até mesmo invejada pelos maiores confeiteiros e cheffs de toda a Europa.

Durante o curso, July conheceu um rapaz chamado Bogher Leindfell; que era de uma família de ingleses muito ricos; possuidores de grandes mansões; propriedades verdes aos arredores de florestas, e que se dedicavam ao comércio marítimo. Bogher era muito bonito, tinha um porte inglês típico, um tanto esnobe por sinal, ombros largos, cabelos aloirados, olhos azuis e pele branca com as bochechas um pouco rosadas.

July, ao encontrá-lo pela primeira vez nos corredores da faculdade, ficou pasma. E a situação piorou quando ele a notou. Sim, a jovem July, de cerca de um metro e setenta; olhos e cabelos castanhos; e de bochechas fofinhas, havia chamado, e muito, a atenção de Bogher.

Não bastaram dois dias, e eles já haviam se tornado grandes amigos.

July chegava da faculdade e preparava tortas de amora, de morango, de uva, de maçã, de pêra; construia castelos de pão-de-ló de chocolate; glaciava bolos de nozes, demolia barras e mais barras de chocolate; e empilhava bolas e mais bolas de sorvete, de chocolate, de pistache, de menta, de licor de cereja, de maracujá, até de grapefruit. Após tantos doces ela saia de casa em casa da Rua Boirnam, entregando doces aos vizinhos e lhes desejando uma vida doce e suave.

Realmente ela havia sido fisgada por aqueles olhos azuis.

Passado um mês, chegara o aniversário de July. Na ocasião Bogher a chamou para um jantar em uma de suas mansões. July, que não era de família abastada achou tudo aquilo maravilhoso, e aceitou na mesma hora.

Ao chegar ao "Palácio dos Leindfell" July vou recepcionada por cerca de cinco criadas, fora o motorista que lhe havia aberto a porta. A primeira criada lhe cumprimentou gentilmente elhe disse:

_ Seja bem-vinda, Senhorita Berry.

A segunda e a terceira, logo em seguida, lhe retiraram o casaco e colocaram duas gotas de essência de gardênia, uma em cada pulso. Por fim, a quarta lhe cumprimentou, e apontou uma grande porta de mogno lustroso; a abrindo em seguida. Já a quinta criada apenas anunciou.

_ O Senhor Leindfell está ancioso em vê-la.

Após toda a cerimônia, July estava desconcertada, e de boca aberta, nem mesmo as olheiras aguentaram e decaíram um pouco, porque seu sorriso já não era mais aparente.

Eis que Bogher estava sentado numa mesa de jantar para quinze pessoas, com castiçais em cristal, repletos de velas decoradas de ornamentos dourados; e um grande vaso inglês estufado de rosas vermelhas.

July achou aquilo tudo muito para si; mas, ainda assim, apreciou, nunca um homem havia feito algo tão grandioso por ela.

_ Boa noite minha Julya! - disse Bogher.

_ Apenas July, Bob. - disse ela repleta de embaraço e com as maçãs corando.

Bogher levantou-se e foi até ela beijando-lhe o rosto e a acompanhando até a mesa, sentonda-a em seguida, logo à sua frente, numa das extremidades da longa mesa.

Mais duas criadas apareceram dispusendo de uma farta entrada com pães e aperitivos.

July praticamente se assutou, porque não estava ali para comer.

_ Quero que essa noite seja especial, July.

Ela apenas sorriu, saboreando um dos pães.

_ Humm. - ela grunhiu.

_ Pães deliciosos, não?

_ Não. Estão fora do ponto!

Bogher se surpreendeu.

_ Oh, vou tomar satisfações com o confeiteiro.

_ Não há necessidade. - e sorriu de novo.

Passado um tempo conversando, veio logo o prato principal.

_ Pato ao molho de laranjas e alecrim. - disse o cheff, que foi pessoalmente levar o prato.

_ Parece delicioso. - mas ela já havia sentido o cheiro do pato à distância e sabia que não ia gostar.

A primeira garfada ela mastigou, e com dificuldade engoliu. Seu paladar era insubestimável. Mas eis que Bob perguntou.

_ O pato está maravilhoso, não acha, July?

_ Não! Sinto muito, mas está com muito alecrim, a dose tem q ser respeitada, pois esta carne não pede alecrim demais, se fosse um faisão ou uma codorna sim, mas nunca em um pato.

O cheff ficou cataplético! Bob não sabia onde enfiar a cara.

E July, cobriu a boca com muita vergonha.

_ Oops! Acho que falei demais.

_ Magina, July. Este pato está mesmo uma droga! - e sorriu.

Bem, ao final do jantar, ela resolveu perguntar o motivo dele tê-la trazido a uma ocasião tão especial.

_ Eu a trouxe aqui, porque gostaria de lhe fazer um pedido.

Eis que um violinista jovem e muito bonito apareceu ao lado do casal.

E foi nesse instante, que July o olhou fixamente. A música que tocava era absolutamente linda; e o violinista perebeu que a garota não estava olhando para o principezinho, e sim para ele.

_ July... - sussurrou Bogher.

_ Sim? - e ela virou-se rapidamente.

_ Aceita se casar comigo? E ser minha noiva?

Naquele momento, ela havia desviado o olhar novamente para o violinista tão belo e gracioso; e olhando no fundo dos olhos daquele desconhecido, respondeu com um sorriso ingênuo e muito espontâneo.

_ Sim.


Continua...




3 comentários:

Gustavo disse...

Meo amei o post da analise da "mau comida", casa comigo?


All...

Gustavo disse...

Quero saber o restante!....a July quer o violinista neh!

Unknown disse...

olá blz cara ....vc tc de onde ...és escritor?? sou arquiteto, urbanista e fashion space designer....

abraão..qqer coisa carlos.marquess@hotmail.com

abração..